Nubank reportou lucro líquido de US$ 871 milhões no primeiro trimestre de 2026, avanço de 41% em 12 meses, mas abaixo do consenso de US$ 879 milhões; o ROE de 29% também decepcionou analistas e provocou queda de 9,74% nos papéis negociados na Nasdaq.
Resultados financeiros: lucro, rentabilidade e receita
A expansão do lucro para US$ 871 milhões no 1T26 confirma a trajetória de crescimento do banco digital, porém o número ficou 0,9% inferior à média projetada por analistas consultados pela Bloomberg. Na mesma linha, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 29%, abaixo dos 31% estimados pelo mercado. Ainda que represente acréscimo de 2 pontos percentuais em relação ao 1T25, o indicador recuou 4 p.p. na comparação com o último trimestre de 2025.
Com receita total de US$ 5,31 bilhões, o banco registrou alta de 42% em doze meses, sustentada, principalmente, pelo avanço da receita financeira líquida de juros (NII), que alcançou US$ 3,5 bilhões – recorde histórico e incremento de 12% no período anual. A margem financeira líquida ajustada ao risco (NIM) permaneceu em 9,5%, estável em base anual, mas cedeu 1 p.p. frente ao quarto trimestre de 2025.
Qualidade da carteira e provisões: inadimplência sob monitoramento
O índice de inadimplência acima de 90 dias encerrou o trimestre em 6,5%, leve aumento de 0,1 p.p. na comparação anual e queda de 0,1 p.p. na base sequencial. Já o indicador de atrasos entre 15 e 90 dias avançou para 5%, alta de 0,9 p.p. contra o 4T25 e de 0,2 p.p. ante o 1T25.
Como reflexo da maior exposição ao crédito, as despesas com provisão para perdas somaram US$ 1,79 bilhão, salto de 72% em relação ao mesmo período de 2025. O incremento no colchão contra calotes sinaliza postura conservadora para absorver possíveis deteriorações na carteira, mas pressiona a rentabilidade de curto prazo.
Expansão de crédito e base de clientes
A carteira de crédito total avançou 40% em 12 meses e 7% frente ao trimestre imediatamente anterior, totalizando US$ 37,2 bilhões. O portfólio de cartões de crédito liderou o crescimento, atingindo US$ 24,3 bilhões, enquanto a carteira sem garantia somou US$ 10 bilhões e as operações colateralizadas chegaram a US$ 3 bilhões.
Imagem: Internet
Em relação à base de usuários, o Nubank adicionou 4 milhões de clientes entre janeiro e março, elevando o total para 135,2 milhões globalmente. O Brasil concentra mais de 115 milhões de contas, consolidando o banco como a maior instituição financeira privada do país em número de clientes ativos. Nos mercados internacionais, o México alcançou 15 milhões de usuários e a Colômbia superou 5 milhões.
A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC) avançou 23% na comparação anual, para US$ 15,9, enquanto o custo médio de servir cada usuário subiu 19%, atingindo US$ 1. O ganho de eficiência operacional segue como pilar para a expansão sustentável da margem.
Reação do mercado e perspectivas
O balanço divulgado após o fechamento do pregão resultou em queda de 9,74% das ações NU no after-market da Nasdaq, refletindo a combinação de lucro levemente inferior ao previsto, menor ROE e pressão sobre provisões. Para investidores, o ponto de atenção permanece na capacidade do banco de equilibrar crescimento acelerado de crédito com manutenção dos níveis de inadimplência.
Nos próximos trimestres, a trajetória da inadimplência, a evolução do NII diante de ajustes na taxa de juros e o ritmo de expansão internacional serão variáveis determinantes para a performance financeira da companhia. A administração sustenta a estratégia de ganho de participação em segmentos de crédito de maior margem, mas o incremento das provisões indica prudência frente a um ambiente macroeconômico ainda desafiador.




