Laudo médico indica instabilidade corporal e alteração pulmonar em Jair Bolsonaro; STF recebe nova atualização

Jair Bolsonaro apresentou instabilidade no equilíbrio corporal e uma alteração persistente na base do pulmão esquerdo, segundo laudo semanal entregue em 15 de setembro ao Supremo Tribunal Federal; o documento confirma episódios recentes de soluços, pressão arterial controlada e acompanhamento cotidiano durante a prisão domiciliar.

Detalhes clínicos do laudo encaminhado ao STF

O relatório, assinado por uma equipe multidisciplinar, descreve que o ex-presidente mantém “instabilidade postural” observada em avaliações de fisioterapia e exames de marcha. A condição, classificada pelos profissionais como “moderada”, exige suporte de barras de equilíbrio e exercícios proprioceptivos diários. No sistema respiratório, a equipe detectou “opacificação leve” na região inferior do pulmão esquerdo, sem febre ou sinais de infecção bacteriana ativa. Para conter inflamação e facilitar a expansão pulmonar, foi ajustada a terapia com broncodilatadores de curta duração associada a fisioterapia respiratória três vezes ao dia.

No mesmo documento, os médicos relatam pressão arterial média de 120/80 mmHg, saturação de oxigênio estável em 97% e temperatura corporal dentro do padrão. A queixa de soluços, recorrente desde março, reduziu-se após adequação de medicação procinética e controle dietético, embora ainda se observe frequência eventual ao longo da noite.

Quanto à analgesia, o laudo menciona uso de adesivos transdérmicos de opioide de baixa dosagem, trocados a cada 72 horas, além de anti-inflamatórios não esteroides para dor residual no ombro direito. Não há registro de reação adversa significativa, e os parâmetros hepáticos permanecem dentro da faixa de referência.

Histórico recente de internações e intervenções cirúrgicas

Em março de 2023, Bolsonaro permaneceu duas semanas internado em Brasília para tratar pneumonia associada a uma longa sequência de soluços. Na época, exames de tomografia revelaram infiltração pulmonar bilateral, tratada com antibióticos de amplo espectro e ventilação não invasiva intermitente. O episódio resultou na recomendação de monitoramento respiratório prolongado, mantido até o momento.

Já no início de maio de 2023, o ex-presidente foi submetido a cirurgia de artroscopia no ombro direito para correção de lesão do manguito rotador. O procedimento transcorreu sem intercorrências, mas determinou a necessidade de uso de tipoia por seis semanas e restrição de movimentos acima de 90 graus. Segundo o laudo mais recente, a ferida operatória encontra-se cicatrizada, sem sinais de deiscência ou infecção, e a amplitude articular está sendo recuperada gradualmente.

Nesse intervalo, a rotina de fisioterapia inclui fortalecimento de músculos estabilizadores da escápula, alongamentos passivos e exercícios isométricos, todos realizados sob supervisão presencial. A tolerância à dor é monitorada por escala visual analógica, cujos valores não ultrapassaram 3 de 10 nos últimos sete dias, de acordo com o registro de enfermagem.

Laudo médico indica instabilidade corporal e alteração pulmonar em Jair Bolsonaro; STF recebe nova atualização - Imagem do artigo original

Imagem: CarlosBolsaro

Contexto judicial e monitoramento domiciliar

Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. Em março de 2023, o ministro Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar humanitária por prazo inicial de 90 dias, fundamentando a decisão na condição clínica delicada do réu. Desde então, relatórios médicos são encaminhados semanalmente ao Supremo Tribunal Federal, servindo de subsídio para eventual prorrogação ou revisão do benefício.

A custódia é fiscalizada por oficiais da Polícia Federal, que acompanham a chegada diária da equipe de saúde. Segundo o documento protocolado nesta sexta-feira, não foram constatadas violações às medidas impostas, como proibição de contato não autorizado ou participação em eventos públicos. O circuito de câmeras internas fornece feed contínuo para a central de monitoramento, complementado por inspeções presenciais aleatórias.

O protocolo de medicação inclui anticoagulante profilático, vitaminas do complexo B e suplementação de vitamina D de 5 000 UI/dia. A dieta segue plano hipossódico e rico em fibras, visando controlar pressão arterial e facilitar peristaltismo, condição relevante para a redução dos soluços. Bebidas gasosas e alimentos de fermentação rápida foram excluídos do cardápio.

Conclusão técnica

O laudo de 15 de setembro confirma quadro estável, porém ainda dependente de suporte fisioterápico e vigilância respiratória contínua. A instabilidade corporal persiste, mas apresenta tendência de melhora sob protocolo de reabilitação motora. A alteração pulmonar, embora leve, mantém-se monitorada por tomografias mensais. A equipe médica recomenda manutenção da prisão domiciliar até o término do período pós-operatório do ombro e resolução completa dos episódios de soluços. Caberá ao STF avaliar, com base em relatórios subsequentes, a necessidade de prorrogação da medida humanitária ou eventual retorno do ex-presidente a estabelecimento prisional.