Lufthansa assume 90% da ITA Airways e acelera consolidação europeia

O Lufthansa Group anunciou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, a aquisição de mais 49% da ITA Airways por 325 milhões de euros, elevando sua fatia acionária de 41% para 90% e deixando o governo italiano com os 10% restantes.

Evolução da participação acionária e valor da transação

O movimento divulgado pelo conglomerado alemão adiciona 49 pontos percentuais ao capital já detido desde janeiro de 2025, quando a Lufthansa concluiu a compra inicial de 41% da companhia italiana. Com a nova injeção de capital, o investimento total do grupo na ITA atinge aproximadamente 925 milhões de euros, segundo fontes internas, somando o desembolso anterior de 600 milhões de euros à parcela recém‐anunciada.

De acordo com o CEO Carsten Spohr, a integração da empresa italiana ocorre em velocidade recorde dentro do portfólio do grupo, que já inclui Lufthansa, SWISS, Austrian Airlines e Brussels Airlines. A ITA tornou-se oficialmente a quinta companhia de rede do conglomerado logo após a primeira fase de compra, passando a compartilhar processos operacionais, políticas de frota e parâmetros de desempenho financeiro.

Processo regulatório: etapas e prazos previstos

A efetivação da nova estrutura societária ainda depende da anuência das autoridades antitruste da União Europeia e dos Estados Unidos. O grupo alemão trabalha com a estimativa de conclusão para o primeiro trimestre de 2027. Esse intervalo contempla análises de concorrência, verificação de impacto em rotas sensíveis e potenciais exigências de cessão de slots ou ajustes em acordos interline.

Internamente, a ITA Airways prepara‐se para reformular seu conselho de administração logo após o sinal verde regulatório. A representação estatal italiana permanecerá com 10% do capital, configurando participações minoritárias estratégicas semelhantes às vistas em outras ex‐estatais europeias do setor. Essa composição garante ao governo direito a um voto qualificado em decisões relativas à preservação de empregos, marca nacional e conectividade doméstica.

Estratégia de hub em Roma-Fiumicino e expansão de longo curso

O plano mestre da Lufthansa destaca o Aeroporto de Roma-Fiumicino como futuro hub de conexões entre Europa e América do Sul, além de complementar rotas transatlânticas já operadas via Frankfurt, Munique, Zurique, Viena e Bruxelas. A companhia prevê:

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  • Redistribuição de aeronaves widebody recém‐incorporadas à frota da ITA, incluindo modelos Airbus A330neo e A350‐900.
  • Ampliação de frequências para São Paulo, Buenos Aires, Lima e potenciais novos destinos como Bogotá e Santiago.
  • Sincronização de horários para permitir conexões abaixo de 90 minutos entre voos de curto e longo alcance.

Além do viés estratégico de malha, o hub romano visa capturar tráfego premium e turístico, segmentos que registram crescimento acima da média europeia. O grupo projeta incremento de 15% na receita unitária proveniente de voos intercontinentais operados a partir de Fiumicino até 2030.

Implicações para passageiros, parceiros e alianças

Os clientes já percebem mudanças graduais desde a primeira fase da aquisição. Entre os principais efeitos citados pelas companhias:

  • Oferta de voos ampliada: a combinação de malhas cria mais de 150 novas opções de conexão diária entre cidades italianas, europeias e destinos de longo curso.
  • Compartilhamento de códigos: acordos comerciais passam a cobrir 100% dos voos programados da ITA e da Lufthansa, facilitando reservas únicas e despacho de bagagem até o destino final.
  • Programas de fidelidade integrados: milhas acumuladas nos esquemas Miles & More e Volare tornam‐se intercambiáveis, aumentando possibilidades de resgate e status.
  • Alinhamento na Star Alliance: a consolidação reforça a posição da ITA na aliança global, melhorando acesso a salões VIP e serviços prioritários em mais de 1.300 aeroportos.

No âmbito corporativo, consultores de gestão de viagens indicam reduções de custos logísticos graças a tarifas empresariais negociadas de forma centralizada pelo grupo. Paralelamente, operadores de carga preveem ganhos de eficiência na utilização dos porões widebody, sobretudo em rotas para a América Latina.

Conclusão Técnica

Com a aquisição adicional de 49% da ITA Airways, o Lufthansa Group fortalece sua posição em um cenário europeu de intensas consolidações, consolida o hub de Roma-Fiumicino e amplia presença em mercados transatlânticos. A operação permanece condicionada às aprovações regulatórias esperadas até o primeiro trimestre de 2027; uma vez concluída, o conselho da ITA será reestruturado para refletir a nova composição acionária, enquanto processos de integração operacional, tecnológica e comercial seguirão avançando em ritmo acelerado. Até lá, passageiros e parceiros já se beneficiam da expansão de rotas, sinergias de programas de fidelidade e padronização de serviços dentro da Star Alliance, fatores que devem consolidar a companhia italiana como peça chave na malha global do grupo alemão.