Furto de cabos interrompe energia em igreja de Ascurra e expõe vulnerabilidade na rede elétrica

Criminosos furtaram cerca de sete metros de cabos de cobre da rede elétrica de uma igreja localizada no bairro São Francisco, em Ascurra, na manhã de domingo (24), provocando a interrupção do fornecimento de energia para fiéis e moradores do entorno e acionando a Polícia Militar para abertura de inquérito.

Detalhes da ocorrência

A ação foi detectada por volta das 10h50, momento em que representantes da comunidade perceberam a ausência de energia e identificaram sinais de arrombamento no portão de acesso ao templo. De acordo com a Polícia Militar de Santa Catarina, os autores removeram três condutores de cobre, totalizando aproximadamente sete metros. O local não dispunha de sistema de vigilância eletrônica, fator que dificultou a identificação dos suspeitos e impossibilitou prisões em flagrante.

O crime foi formalizado em boletim de ocorrência e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Ascurra, responsável por conduzir investigações complementares. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a reposição completa do serviço elétrico, nem estimativa de prejuízo financeiro para a paróquia, que deverá ser calculado com base no preço de mercado do cobre e nos custos de reinstalação.

Consequências para a comunidade e para a rede elétrica

Além da igreja, o corte abrupto de energia afetou residências vizinhas ligadas ao mesmo ramal de distribuição, segundo relato de moradores à reportagem. Técnicos da concessionária regional foram acionados para avaliação dos danos, mas a prioridade inicial recaiu sobre a segurança da estrutura, a fim de evitar curto-circuitos ou risco de choques elétricos a voluntários que tentavam inspecionar o quadro de força.

Furtos de cabos metálicos têm se tornado recorrentes em Santa Catarina. Dados preliminares do Observatório de Segurança Pública do Estado indicam que, somente no Vale do Itajaí, foram registradas 137 ocorrências relacionadas a subtração de fios condutores entre janeiro e agosto deste ano, alta de aproximadamente 22% em comparação ao mesmo período de 2022. Esses delitos impactam não apenas a infraestrutura religiosa, mas também escolas, hospitais e semáforos, ocasionando prejuízos diretos à população e custos adicionais às distribuidoras.

Especialistas em engenharia elétrica explicam que a retirada de cabos provoca sobrecarga em pontos adjacentes da rede, aumentando a chance de interrupções em cascata. Além disso, o processo de ressarcimento é complexo: embora exista cobertura securitária para templos religiosos, a indenização costuma depender de laudos técnicos e comprovação de que o circuito fora instalado conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

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Imagem: Freepik

Investigação e medidas preventivas

Como parte do protocolo de investigação, a Polícia Civil deverá cruzar depoimentos de moradores com registros de compra e venda de sucata em ferros-velhos da região. A prática está amparada pela Lei Federal nº 12.305/2010, que determina a obrigação de cadastro de fornecedores de materiais recicláveis, incluindo cobre. Estabelecimentos que não exigirem a identificação dos vendedores podem ser autuados administrativamente e investigados por receptação.

Técnicos de segurança recomendam a instalação de iluminação externa com sensores de presença, alarmes sonoros e câmeras em pontos estratégicos das edificações religiosas. Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), projetos simples de monitoramento conseguem reduzir em até 70% a probabilidade de novas invasões, sobretudo quando combinados com cercas eletrificadas e avisos visuais de vigilância 24 horas.

Para a comunidade de Ascurra, a prefeitura já discute a implementação de um programa de vigilância solidária no bairro São Francisco. A iniciativa envolveria rondas periódicas da Guarda Municipal e integração de alertas via aplicativo, ampliando o tempo de resposta a ocorrências. O conselho de pastoral da igreja também avalia campanhas de conscientização sobre a destinação correta de materiais metálicos, incentivando a denúncia anônima de práticas suspeitas.

Conclusão técnica

O furto de cabos de cobre na igreja de Ascurra reafirma a vulnerabilidade de edificações sem sistemas de monitoramento e expõe gargalos na rastreabilidade do comércio de sucata metálica. A investigação policial prossegue com foco na identificação de receptadores e na conexão do episódio a outras ocorrências recentes no Vale do Itajaí. Enquanto a comunidade aguarda a normalização total do fornecimento de energia, autoridades locais estudam reforços estruturais e legislativos para conter a escalada desse tipo de crime, que afeta diretamente a continuidade de serviços essenciais e a segurança patrimonial.