Piloto da Core alvejado na cabeça por fuzil em 2025 morre no Rio após nove meses de internação

Felipe Marques Monteiro, piloto de helicóptero e policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), morreu neste domingo, 17 de agosto de 2026, em hospital da zona oeste do Rio de Janeiro, consequência de complicações clínicas surgidas meses após ter sido atingido por disparo de fuzil na cabeça durante operação na comunidade Vila Aliança, ocorrida em março de 2025. A informação foi confirmada pela família por meio de nota divulgada nas redes sociais.

Cronologia do confronto aéreo e dos primeiros atendimentos

O incidente aconteceu quando um helicóptero blindado da Core realizava apoio de fogo e reconhecimento aéreo a equipes em solo que cumpriam mandados de prisão contra suspeitos do tráfico local. Segundo relatório interno da Polícia Civil, ordens de disparo partiram de José Gonçalves Silva, o “Sabão”, identificado como chefe da facção atuante na região. De acordo com a investigação, tiros de fuzil modelo 7,62 mm atingiram a aeronave e perfuraram a blindagem lateral, alcançando o comandante.

Após o impacto, a tripulação executou pouso de emergência no Campo dos Afonsos. O oficial foi transferido em estado crítico para o Centro de Trauma do Hospital Estadual Alberto Torres, onde passou por duas craniotomias de emergência destinadas a conter hemorragia intracraniana e fragmentos metálicos alojados.

Evolução clínica: alta parcial, intercorrências e agravamento final

Os primeiros 90 dias de internação transcorreram em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neurológica, com ventilação mecânica contínua. Em dezembro de 2025, após progressão cognitiva e motora considerada satisfatória pelos médicos, o comandante recebeu alta para regime domiciliar supervisionado.

Durante o tratamento em casa, a equipe multiprofissional manteve sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e acompanhamento psiquiátrico para controle de quadro de traumatismo cranioencefálico grave. No entanto, em junho de 2026, exames laboratoriais indicaram infecção bacteriana sistêmica, provavelmente associada a ponto cirúrgico tardio, obrigando novo internamento.

Na última sexta-feira, 15 de agosto, boletim médico divulgado pela esposa, Keidna Marques, informou agravamento súbito: febre persistente, queda de saturação e necessidade de antibioticoterapia de amplo espectro. Apesar de protocolos de suporte e monitoramento hemodinâmico, houve falência de múltiplos órgãos, culminando no óbito pouco mais de 48 horas depois.

Responsabilização criminal e status das investigações

O inquérito conduzido pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) já havia imputado a José Gonçalves Silva os crimes de tentativa de homicídio qualificado, organização criminosa e disparo de arma de fogo contra aeronave. Com a morte do piloto, o Ministério Público Estadual deverá solicitar reclassificação para homicídio qualificado, acrescentando a qualificadora de recurso que impossibilitou defesa da vítima.

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Imagem: Felipe Marques

Relatórios balísticos anexados ao processo confirmam que o projétil retirado do crânio do comandante coincide com fuzil apreendido em operação posterior, reforçando a materialidade. A promotoria também sustenta que houve intenção direta de abater a aeronave, já que ordens para “derrubar o helicóptero” foram captadas em interceptações telefônicas legalmente autorizadas.

Impacto institucional e protocolos de segurança aérea

A morte de um piloto operacional reacendeu debate sobre blindagem de helicópteros policiais e padrões de risco nas incursões aéreas em áreas dominadas por facções. Dados da Secretaria de Estado da Polícia Civil indicam que, de 2020 a 2025, ocorreram 12 registros de disparos contra aeronaves estatais no Rio, resultando em 3 tripulantes feridos gravemente.

Especialistas em segurança defendem incremento de lâminas balísticas de cerâmica e reforço dos vidros de cockpit, além de rotas de voo variáveis e altitude mínima de 500 pés para reduzir vulnerabilidade. A corporação, por sua vez, informou que estuda a aquisição de modelos de asas rotativas com certificação Level III de proteção balística.

Conclusão técnica

A morte do comandante Felipe Marques Monteiro encerra um ciclo de 17 meses de assistência médico-hospitalar complexo, marcado por avanço inicial, complicações infecciosas e desfecho fatal. O caso segue agora para atualização do processo criminal, podendo resultar em novo indiciamento por homicídio qualificado. Paralelamente, a Polícia Civil analisa aprimoramentos logísticos e estruturais para mitigar riscos de novas ocorrências semelhantes em operações aéreas na capital fluminense.