Hospital São José opera com mais de 150% da capacidade e reforça pedido de apoio à rede de saúde em Criciúma

O Hospital São José, em Criciúma (SC), registrou nesta quinta-feira (21) a internação de mais de 50 pacientes em um setor projetado para 20 leitos, atingiu 100% de ocupação nas UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS) e emitiu alerta de superlotação, orientando que casos de menor complexidade sejam direcionados a UBSs, UPAs e demais pontos de assistência da região.

Demanda emergencial ultrapassa limite estrutural

Dados fornecidos pela diretora técnica Cassiana Mazon Fraga indicam que o volume de atendimentos no pronto-socorro SUS ultrapassou em mais de 150% a capacidade instalada. A área, originalmente dimensionada para comportar até 20 leitos de observação, acomodava 51 pacientes simultaneamente. Paralelamente, as UTIs SUS alcançaram lotação total, reduzindo a margem para novos atendimentos críticos e ampliando o tempo médio de espera para internação.

Segundo a médica, a elevação da demanda não está restrita a doenças respiratórias sazonais. O hospital recebeu pacientes com múltiplas patologias clínicas, traumáticas e pós-operatórias, o que exige recursos intensivos de monitoramento e suporte avançado de vida. Apesar da pressão assistencial, a instituição afirma que não há falta de insumos nem risco de desabastecimento imediato.

Leitos extras e articulação com a rede regional

Para mitigar o cenário, a administração abriu leitos privados adicionais e obteve transferências pontuais por meio da Central de Regulação Estadual. A estratégia envolveu a realocação de pacientes estáveis para hospitais de menor porte no Sul catarinense. Ainda assim, a lotação permanece além do limite físico, exigindo monitoramento contínuo da taxa de ocupação e da escala de profissionais.

Na tarde de quinta-feira, a direção acionou oficialmente o Samu, o Corpo de Bombeiros e demais órgãos de resposta rápida para restringir o encaminhamento de novos casos ao pronto-socorro do São José, mantendo o fluxo apenas para situações classificadas como urgência ou emergência pelo protocolo de Manchester.

Resistência de pacientes a transferências dificulta alívio de pressão

Um dos obstáculos relatados pela diretoria é a recusa de transferência por parte de determinados pacientes e familiares. Embora hospitais vizinhos, como o Hospital São Roque (Morro da Fumaça) e o Hospital Nossa Senhora da Conceição (Urussanga), disponham de leitos clínicos e cirúrgicos, há relutância em migrar para unidades distantes de Criciúma. Essa resistência prolonga a permanência no São José, trava rodízios de leitos e impacta negativamente a rotatividade no pronto-atendimento.

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A gestão reforça que os estabelecimentos indicados pela Central de Regulação seguem critérios técnicos de complexidade, corpo clínico e suporte diagnóstico, garantindo continuidade terapêutica comparável à oferecida em Criciúma.

Sinalização oficial e orientações à população

Em nota pública, o Hospital São José solicitou que a população priorize UBSs, UPAs e demais serviços públicos para quadros de baixa gravidade, tais como sintomas gripais leves, pequenas suturas e renovação de receitas. A instituição reiterou que permanece “em articulação com a Central de Regulação, Samu, Corpo de Bombeiros e autoridades de saúde” na busca de soluções para a elevada demanda assistencial.

A direção também comunicou que as equipes de medicina, enfermagem e apoio estão em regime de plantão ininterrupto, com revezamento extraordinário para manter a qualidade assistencial e cumprir os protocolos de segurança do paciente.

Conclusão Técnica

O Hospital São José prossegue operando acima da capacidade física, mesmo após a abertura de leitos extras e a ativação de mecanismos regionais de transferência. A normalização depende da redução do fluxo de entrada, da adesão dos pacientes às remoções indicadas e da distribuição equilibrada de casos entre as unidades do Sul de Santa Catarina. Enquanto isso, a orientação permanece: buscar o pronto-socorro do São José apenas em ocorrências de alta complexidade, permitindo que o hospital concentre recursos nos casos mais graves e libere leitos críticos para novas emergências.