Itaú Unibanco entrega lucro de R$ 12,3 bilhões e mantém rentabilidade de 24,8% no 1T26

Itaú Unibanco (ITUB4) registrou R$ 12,282 bilhões de lucro líquido recorrente no primeiro trimestre de 2026, superando o consenso de mercado e sustentando retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado (ROAE) de 24,8%, resultado que consolida a consistência operacional do maior banco privado do país em meio a um cenário de juros elevados e cautela no crédito.

Lucro acima do consenso reforça trajetória de crescimento consistente

O lucro apresentado pelo Itaú Unibanco ficou 0,7% acima da projeção média de analistas, compilada pela Bloomberg em R$ 12,191 bilhões. Em comparação anual, houve expansão de 10,4%, enquanto na variação trimestral ocorreu leve retração de 0,3%, a segunda queda sequencial desde 2020. Desconsiderando a distribuição antecipada de dividendos realizada em dezembro de 2025, o resultado teria alcançado R$ 12,7 bilhões, indicando avanço de 3,2% sobre o quarto trimestre de 2025.

O desempenho reafirma a estratégia do banco de crescer sem abrir mão da disciplina de risco. Segundo o CEO Milton Maluhy Filho, “o início de 2026 exigiu prudência na concessão de crédito, mas a qualidade do portfólio manteve-se dentro dos padrões históricos”.

Gestão de crédito combina expansão da carteira e controle da inadimplência

A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,482 trilhão, com crescimento de 9% em 12 meses e de 1,2% frente ao trimestre imediatamente anterior. O índice de inadimplência superior a 90 dias manteve-se estável em 1,9%, sinalizando resiliência mesmo após dois anos de política monetária restritiva.

Para preservar a qualidade dos ativos, as provisões para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 10,2 bilhões, incremento de 7,9% na comparação anual. O custo do crédito atingiu R$ 9,9 bilhões, alta de 4,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, refletindo a sazonalidade do período e menor recuperação de créditos vencidos.

Em nota, o banco destacou que a calibragem da originação — combinada a ajustes no perfil de clientes e produtos — resultou em um portfólio menos exposto a ciclos de estresse, permitindo crescimento responsável mesmo em ambiente macroeconômico volátil.

Receitas operacionais avançam e índice de eficiência atinge novo recorde

A margem financeira totalizou R$ 32,3 bilhões, evolução de 4% sobre o 1T25. Desse montante, a margem com clientes respondeu por R$ 31,5 bilhões, expansão anual de 4,5%, impulsionada pela maior base de crédito, melhor mix de passivos e serviços e ganhos no spread.

A margem com o mercado, derivada de operações de tesouraria, foi de R$ 820 milhões, queda de 11,2% ano contra ano, mas avanço de 37,4% sobre o trimestre anterior, influenciada pelo custo do hedge de capital e desempenho positivo da mesa de trading.

As receitas de prestação de serviços atingiram R$ 10,9 bilhões, aumento de 2,4% frente ao mesmo intervalo de 2025, apesar da redução trimestral de 7,1% ligada à sazonalidade do início do ano.

Do lado das despesas, os gastos não relacionados a juros somaram R$ 16,2 bilhões, avanço de 4,8% em 12 meses, puxado por investimentos em tecnologia — com ênfase em computação em nuvem — e maiores despesas de pessoal. Ainda assim, o índice de eficiência consolidado recuou para 37,1%, enquanto no mercado doméstico atingiu 34,9%, o melhor patamar histórico para um primeiro trimestre, mantendo o banco dentro da meta de reduzir o indicador para 35% no varejo até 2028.

Rentabilidade permanece líder entre bancos privados

Com ROAE de 24,8%, o Itaú Unibanco segue à frente dos principais concorrentes: o Santander Brasil reportou retorno de 16% no mesmo período, enquanto outros pares privados ficaram abaixo de 20%. O aumento de 2,3 pontos percentuais em doze meses reflete não apenas a expansão do lucro, mas também a gestão rigorosa de capital e o foco em negócios de maior valor agregado.

O diretor financeiro (CFO) Gabriel Amado de Moura afirmou que a combinação de crescimento equilibrado, qualidade da carteira e ganhos de eficiência sustenta a “capacidade do banco de atravessar diferentes fases do ciclo econômico com resultados robustos”.

Perspectivas e prioridades para o restante de 2026

A administração reforçou que continuará priorizando a expansão digital, o fortalecimento do atendimento consultivo e o ajuste do parque físico de agências, medidas que visam elevar a produtividade e manter a vantagem competitiva. Em termos de risco, a orientação permanece conservadora, com ênfase em segmentos e perfis de menor volatilidade.

O guidance divulgado no fim de 2025 foi mantido: crescimento de crédito entre 8% e 11%, custo do crédito entre R$ 38 bilhões e R$ 42 bilhões e índice de eficiência consolidado abaixo de 38% para o exercício. A instituição também reiterou o compromisso de distribuir dividendos dentro da política vigente, condicionada aos requerimentos de capital e oportunidades de investimento.

Conclusão Técnica

Os números do primeiro trimestre confirmam a eficácia da estratégia do Itaú Unibanco em combinar rentabilidade elevada, escala e controle de risco. A estabilidade da inadimplência, aliada ao avanço da margem com clientes e à melhora do índice de eficiência, sustenta a projeção de resultados resilientes ao longo de 2026. Mantida a disciplina na originação e nos custos, a expectativa é de que o banco preserve a liderança em retorno sobre capital entre os pares privados e continue alocando recursos em tecnologia e canais digitais para apoiar ganhos de produtividade nos próximos trimestres.