Morte de surfista de 47 anos na Praia do Moçambique expõe riscos de correntes em Florianópolis

Um surfista de 47 anos não resistiu após se afogar na Praia do Moçambique, em Florianópolis, na tarde de sexta-feira (19), apesar de manobras de reanimação conduzidas por equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e do Batalhão de Operações Aéreas durante aproximadamente 30 minutos.

Cronologia da ocorrência e protocolos de socorro

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), o chamado foi registrado às 15h55. Guardas-vidas lotados no posto principal da praia sinalizaram a presença de uma vítima em estado crítico a cerca de 40 metros da faixa de areia. O primeiro contato visual ocorreu poucos minutos depois, permitindo a retirada rápida do banhista, já em parada cardiorrespiratória.

No solo, profissionais aplicaram reanimação cardiopulmonar (RCP) ininterrupta, ventilação assistida com oxigênio a 100% e procedimentos de desobstrução das vias aéreas. Às 16h10, a aeronave Arcanjo-01 pousou em frente ao posto, levando uma equipe médica habilitada para suporte avançado de vida. Medicamentos vasoativos foram administrados por via intravenosa, seguidos de novos ciclos de compressões e desfibrilação monitorada.

Apesar do esforço concentrado, o óbito foi declarado ainda na areia, às 16h25. A vítima portava prancha de fibra de 6 pés, indício de que foi surpreendida por corrente de retorno durante a prática de surf.

Características da Praia do Moçambique e fatores de risco

Com cerca de 8,5 quilômetros de extensão, a Praia do Moçambique é a mais longa de Florianópolis e faz parte do Parque Estadual do Rio Vermelho. O costão pouco protegido aliado à topografia submarina irregular favorece a formação de correntes de retorno (rip currents), capazes de arrastar banhistas para zonas mais profundas em poucos segundos.

De acordo com o Plano de Operações dos Bombeiros, o trecho central da praia apresenta média de 0,8 a 1,3 metro de vala durante maré enchente. Além disso, ventos predominantes de leste geram ondulação constante, atraindo praticantes de modalidades como shortboard e longboard. No entanto, a ausência de canal de fuga claramente visível dificulta a leitura do mar até mesmo por surfistas experientes.

Nos fins de semana de alta temporada, o efetivo de guarda-vidas chega a 24 profissionais distribuídos em cinco torres. Em dias úteis de outono, o contingente é reduzido para seis, o que amplia o tempo de resposta em toda a extensão arenosa.

Indicadores regionais de afogamento e estratégias preventivas

Dados consolidados pelo CBMSC apontam que, em 2023, o litoral catarinense registrou 142 ocorrências de afogamento com óbito. Desse total, 11 casos aconteceram em Florianópolis, sendo quatro especificamente na Praia do Moçambique. A estatística coloca o balneário entre os cinco pontos de maior criticidade do estado.

Especialistas recomendam a adoção de três medidas-chave para mitigar riscos:

  • Observação dos sinais de corrente antes da entrada na água, como variações de cor e ausência de ondas quebrando sobre determinada faixa.
  • Utilização de leashes reforçados e coletes de flutuação para atividades de longa permanência no mar.
  • Capacitação em Suporte Básico de Vida para praticantes de esportes aquáticos, aumentando a chance de resposta imediata em incidentes.

A Federação Catarinense de Surf planeja intensificar, a partir de maio, campanhas educativas em praias classificadas como de exposição extrema, distribuindo panfletos bilíngues e promovendo oficinas de leitura de mar voltadas a turistas.

Conclusão técnica

O caso reforça a necessidade de vigilância constante em áreas com dinâmica oceânica complexa, como a Praia do Moçambique. A combinação de valas profundas, correntes de retorno e efetivo reduzido fora da alta temporada amplia o potencial de incidentes graves. Órgãos de segurança sinalizam que novas torres móveis devem ser instaladas até o início do verão 2024/2025, enquanto treinamentos conjuntos entre CBMSC e entidades de surfistas permanecerão como pilar preventivo. Até lá, a orientação oficial permanece: respeitar a sinalização, buscar informações sobre as condições do mar e priorizar a prática esportiva em trechos vigiados.