Aeroclube de Santa Catarina segue interditado após jato executivo sair da pista durante pouso

Um jato executivo saiu da pista ao aterrissar no Aeroclube de Santa Catarina na manhã de domingo, 24 de março, interrompendo todas as operações no aeródromo de São José, na Grande Florianópolis; a liberação da pista depende da retirada da aeronave, prevista para ocorrer até a manhã de terça-feira, 26, enquanto o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA) conduz a apuração das causas.

Dinâmica do incidente e condição do piloto

Dados do plano de voo indicam que a aeronave de pequeno porte, classificada como jato executivo, decolou de Jundiaí (SP) às 6h48 e pousou em São José às 7h59. Durante a frenagem, o trem de pouso recolheu de forma não comandada, provocando a saída da pista para uma área gramada lateral. Apenas o piloto, cuja identidade não foi divulgada, ocupava a cabine.

Em nota oficial, o Aeródromo de São José informou que o comandante foi encaminhado ao Hospital Regional de São José Dr. Homero de Miranda Gomes, onde passou por exames, foi medicado e permanece em observação, sem ferimentos graves. A aeronave, após a parada, apresentou temperatura elevada nos freios e na fuselagem, exigindo protocolos específicos de resfriamento.

Resposta das equipes de emergência

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) recebeu o chamado às 8h00 e mobilizou viaturas de combate a incêndio e atendimento pré-hospitalar. No local, as guarnições aplicaram espuma de agente formador de filme aquoso (AFFF) para conter vapores inflamáveis, prevenindo risco de ignição devido ao calor residual. Técnicos do aeroclube drenaram todo o combustível da aeronave logo após a estabilização do cenário.

Segundo relatório preliminar dos bombeiros, não houve princípio de fogo nem vazamento significativo de combustível. A aeronave permanece na área de escape, apoiada sobre a fuselagem dianteira, aguardando o içamento por equipamento de grande porte contratado pelo proprietário. A operação de remoção prevê a instalação de cintas de contenção estruturais para evitar danos adicionais ao trem de pouso e às asas.

Impacto operacional e procedimentos investigativos

Com 1.100 metros de comprimento e sem pista secundária, o Aeroclube de Santa Catarina suspendeu todas as decolagens e pousos até a completa liberação do solo. A administração trabalha com a projeção de retomada às 8h00 de terça-feira, 26, caso as condições meteorológicas e logísticas permitam a retirada da aeronave dentro do cronograma.

O SERIPA II, órgão da Força Aérea Brasileira responsável pela região Sul, abriu processo de investigação para determinar fatores contribuintes, incluindo análise de data recorders, histórico de manutenção da aeronave e condições da pista no momento da aterrissagem. Testemunhas presenciais, entre instrutores de voo e funcionários do aeroclube, prestam depoimentos formais a partir desta segunda-feira.

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Imagem: Aeródromo São José

De acordo com o protocolo do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, a perícia preliminar deve ser concluída em até 30 dias, com relatório final previsto para liberação pública em prazo estimado de 12 meses, salvo necessidade de prorrogação.

Consequências para a aviação geral na Grande Florianópolis

O aeródromo de São José concentra grande parte das operações de escolas de pilotagem, táxi-aéreo e aviação esportiva na região metropolitana. Com a pista interditada, voos de instrução e traslados de pequenas aeronaves foram remanejados para o Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, e para pistas privadas em Santo Amaro da Imperatriz e Tijucas.

Empresas de manutenção aeronáutica que atuam no aeroclube relataram impacto imediato na entrega de serviços, estimando atraso médio de 48 horas em inspeções programadas de motores e aviônicos. Pilotos em formação também precisaram readequar agendas para cumprir horas de voo obrigatórias, gerando fila de espera nas demais estruturas da região.

Conclusão técnica

O jato executivo permanece na área de escape do Aeroclube de Santa Catarina aguardando remoção controlada. A inspeção de pista será realizada logo após o deslocamento da aeronave, envolvendo medição de atrito, análise de detritos e verificação da camada asfáltica. A reabertura operacional está condicionada à homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e ao parecer favorável do SERIPA II. Até o momento, o piloto permanece em observação, sem lesões críticas, e não há registro de danos colaterais a pessoas ou instalações. A investigação oficial deverá esclarecer se fatores mecânicos, operacionais ou ambientais contribuíram para a recolhida inadvertida do trem de pouso e subsequente saída de pista.