Grupo Mateus encerra 28 lojas e desliga 6,6 mil funcionários em processo de reestruturação

Grupo Mateus comunicou o fechamento de 28 unidades entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026, desligando aproximadamente 6,6 mil colaboradores em seis estados, como parte de uma reestruturação voltada a elevar a rentabilidade das operações já existentes.

Motivações estratégicas e cronograma das medidas

O movimento de enxugamento começou após o anúncio feito ao mercado em maio de 2025, quando a empresa revelou a revisão do plano de expansão que havia sido acelerado após a abertura de capital. Entre 2025 e o fim do 1º trimestre de 2026, a diretoria concentrou esforços na análise de produtividade por metro quadrado, margem bruta e retorno sobre capital investido de cada loja. As unidades que não atingiam os índices projetados foram incluídas na lista de desligamento. A iniciativa, segundo executivos ouvidos em conferências com investidores, tem o objetivo de priorizar a maturação das filiais remanescentes, ajustar o mix de produtos e otimizar processos logísticos para sustentar margens em um cenário de consumo mais conservador.

Impacto no quadro de pessoal e distribuição geográfica das demissões

Os relatórios corporativos apontam que o número de empregados passou de 47,9 mil para 41,2 mil no intervalo de doze meses, resultando em uma redução de 13,9 % da força de trabalho. O corte afetou principalmente as filiais localizadas em Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, estados que concentram a maior capilaridade da rede. A concentração regional das dispensas reflete a estratégia de consolidar operação nos polos com maior densidade populacional e potencial logístico, enquanto se desativa pontos considerados periféricos ou com baixo giro. Internamente, programas de realocação foram oferecidos, mas a maior parte das desligações ocorreu sem absorção em outras unidades devido ao encerramento completo de atividades.

Desempenho financeiro permanece robusto apesar dos ajustes

A despeito do redimensionamento, Grupo Mateus registrou receita bruta consolidada de R$ 43,5 bilhões em 2025 e lucro líquido acima de R$ 2 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Esses indicadores confirmam que a reestruturação não foi motivada por falta de faturamento, mas por busca de maior eficiência operacional. A companhia mantém mais de 280 lojas ativas distribuídas por bandeiras como Mix Mateus, Mateus Supermercados, Camiño, Spazio, Eletro Mateus, Armazém Mateus, Bumba Meu Pão e Food Service Mateus. Segundo comunicados apresentados à Comissão de Valores Mobiliários, a prioridade para o biênio 2026–2027 é elevar o giro de estoque, reduzir despesas administrativas e sustentar o índice de endividamento em patamar inferior a 1,5 vez a dívida líquida sobre EBITDA.

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Imagem: Grupo Mateus

Cenário macroeconômico e tendências do varejo alimentar

O ajuste empreendido ocorre em meio a um ambiente marcado por custos logísticos elevados, taxa básica de juros acima de dois dígitos durante parte de 2025 e competição crescente com gigantes nacionais do atacarejo. Além da pressão por preços menores, o consumidor apresenta comportamento mais cauteloso diante da recomposição lenta da renda disponível. Para preservar margens, redes listadas em Bolsa têm optado por reduzir a velocidade de inaugurações e renegociar contratos de aluguel, frete e energia. Especialistas do setor apontam que investimentos futuros deverão concentrar-se em formatos de loja com sortimento enxuto, integração omnichannel e plataformas de marketplace próprias, requisitos já mapeados pela diretoria do Grupo Mateus.

Conclusão Técnica

A reestruturação do Grupo Mateus, que resultou no fechamento de 28 unidades e na dispensa de 6,6 mil colaboradores, alinha-se a práticas de consolidação adotadas por grandes varejistas para sustentar rentabilidade em ciclos de consumo desafiadores. Mesmo com forte geração de caixa, a companhia redirecionou capital para otimizar operações existentes, preservar margens e reduzir despesas fixas. O plano de negócios divulgado ao mercado indica novos investimentos apenas em pontos considerados estrategicamente relevantes e submetidos a métricas rígidas de retorno. A condução das próximas etapas será monitorada por investidores de perto, uma vez que o desempenho financeiro continua sólido e o grupo figura entre os maiores players do varejo alimentar brasileiro.