Itaú segue como banco preferido do Bradesco BBI, recebe preço-alvo de R$ 45 e mantém vantagem sobre Banco do Brasil

O Bradesco BBI reafirmou a recomendação de outperform para as ações do Itaú Unibanco (ITUB4) nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, projetando preço-alvo de R$ 45 — potencial de alta de aproximadamente 10,5% ante o fechamento do pregão —, enquanto reduziu as estimativas para Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11), ambos mantidos em posição neutra.

Balanço defensivo sustenta preferência pelo Itaú

De acordo com o relatório assinado pela equipe de análise do Bradesco BBI, o Itaú Unibanco reúne atributos considerados raros em um ambiente de maiores incertezas macroeconômicas. Entre os principais pontos estão:

  • Histórico consistente de execução em diferentes ciclos de crédito;
  • Qualidade da carteira marcada por índices de inadimplência abaixo da média do sistema;
  • Gestão de capital robusta, refletida em elevados coeficientes de Basileia.

Esses elementos formam um mix que, na visão dos analistas, “blinda” o banco frente a possíveis choques de liquidez ou deterioração da qualidade do crédito. O relatório também ajustou as projeções de lucro líquido do Itaú: para 2026, a estimativa passou de R$ 51,105 bilhões para R$ 50,552 bilhões; para 2027, praticamente permaneceu em R$ 55,898 bilhões.

Revisões cortam projeções de Banco do Brasil e Santander

Ao contrário do Itaú, o Banco do Brasil sofreu revisão negativa. O price target foi reduzido de R$ 21 para R$ 20, citando “baixa visibilidade sobre a trajetória da qualidade do crédito”. As novas projeções indicam lucro líquido de R$ 17,563 bilhões em 2026, ante R$ 23,006 bilhões anteriormente. Para 2027, a previsão foi ajustada de R$ 31,145 bilhões para R$ 26,175 bilhões.

O Santander Brasil também registrou cortes: preço-alvo caiu de R$ 33 para R$ 29, com expectativa de menor expansão da carteira de crédito e resultado menos favorável em tesouraria. O lucro estimado para 2026 recuou de R$ 16,765 bilhões para R$ 15,631 bilhões; para 2027, de R$ 19,875 bilhões para R$ 17,272 bilhões.

Números revisados reforçam divergência de desempenho

Os ajustes divulgados consolidam um cenário de desaceleração nos ganhos projetados para Banco do Brasil e Santander, ao passo que o Itaú demonstra resiliência. O Bradesco BBI chama atenção para:

  1. Estrutura de funding mais pulverizada do Itaú, reduzindo dependência de captações de curto prazo;
  2. Iniciativas digitais que elevam eficiência operacional e permitem melhor precificação de risco;
  3. Exposição setorial historicamente diversificada, amenizando impactos de choques específicos.

No Banco do Brasil, persiste a preocupação com a evolução da inadimplência em segmentos de varejo e agronegócio. Já o Santander encontra dificuldades em retomar o ritmo de crescimento sem comprometer margens, sobretudo após um período de forte competição no crédito consignado.

Conclusão Técnica

O panorama traçado pelo Bradesco BBI indica manutenção da liderança do Itaú entre os grandes bancos listados, amparada por balanço sólido e perspectiva de lucro estável. Banco do Brasil e Santander Brasil continuam enfrentando desafios de qualidade de crédito e expansão de receitas, o que justifica recomendações neutras e alvos mais conservadores. Caso os indicadores de inadimplência se deteriorem além do previsto ou haja compressão adicional nas margens, novas revisões podem ocorrer. Por ora, o Itaú mantém a posição de principal aposta do mercado para atravessar um ciclo ainda marcado por elevada competição e incerteza macroeconômica.