Flávio Bolsonaro esclarece captação de recursos privados para filme sobre Jair Bolsonaro e pede CPI do Banco Master

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira, 14 de março de 2024, que sua participação no longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro restringiu-se à busca de investidores privados, negando favorecimento político ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, cujo áudio de negociação foi divulgado nesta semana.

Estrutura do aporte financeiro informado pelo senador

De acordo com nota oficial, Flávio Bolsonaro relatou que o aporte de Daniel Vorcaro foi configurado como investimento privado, contratado em 2024, antes de qualquer investigação pública envolvendo o banqueiro. O senador ressaltou que:

  • Os valores foram alocados em um fundo específico criado para a produção audiovisual, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.
  • O contrato previa retorno financeiro proporcional ao desempenho comercial do filme em salas de exibição, plataformas de streaming e vendas secundárias.
  • Não houve doação, empréstimo pessoal ou vantagem política, segundo o texto divulgado pelo gabinete.

O legislador também declarou inexistir destinação de recursos ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, refutando especulações sobre repasses internos à família.

Cronologia dos contatos e divergências com a produtora

A nota detalha o seguinte encadeamento de eventos:

  1. Janeiro de 2024 – Flávio Bolsonaro iniciou tratativas com possíveis investidores internacionais para financiar a obra cinematográfica.
  2. Fevereiro de 2024 – O empresário Daniel Vorcaro manifestou interesse no projeto, firmando compromisso de aporte ao fundo audiovisual.
  3. Março de 2024 – Áudios divulgados pela imprensa mostram Flávio solicitando formalmente o investimento a Vorcaro.
  4. 13 de março de 2024 – A produtora GOUP Entertainment declarou à imprensa que “não há um único centavo de Vorcaro ou do Banco Master” no caixa final do filme.
  5. 14 de março de 2024 – O senador publicou comunicado oficial “para restabelecer os fatos”, reiterando que a relação comercial foi encerrada após a quebra de cronograma de aportes e a revelação de investigações sobre o Banco Master.

Em entrevista à GloboNews, Flávio defendeu a prática de captação privada como “absolutamente legal”, mantendo a linha de que a operação ocorreu antes da publicização de qualquer investigação criminal contra o banqueiro.

Repercussão política e pedido de CPI do Banco Master

O pronunciamento foi acompanhado de críticas a comparações com casos investigados em partidos adversários. “Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT”, registrou o comunicado. Como resposta institucional, o senador:

Flávio Bolsonaro esclarece captação de recursos privados para filme sobre Jair Bolsonaro e pede CPI do Banco Master - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução

  • Solicitou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master no Senado Federal para apurar eventuais irregularidades financeiras da instituição.
  • Defendeu “investigação com rigor e transparência” sobre a origem de recursos, a estrutura societária do banco e possíveis impactos no sistema financeiro brasileiro.
  • Reforçou apoio à tramitação de requerimentos que buscam acessar extratos bancários, contratos de patrocínio e registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No Poder Legislativo, líderes de partidos de oposição indicaram disposição para analisar o pedido, enquanto a base governista aguarda laudos complementares do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Conclusão técnica

Até o momento, não há confirmação de que recursos do Banco Master tenham ingressado efetivamente na produção do filme sobre Jair Bolsonaro. A produtora GOUP Entertainment sustenta que financiadores alternativos substituíram o aporte inicial. O posicionamento de Flávio Bolsonaro centraliza-se na legalidade da captação privada, na ausência de doação política e na defesa de uma CPI para investigar o banco envolvido. Os próximos passos dependem de:

  • Análise documental da CVM sobre a constituição do fundo audiovisual.
  • Deliberação do Senado sobre a abertura da CPI do Banco Master.
  • Consolidação de novos investidores para garantir o cronograma de filmagens nos Estados Unidos.

O caso permanece em evolução, sujeito a revelações adicionais de órgãos de controle e eventuais ajustes contratuais entre a produtora e seus financiadores.