Ibovespa fecha a oitava semana no vermelho; Braskem desaba 16% enquanto Copasa avança 7%

O Ibovespa acumulou retração de 2,74% entre 1º e 5 de junho, marcando a oitava semana consecutiva de perdas e a pior sequência desde 1994; no período, Braskem (BRKM5) liderou as quedas com -16,35%, ao passo que Copasa (CSMG3) escapou do movimento negativo e avançou 7,19% em meio ao processo de privatização.

O índice renova a pior série desde o Plano Real

Encerrando a semana aos 169.019 pontos, o principal índice da B3 prolongou a trajetória descendente iniciada em meados de abril. O recuo de 2,74% registrado agora soma-se a sete quedas anteriores, configurando a pior sequência semanal desde a implantação do Plano Real, em 1994. Investidores continuam ajustando posições diante de incertezas internas, juros elevados e turbulências no exterior.

No mercado de juros, a curva rateou as apostas para a reunião do Copom marcada para o fim de junho: a maior parte dos agentes já precifica manutenção da Selic em 14,50% ao ano. Esse panorama limita a atratividade de ações, sobretudo dos setores mais sensíveis ao crédito e ao consumo.

Braskem encabeça o bloco das maiores baixas

A petroquímica Braskem (BRKM5) voltou a ocupar a lanterna do índice. As ações recuaram 16,35% após a companhia comunicar que ainda avalia alternativas para reforçar a estrutura de capital, sem decisão formal sobre eventual recuperação extrajudicial. A indefinição manteve o prêmio de risco elevado e reforçou ordens de venda.

Empresas de construção, varejo e consumo acompanharam o movimento negativo. Entre 1º e 5 de junho, os papéis de Cyrela (CYRE3) tombaram 11,86%, Azzas 2154 (AZZA3) cedeu 11,34% e CSN (CSNA3) perdeu 10,73%. Também figuraram na lista de declínios Hapvida (HAPV3) com -9,88%, Cury (CURY3) com -9,61% e Magazine Luiza (MGLU3) com -9,03%. As construtoras foram penalizadas pelo encarecimento do financiamento imobiliário, enquanto varejistas sentiram a piora na percepção de renda disponível.

Copasa lidera ganhos após avanço na desestatização

Na contramão do mercado, Copasa (CSMG3) subiu 7,19%. A valorização foi impulsionada pela definição da Equatorial (EQTL3) como investidora de referência finalista no processo de privatização, preenchendo o vácuo deixado pelo consórcio Livorno. Com isso, analistas elevaram as projeções para o papel, estimando potencial adicional de até 10% se o modelo de venda repetir o movimento observado na privatização da Sabesp.

Companhias ligadas a commodities também se mantiveram em terreno positivo. Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avançou 3,67%; Brava Energia (BRAV3), 3,60%; e Gerdau (GGBR4), 2,37%. Já Klabin (KLBN11) teve alta de 2,22%, beneficiada pela perspectiva de câmbio mais favorável para exportadoras.

Pressões externas agravam o cenário doméstico

O ambiente global adicionou novos vetores de aversão a risco. No Oriente Médio, declarações de Mohsen Rezaei, conselheiro militar do líder supremo iraniano, sinalizaram impasse nas negociações de paz, o que elevou a cotação do petróleo Brent para US$ 93, alta semanal de 2,16%. O encarecimento da commodity reacendeu temores inflacionários e reforçou apostas em juros altos no mundo.

Nos Estados Unidos, o relatório payroll surpreendeu com a criação de 172 mil vagas em maio ante projeção de 85 mil. O dado robusto reduziu a probabilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, pressionando ativos de países emergentes, inclusive o Brasil, via fortalecimento do dólar.

Adicionalmente, o governo norte-americano recomendou tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, além de sinalizar sobretaxa extra de 12,5%. Caso implementadas, as medidas podem comprimir margens de exportadores nacionais e comprometer parte do saldo comercial previsto para o segundo semestre.

Conclusão técnica

Com oito semanas consecutivas de queda, o Ibovespa enfrenta combinação de fatores que deve seguir pautando o humor dos investidores: indefinições sobre juros domésticos, tensão geopolítica que mantém o petróleo caro e política comercial dos EUA desfavorável ao Brasil. Enquanto Braskem continua vulnerável à falta de clareza sobre seu plano financeiro, Copasa desponta como possível beneficiária de fluxos focados em eventos de privatização. O comportamento do índice nas próximas sessões dependerá, sobretudo, das sinalizações do Copom e da evolução das negociações internacionais que influenciam commodities e câmbio.