Uma estudante da Universidade de Gênova abandonou, poucos minutos antes da submersão, uma expedição de mergulho no Atol de Vaavu, nas Maldivas, realizada em 14 de março. A desistência transformou-a na única sobrevivente de um grupo de seis italianos que pretendia explorar cavernas a cerca de 50 m de profundidade. O incidente resultou na morte de quatro pesquisadores ligados à universidade e de um instrutor profissional, além de vitimar, nas buscas, um militar maldivo.
Contexto da Expedição e Perfil das Vítimas
O grupo partiu a bordo do iate Duke of York rumo à ilha de Alimatha, ponto de partida para mergulhadores interessados nas formações calcárias subaquáticas do Atol de Vaavu. Entre os integrantes estavam:
- Monica Montefalcone – professora e pesquisadora de biologia marinha, referência em estudos de recifes do Mediterrâneo;
- Giorgia Sommacal – estudante de 20 anos e filha de Montefalcone;
- Muriel Oddenino – pesquisadora em biologia, com foco em ecossistemas costeiros;
- Federico Gualtieri – cientista marinho formado em biologia;
- Gianluca Benedetti – instrutor de mergulho certificado, gerente de operações da embarcação.
A expedição formava parte de um roteiro de imersões científicas que ocorria desde o início da semana. Relatos da tripulação indicam que as condições climáticas oscilaram entre ventos moderados e fortes, com visibilidade subaquática variável.
Dinâmica do Acidente Subaquático
Conforme o testemunho preliminar de mergulhadores de apoio, o grupo desceu em direção a uma caverna que se estende até aproximadamente 60 m abaixo da superfície. A combinação de correnteza lateral e espaço reduzido dificultou a orientação interna. Investigadores locais trabalham com a hipótese de que houve narcoses por nitrogênio ou deficiência de gás respiratório durante a progressão na cavidade.
Somente o corpo de Gianluca Benedetti foi localizado até agora, preso a estruturas rochosas em ponto de acesso complexo. Os demais permanecem em área onde a profundidade, próxima de 50 m, e a topografia irregular impõem limitações técnicas aos mergulhadores de resgate. A estudante que sobreviveu, cuja identidade permanece sob sigilo, é considerada peça-chave na reconstituição minuto a minuto do planejamento, das instruções recebidas e das decisões que antecederam a entrada na água.
Operação de Resgate e Riscos Enfrentados
A Força de Defesa Nacional das Maldivas mobilizou equipes especializadas em mergulho profundo no dia do acidente. Em 16 de março, durante uma tentativa de recuperação dos corpos, o sargento Mohamed Mahdhee apresentou sinais de doença descompressiva ao regressar à superfície. Ele foi retirado inconsciente, transportado a um hospital em Malé e não resistiu. A morte elevou o nível de criticidade da operação, classificando-a como uma das mais complexas já registradas no país para acidentes recreativos.
Imagem: Reprodução
Técnicos descrevem três fatores que agravam as buscas:
- Profundidade extrema para mergulho recreativo, exigindo misturas gasosas específicas;
- Ventos fortes e mar agitado, reduzindo janelas de segurança para descida;
- Ambientação cavernosa, com passagens estreitas que dificultam a remoção de vítimas e equipamentos.
Repercussão Acadêmica e Institucional
A Universidade de Gênova emitiu nota oficial lamentando a perda de quatro membros vinculados à instituição. A reitoria estabeleceu um comitê de apoio psicológico para alunos e docentes, e comunicou às famílias a disponibilidade de recursos logísticos para transladar os corpos assim que liberados.
No âmbito internacional, associações de mergulho científico reiteraram a necessidade de protocolos rigorosos para atividades em cavernas, recomendando que equipes interdisciplinares avaliem prognósticos meteorológicos e limiares de segurança individual antes de cada imersão.
Conclusão Técnica
A investigação conduzida pela Polícia das Maldivas, em parceria com peritos italianos, deverá incluir análise de computadores de mergulho, cilindros e registros de comunicação do Duke of York. O depoimento da única sobrevivente será fundamental para determinar se houve erro de planejamento, falha de equipamento ou circunstância ambiental atípica. A previsão é de que o relatório preliminar seja divulgado em até 30 dias, seguido por recomendações formais a operadores turísticos que atuam em pontos de mergulho de alta complexidade no arquipélago.




