MP denuncia trio por latrocínio e esquartejamento de corretora em Florianópolis

Três suspeitos foram denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina por latrocínio, ocultação de cadáver e corrupção de menor após a morte e esquartejamento da corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, crime ocorrido em março deste ano em Florianópolis.

Planejamento meticuloso e etapas da execução

De acordo com a denúncia protocolada em 22 de setembro, o crime foi estruturado em diferentes fases. O principal acusado, Matheus Silveira Leite, sua namorada e a empresária proprietária do residencial onde todos viviam, teriam definido funções específicas antes da ação.

Administração de sedativos: a namorada de Matheus, segundo o órgão acusador, preparou e ministrou substâncias para imobilizar a vítima e impedir qualquer resistência inicial.

Violência letal: a empresária, aproveitando-se do livre acesso ao apartamento da corretora no bairro Santinho, teria desferido as agressões fatais. Nesse momento, Matheus e sua companheira davam suporte logístico e vigiavam o entorno do imóvel.

Desmembramento e descarte: após a confirmação do óbito, Matheus teria realizado o esquartejamento, com auxílio das duas mulheres para transportar e ocultar partes do corpo em diferentes pontos do interior catarinense, principalmente na zona rural de Major Gercino, a cerca de 100 km da capital.

Roubo de bens e uso fraudulento dos dados da vítima

O Ministério Público sustenta que o trio se apropriou de eletrônicos, veículo, cartões bancários e dados pessoais de Luciani logo após a morte. Essas informações foram empregadas em compras virtuais nos dias subsequentes ao desaparecimento.

A retirada das mercadorias, segundo a investigação, foi realizada por um adolescente de 14 anos residente no mesmo condomínio. O menor teria sido coagido a buscar pacotes em agências de transporte, configurando corrupção de menor.

No curso da apuração, policiais localizaram notebook, documentos e objetos da vítima escondidos em um apartamento vazio do residencial, pertencente à empresária agora denunciada. As movimentações bancárias e o rastreamento dos dispositivos apontaram para o envolvimento direto dos três adultos.

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Imagem: Divulgação

Investigações, prisões e antecedentes dos envolvidos

O desaparecimento de Luciani foi comunicado à polícia em 9 de março, após familiares receberem mensagens com erros de grafia não condizentes com o padrão da corretora. Na mesma data, moradores de Major Gercino identificaram fragmentos de um corpo em um córrego local. A perícia confirmou, dias depois, tratar-se de Luciani.

Prisões efetuadas em 12 de março: a empresária foi detida em Florianópolis; Matheus e sua namorada, em Gravataí (RS). No momento da captura, Matheus usava identidade falsa e estava foragido por outro latrocínio ocorrido em 2022 em Laranjal Paulista (SP).

Relatórios periciais indicam que a vítima foi morta entre 4 e 5 de março dentro do próprio apartamento. O corpo permaneceu no local até a madrugada do dia 7, quando foi removido para desmembramento. A distribuição dos restos mortais em múltiplos pontos visava dificultar a localização e a vinculação do crime aos suspeitos.

Tramitação judicial e possíveis penas

A denúncia aguarda recebimento pelo Juízo competente da Capital. Após a formalização, o processo será distribuído a uma das Promotorias de Justiça Criminais de Florianópolis, convertendo os investigados em réus.

Caso condenados, os três poderão enfrentar penas de:

  • Latrocínio: reclusão de 20 a 30 anos;
  • Ocultação de cadáver: reclusão de 1 a 3 anos;
  • Corrupção de menor: reclusão de 1 a 4 anos.

Os prazos podem ser somados, dependendo da decisão judicial e de eventuais agravantes como concurso de pessoas, emprego de meio cruel e reincidência.

Conclusão Técnica: Com o protocolo da denúncia, o caso avança para fase processual. O Ministério Público sustenta provas materiais (perícias, registros de compra, câmeras de segurança e mensagens digitais) que articulam o planejamento, execução e posterior ocultação do crime. O Judiciário catarinense analisará a admissibilidade da acusação e, se acolhida, abrirá prazo para defesa prévia. Audiências de instrução deverão ser designadas ao longo dos próximos meses, quando testemunhas, réus e peritos prestarão depoimentos. A sentença de primeiro grau poderá ser proferida ainda em 2024, sujeita a recursos nas instâncias superiores.