Recorde histórico em Wall Street: Nasdaq supera 25 mil pontos após Irã sinalizar trégua

Nova York, 1º de maio de 2026 – Investidores nos Estados Unidos comemoraram nesta sexta-feira (1º) a primeira proposta formal do Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, enviada a Washington por intermédio do Paquistão. A expectativa de trégua impulsionou principalmente os papéis de tecnologia e levou o Nasdaq Composite a fechar pela primeira vez acima dos 25 mil pontos, enquanto o S&P 500 também renovou máxima histórica. O movimento ocorreu durante o feriado brasileiro, com a B3 fechada.

Alívio geopolítico anima Wall Street

Segundo autoridades paquistanesas, Teerã encaminhou uma versão revista de seu plano de paz ao governo norte-americano. A notícia reduziu a percepção de risco no mercado global, mesmo que o presidente Donald Trump tenha afirmado ainda não estar “satisfeito” com os termos. A simples abertura de diálogo foi suficiente para derrubar os preços do petróleo e estimular a procura por ações consideradas mais sensíveis a juros, como as de tecnologia.

No fim do pregão, o Nasdaq Composite avançou 0,89%, encerrando a 25.114,44 pontos – estreia oficial acima da barreira psicológica dos 25 mil. O S&P 500 subiu 0,29%, para 7.230,12 pontos. Já o Dow Jones Industrial Average recuou 0,31%, fechando a 49.499,27 pontos, pressionado pela correção nas gigantes de energia após a queda do barril.

Resultados corporativos: tecnologia em alta, energia em queda

A temporada de balanços continuou ditando ritmo aos índices. A Apple divulgou lucro trimestral acima do esperado e saltou 3,28%, reforçando o peso do setor na valorização do Nasdaq. A Atlassian surpreendeu o mercado com crescimento robusto nas áreas de nuvem e data center, disparando 29,58%.

Nem todas as novidades vieram positivas. A Roblox cortou projeções anuais, atribuindo a decisão a novos recursos de segurança voltados ao público infantil, e derreteu mais de 18%. No setor aéreo, a Spirit Airlines afundou 25% diante de rumores de descontinuidade das operações, ainda que Trump tenha sinalizado eventual socorro “se for do interesse dos EUA”.

Entre as empresas de petróleo, ExxonMobil caiu 1,02% e Chevron recuou 1,39%, refletindo tanto a fraqueza da commodity quanto margens mais apertadas apontadas nos relatórios trimestrais.

Semana positiva para Nasdaq e S&P; petróleo sente a trégua

No acumulado desta semana, o Nasdaq ganhou 1,12% e o S&P 500 avançou 0,91%. O Dow Jones, mais exposto a setores tradicionais, ficou com alta de 0,54%. A migração para ativos de crescimento reforça a percepção de que o mercado antecipa um cenário de inflação controlada e juros estáveis caso o conflito se resolva.

Com menor prêmio de risco geopolítico, o petróleo registrou forte correção: o WTI cedeu 2,98%, fechando a US$ 101,94, enquanto o Brent recuou 2,02%, para US$ 108,17. Ainda que a via diplomática tenha ganhado fôlego, permanece a preocupação com o fluxo no Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% da oferta global da commodity.

Crescimento dos EUA sustenta otimismo, apesar da inflação

Relatório preliminar do Departamento de Comércio confirmou que o PIB dos Estados Unidos cresceu 2,4% no primeiro trimestre, impulsionado por investimento empresarial em projetos ligados à inteligência artificial e pelo consumo das famílias. Analistas do banco Macquarie destacaram que a combinação de demanda forte e tensão no Oriente Médio manteve a inflação de serviços em patamar elevado, mas não o suficiente para alterar expectativas de juros para este ano.

O ING, por sua vez, avaliou que os investidores continuam “ignorando” o risco de estagnação embutido num choque potencialmente estagflacionário, sustentados pela resiliência dos lucros corporativos. A temporada de resultados, até agora, mostra quase 80% das empresas superando projeções de mercado.

Reflexos na América Latina e próximos passos

Na quinta-feira (30), antes do feriado, o Ibovespa havia subido 1,39%, aos 187.317,64 pontos, mas acumulou perda de 1,80% na semana. Com Wall Street em alta nesta sexta, analistas projetam que a B3 possa abrir em tom positivo na próxima segunda-feira, caso as conversas entre Teerã e Washington avancem durante o fim de semana.

Além da frente diplomática, os holofotes na próxima semana estarão voltados para a decisão de política monetária do Federal Reserve e para novos balanços de empresas de setores cíclicos. Qualquer sinal de escalada ou retrocesso nas negociações será monitorado de perto, sobretudo por seu potencial de alterar o preço do petróleo e, por consequência, as expectativas de inflação mundial.

Apesar do rali, operadores lembram que o cenário continua incerto. A liderança iraniana permanece fragmentada, segundo Trump, o que pode dificultar a consolidação de um pacto. Ao mesmo tempo, incidentes menores na região – como bloqueios de navios ou ataques pontuais – seguem capazes de reverter rapidamente o humor dos mercados.

Conclusão: A combinação de resultados corporativos robustos e sinais de distensão no conflito Irã-EUA conduziu o Nasdaq e o S&P 500 a novas máximas, enquanto o petróleo recuou e o Dow Jones sentiu pressão de empresas ligadas à energia. A trajetória dos próximos pregões dependerá do progresso diplomático no Oriente Médio e da continuidade do desempenho acima do esperado das companhias norte-americanas.