Assunção, 3 de maio de 2026 – A companhia aérea GOL Linhas Aéreas Inteligentes comunicou à Direção Nacional de Aeronáutica Civil do Paraguai (DINAC) o adiamento do início dos voos diretos entre Assunção, no Paraguai, e Miami, nos Estados Unidos, rota inédita que estava programada para decolar em 8 de junho. O ajuste, divulgado pela DINAC em suas redes sociais, ainda não tem nova data definida e ocorre no momento em que a empresa revisa seu planejamento internacional.
Operação suspensa antes da estreia
Segundo a DINAC, a GOL informou oficialmente, em 28 de abril, que não iniciará mais a operação na data prevista. O plano original previa quatro frequências semanais, partindo do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, na capital paraguaia, com destino ao Aeroporto Internacional de Miami.
Conforme o expediente protocolado, caberá agora à empresa solicitar uma nova janela de slots quando o cronograma estiver finalizado. Até a reprogramação, passageiros que já haviam adquirido bilhetes serão comunicados pelo serviço de atendimento da companhia para remarcação ou reembolso integral.
Detalhes da rota anunciada em fevereiro
Divulgada no início de fevereiro, a ligação direta Assunção–Miami representava um avanço importante para a conectividade aérea do Paraguai. Atualmente, viajantes paraguaios dependem de escalas em cidades como Panamá, São Paulo ou Lima para chegar ao sul da Flórida. O voo sem paradas reduziria o tempo total de viagem em aproximadamente três horas.
A operação seria realizada com aeronaves Boeing 737 MAX 8, configuradas para 176 passageiros. Caso tivesse sido mantido, o trecho de cerca de 6.650 quilômetros se tornaria o mais longo da malha da GOL realizado com esse modelo. O MAX 8 possui autonomia declarada de 6.570 quilômetros, e, para alcançar Miami com margem operacional, a companhia planejava utilizar otimizações de peso e rotas de vento favoráveis.
Ajustes estratégicos na malha internacional
Fontes do setor indicam que a decisão de adiar o voo se relaciona a reestruturações de frota e revisões de custos de combustível, fatores que têm impactado diversas companhias latino-americanas após a recente alta do querosene de aviação. Além disso, a GOL aguarda a incorporação de novas unidades do 737 MAX para equilibrar capacidade nos mercados domésticos brasileiro e regional.
No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou ocupação média de 81,9% em suas rotas internacionais, percentual abaixo da meta de 85% prevista no plano de negócios. Com o recuo, a administradora optou por postergar lançamentos que exigiriam voos de longo alcance até que a taxa de ocupação volte ao patamar desejado.
Imagem: viagens
Outro elemento considerado é o câmbio desfavorável frente ao dólar, que encarece despesas em manutenção, leasing e taxas aeroportuárias cobradas em moeda norte-americana. Analistas de aviação apontam que rotas inaugurais costumam exigir período de maturação de até 24 meses; nesse cenário, iniciar um trecho de grande distância poderia pressionar a liquidez de curto prazo.
Impacto para o Paraguai e alternativas ao passageiro
A inexistência de voos diretos do Paraguai aos Estados Unidos permanece como um gargalo logístico para o turismo e o comércio exterior locais. O Ministério do Turismo paraguaio estimava crescimento de 12% no fluxo de visitantes norte-americanos já no primeiro ano de operação, além de atração de investimentos focados no corredor Miami–Assunção.
Enquanto o projeto não sai do papel, passageiros continuam contando com ligações de companhias como Copa Airlines, via Cidade do Panamá, e Latam Airlines, via Lima ou São Paulo, para alcançar Miami. Em média, esses trajetos demandam de 10 a 12 horas totais de deslocamento, contra as 8 horas previstas na operação direta da GOL.
Próximos passos
A GOL afirmou, em nota encaminhada à DINAC, que manterá a rota em seu planejamento estratégico e deverá comunicar um novo cronograma “tão logo haja condições operacionais e de mercado favoráveis”. A autoridade paraguaia, por sua vez, adiantou que acompanhará o processo de revalidação de horários de pouso e decolagem, seguindo normas bilaterais firmadas entre Brasil, Paraguai e Estados Unidos.
Até que um novo anúncio seja feito, empresas de turismo e passageiros permanecem atentos aos desdobramentos. Quando a ligação Assunção–Miami for efetivamente inaugurada, o Paraguai passará a ter acesso inédito a uma das rotas mais demandadas da América do Sul para a América do Norte, consolidando-se como ponto estratégico para conexões regionais.


