Lucros corporativos dispararam no primeiro trimestre de 2026, revelando que grupos tecnológicos norte-americanos e companhias listadas na B3 registraram avanços anuais de dois dígitos nos ganhos por ação, sinalizando uma disputa direta por atenção de investidores globais.
Escalada das big techs reforça retomada de apetite por risco
A temporada de balanços nos Estados Unidos encerrou–se com números robustos. Alphabet reportou receita de US$ 109,9 bilhões e elevação de 82 % no lucro por ação. Amazon apurou US$ 181,5 bilhões em vendas e crescimento de 75 % nos ganhos unitários. Mesmo os nomes com avanço mais contido, Apple e Microsoft, exibiram expansão em torno de +20 % ano contra ano. Esse desempenho superou em larga margem a média do S&P 500, que ficou em apenas um dígito médio. Analistas atribuem parte do resultado a efeitos pontuais — como ajustes fiscais e reduções de provisões —, mas o movimento reaqueceu o fluxo para ativos de risco, limitando a drenagem de liquidez que se desenhava no fim de 2025.
Fluxo de capital aponta rotação parcial para emergentes
Apesar do brilho das gigantes norte-americanas, a recomposição de expectativas também fomentou busca por diversificação. Fundos globais ampliaram posições em mercados emergentes, avaliando que cotações ainda descontadas oferecem retorno potencial superior nos próximos trimestres. O Brasil destaca-se como alternativa por reunir múltiplos atrativos, exposição a commodities, matriz energética limpa e balança comercial beneficiada pelo petróleo mais caro decorrente do conflito no Oriente Médio. Esse contexto reduz a percepção de risco sistêmico local e sustenta entradas líquidas de recursos para a bolsa paulista, mesmo com juros norte-americanos em patamar elevado.
Companhias nacionais replicam ritmo de expansão das gigantes globais
Levantamento com 12 ações brasileiras — entre compounders, pagadoras de dividendos e small caps — identificou avanços de +26,8 % a +46,8 % nos lucros do 1T26 frente ao mesmo período de 2025, em linha ou acima dos patamares exibidos por Apple e Microsoft. Os destaques incluem:
- Smart Fit (SMFT3): elevação de 46,8 % no lucro, respaldada por aumento de unidades e ganho de margem operacional.
- Localiza (RENT3): acréscimo de 45,1 %, impulsionado por demanda resiliente em mobilidade e gestão de frotas.
- Alpargatas (ALPA4): crescimento de 44,8 %, refletindo mix de produtos premium e controle de despesas.
- BTG Pactual (BPAC11): alta de 42,3 %, com receitas recordes em investment banking e gestão de ativos.
- Gerdau (GGBR4) e Prio (PRIO3): ambos acima de +33 %, beneficiados por preços firmes de aço e petróleo.
Múltiplos de valuation dessas companhias permanecem inferiores aos observados nas big techs, sugerindo espaço para reprecificação caso a trajetória de lucros se mantenha. Investidores institucionais monitoram especialmente yield de dividendos em B3 (B3SA3) e Direcional (DIRR3), cujos resultados sinalizaram potencial de distribuição robusta.
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Cenário macro interno reforça tese de valorização
A combinação de prêmio de risco atrativo e contexto geoenergético favorável fortalece a tese de alocação em ações brasileiras. O spread positivo entre Selic e inflação real sustenta a entrada de capitais em renda fixa, mas a expectativa de cortes graduais ao longo do segundo semestre pode realocar parte desses recursos para a renda variável. Além disso, a parceria comercial marcada pelo “romance” pragmático entre os governos de Brasil e Estados Unidos reduz incertezas diplomáticas, enquanto a agenda de transição para energia limpa preserva a competitividade do setor exportador nacional. Em paralelo, Lula e possíveis mudanças na política energética norte-americana ampliam o leque de oportunidades bilaterais.
Conclusão Técnica
Os resultados do 1T26 confirmam que a disparada de lucros das big techs não inibe o desempenho de empresas brasileiras; ao contrário, ambas as frentes atraem capital por fundamentos sólidos. Com múltiplos menos esticados, ações locais oferecem opcionalidade de incremento em preço caso a expansão de ganhos persista e o ciclo de juros internos inicie trajetória de queda. Para o investidor global, o fluxo deve manter-se dividido entre a segurança financeira de gigantes como Alphabet e o potencial de valorização de nomes como Smart Fit e Localiza. O próximo trimestre indicará se o ritmo extraordinário de crescimento de lucros se sustenta e se a rotação parcial para emergentes ganhará tração adicional.




