LATAM Airlines Group confirmou que os voos LA 673 (Confins – Santiago) e LA 672 (Santiago – Confins) deixarão de operar diariamente em 1º de setembro de 2026, passando ao modelo sazonal concentrado entre a segunda quinzena de junho e a primeira quinzena de agosto, período de maior procura pelo destino chileno em função da temporada de inverno.
Ajustes operacionais e histórico da rota
Inaugurada em 2022 como parte da estratégia de expansão internacional da companhia, a ligação direta entre o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte–Confins (CNF) e o Aeroporto Internacional de Santiago (SCL) vinha sendo operada com aeronaves Airbus A320neo configuradas para 168 passageiros. De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a rota movimentou aproximadamente 110 mil viajantes em 2025, mas registrou taxa média de ocupação de 68 %, abaixo do limite de rentabilidade definido pelo grupo chileno-brasileiro.
A companhia atribui a mudança a fatores como a flutuação da demanda corporativa, o realinhamento de frota após a entrega de novos Boeing 787-9 para rotas de longo curso e a priorização de frequências partindo do Aeroporto Internacional de São Paulo–Guarulhos (GRU), principal hub da rede na América do Sul. Em nota, a empresa ressaltou que não se trata de encerramento definitivo, mas de “adequação sazonal para otimizar a rentabilidade e a eficiência operacional”.
Alternativas de conectividade para passageiros
Os bilhetes emitidos para datas posteriores a 1º de setembro serão automaticamente reacomodados em itinerários via São Paulo (GRU), Brasília (BSB) ou Porto Alegre (POA), dependendo da origem e do horário preferencial do passageiro. A transportadora informou que a proteção ocorrerá sem cobrança de diferença tarifária, conforme estabelece a Resolução ANAC 400/2016. Clientes que optarem por cancelar a viagem poderão solicitar reembolso involuntário integral, processado em até sete dias.
No caso de conexões em Guarulhos, os horários mais utilizados serão o LA 8012 (CNF–GRU) e o LA 750 (GRU–SCL), assegurando tempo mínimo de conexão de 90 minutos. Para Brasília, a combinação envolve o LA 3513 (CNF–BSB) seguido do LA 461 (BSB–SCL). Já para Porto Alegre, está prevista a utilização do LA 3175 (CNF–POA) com posterior embarque no LA 747 (POA–SCL), rota que estreou em março de 2026.
Os passageiros que acumulam pontos no programa LATAM Pass manterão as mesmas regras de pontuação e status, inclusive quando houver troca de voo ou reembolso, desde que a solicitação seja realizada em até 12 meses após a data original da viagem.
Imagem: explorar novos destinos e culturas
Impacto regional e perspectivas de mercado
O corte na malha regular representa redução de aproximadamente 1,8 mil assentos semanais na oferta internacional de Minas Gerais. Segundo a concessionária BH Airport, o Chile é o terceiro destino estrangeiro mais procurado a partir de Confins, atrás apenas de Portugal e Panamá. Autoridades locais estimam perda potencial de R$ 12 milhões em receitas turísticas anuais, valor que pode ser parcialmente compensado pelo aumento de voos em alta temporada.
Do ponto de vista competitivo, o movimento abre espaço para concorrentes que cogitam operar a rota em esquema “pop-up”, aproveitando picos de demanda. Em 2025, a chilena Sky Airline obteve autorização da Junta de Aeronáutica Civil do Chile para até quatro frequências semanais entre SCL e CNF, ainda sem data de início confirmada. Já a brasileira GOL Linhas Aéreas sinalizou preferência por ampliar códigos compartilhados com a Aerolineas Argentinas em Ezeiza, mantendo foco no Cone Sul via Buenos Aires.
Especialistas consultados pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) destacam que a sazonalização pode se tornar tendência à medida que as transportadoras buscam mitigar pressões de custo — como a alta do combustível, que representou 37 % das despesas operacionais do setor em 2025 — e maximizar a utilização de aeronaves em mercados de maior margem.
Conclusão Técnica
A reclassificação da linha Belo Horizonte–Santiago para o modelo sazonal reflete a necessidade da LATAM de ajustar capacidade à demanda, otimizar frota e proteger rentabilidade em um cenário de volatilidade cambial e custos elevados. A empresa preserva a conectividade dos passageiros por meio de hubs nacionais e mantém a opção de reativar voos regulares caso índices de ocupação voltem a crescer. Para o mercado mineiro, a medida reduz a oferta internacional contínua, mas pode estimular novos entrantes e parcerias interlines que compensem a lacuna durante o ano. Nos próximos ciclos de planejamento, a resposta da demanda durante os meses de inverno e a evolução da concorrência no Cone Sul serão determinantes para a retomada ou expansão definitiva da rota.




