La Braciera projeta encerrar 2026 com faturamento de R$ 75 milhões, resultado de uma expansão que começou em 2021, quando quatro empreendedores adquiriram por cerca de R$ 90 mil uma pizzaria quase inativa em Higienópolis, na capital paulista. Desde então, a rede avançou para 11 unidades, passou a vender aproximadamente 45 mil pizzas por mês e figura em rankings internacionais de pizza napolitana.
Da aquisição oportunista à reestruturação completa
O ponto de partida ocorreu em 2021, quando Daniel Lucco, Gustavo Brunello, Marcos Paulo e Guilherme Paim identificaram uma oportunidade no mercado de pizzarias. O estabelecimento disponível em Higienópolis operava havia quase duas décadas, porém enfrentava estagnação: não aceitava cartão de crédito e possuía alcance limitado em delivery. O valor de R$ 90 mil pago pelo negócio, de acordo com Lucco, era inferior ao custo dos equipamentos instalados.
A reformulação envolveu adoção do estilo napolitano — reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural —, com massa de longa fermentação e alta hidratação. A escolha alinhou tradição italiana à demanda por produtos artesanais de qualidade superior. Paralelamente, os sócios implementaram processos típicos de startup, utilizando métricas de desempenho, tecnologia de gestão e estrutura enxuta para acelerar decisões.
Escala baseada em centralização, marca e rápido payback
Para suportar o crescimento, a companhia montou uma cozinha central capaz de padronizar insumos e reduzir custos de produção. Esse hub permitiu inaugurações sequenciais: ainda em 2021 surgiu uma dark kitchen no Tatuapé, seguida por um salão em Santana. Em 2022, foram abertas unidades nos Jardins e na Vila Mariana; 2023 marcou a conversão do Tatuapé para salão completo; e 2024 acrescentou o Morumbi ao mapa da rede.
O controle operacional rigoroso resultou em payback inferior a dez meses por loja, possibilitando expansão com capital próprio e sem recorrer a franquias. Ao manter todas as unidades sob gestão direta, a La Braciera sustenta padrões de qualidade considerados “inegociáveis” pelos sócios, que importam farinha e molho de tomate diretamente da Itália.
A estratégia de marca inclui campanhas com influenciadores, eventos temáticos como o Pizza Day Run e festas com DJs ligados ao Tomorrowland. O objetivo é transformar cada restaurante em ponto de experiência, reforçando o conceito de destino final para consumidores, inclusive visitantes de outros estados.
Imagem: Divulgação
Reconhecimento internacional e metas de interiorização
O desempenho chamou atenção além das fronteiras nacionais. Em 2024, a rede foi classificada como a 35ª melhor pizzaria do mundo pelo ranking 50 Top Pizza, apenas um ano após ocupar a 19ª posição. A plataforma TripAdvisor concedeu à marca duas vezes o selo Travellers Choice, ampliando visibilidade junto a turistas.
Com o faturamento de R$ 53 milhões em 2025 como base, a meta de R$ 75 milhões para 2026 depende da entrada em cidades do interior paulista com mais de 300 mil habitantes. Campinas, onde a empresa inaugurou operação em março de 2023, serve de modelo para validar o formato fora da capital. A partir de 2027, o plano prevê expansão para outros estados brasileiros.
Para sustentar o ritmo, a La Braciera avança na criação de uma escola corporativa voltada à onboarding e padronização de equipes. A formação interna pretende reduzir curva de aprendizagem, manter consistência de processos e suportar futuras inaugurações.
Conclusão técnica
A trajetória da La Braciera demonstra como aquisição oportunista, aliada a gestão estruturada e posicionamento premium, pode escalar um negócio de alimentação. Com 11 unidades ativas, reconhecimento global e payback inferior a um ano por loja, a rede prepara-se para consolidar presença no interior paulista em 2026 e iniciar movimento interestadual em 2027. A implementação de escola interna, manutenção de capital próprio e foco em qualidade de insumos constituem os pilares para sustentar a meta de R$ 75 milhões de faturamento anual sem recorrer a franquias ou aporte externo.




