O Departamento de Transportes dos Estados Unidos reportou que, em abril de 2026, as companhias aéreas do país destinaram 78 % a mais de recursos ao combustível em comparação com o mesmo mês de 2025, reflexo direto da valorização do petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio e da redução de 2,6 % no volume consumido, totalizando 1,573 bilhão de galões.
Escalada de custos com combustível
Os dados divulgados pelo Office of Airline Information, braço estatístico do Department of Transportation (DOT), revelam que o preço médio do querosene de aviação em abril de 2026 subiu US$ 0,94 por galão em relação a março e US$ 1,81 na comparação anual. Esse avanço acompanha a trajetória do barril de petróleo, impulsionado pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio, principal fator que mantém o valor da commodity em patamares elevados.
Historicamente, o combustível corresponde ao maior item de despesa operacional para linhas aéreas comerciais. Antes da atual crise, esse componente representava cerca de 25 % dos custos; agora, estudos projetam participação superior a 31 % em 2026, tornando o controle dessa variável determinante para a rentabilidade do setor.
Impacto operacional nas companhias norte-americanas
Diante do aumento dos dispêndios, transportadoras dos Estados Unidos vêm adotando medidas para preservar margem. Entre as ações registradas estão: reajuste tarifário, cobrança adicional por serviços ancilares, racionalização de rotas e redução de frequências.
American Airlines comunicou na última semana a suspensão temporária de diversas ligações domésticas e internacionais no verão do Hemisfério Norte. A iniciativa replica movimentos de pares globais: a Lufthansa Group cancelou 20 000 voos de curta distância até outubro, enquanto a Air Canada retirou as operações no John F. Kennedy International Airport, em Nova York, pelo mesmo período.
No mercado dos EUA, a diminuição de capacidade pode agravar pressões sobre preços de passagens, uma vez que a demanda interna permanece resiliente. Segundo dados preliminares da Airlines for America, a ocupação média dos voos domésticos em maio ultrapassou 86 %, sinalizando procura consistente, mesmo com tarifas mais altas.
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Repercussões globais e projeções da IATA
Relatório atualizado da International Air Transport Association (IATA) ajustou a estimativa de lucro líquido agregado da aviação mundial para US$ 23 bilhões em 2026, valor 44 % inferior à previsão precedente de US$ 41 bilhões. O documento atribui o recuo, principalmente, à escalada do querosene, cujo preço médio projetado alcança US$ 152 por barril, quase 70 % acima do praticado em 2025.
O diretor-geral da entidade, Willie Walsh, enfatizou que, apesar dos reajustes tarifários, as empresas ainda absorvem parcela relevante do aumento de custos, reduzindo margens. A IATA calcula que a conta global de combustível das companhias suba para US$ 350 bilhões em 2026, ante US$ 252 bilhões no ano anterior, ampliando a alocação desse insumo no orçamento do setor para mais de 31 % das despesas totais.
Além do impacto financeiro, as pressões sobre combustíveis aceleram discussões sobre eficiência energética e descarbonização. Programas de renovação de frota, adoção de aeronaves com motores de última geração e aumento do uso de Sustainable Aviation Fuel (SAF) ganham prioridade, porém dependem de disponibilidade e escala produtiva ainda limitadas.
Conclusão Técnica
Os números divulgados pelo DOT confirmam tendência de alta persistente no custo do combustível para a aviação norte-americana, condicionada a fatores externos como o conflito no Oriente Médio e a dinâmica de oferta global de petróleo. Na prática, companhias dos EUA intensificam cortes de capacidade e ajustes de tarifa para mitigar impactos imediatos, estratégia replicada em outras regiões. A IATA projeta margens comprimidas e resultados inferiores aos inicialmente esperados para 2026, cenário que mantém a indústria em estado de alerta. Salvo uma reversão expressiva nos preços do barril ou aceleração na adoção de combustíveis alternativos em escala, a pressão sobre custos deverá perdurar, influenciando políticas de frota, planejamento de rotas e negociações tarifárias ao longo dos próximos trimestres.




