Negociações entre EUA e Irã fazem petróleo recuar quase 6% e mexem com Ibovespa e Petrobras

O preço do petróleo caiu perto de 6% nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, após avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã, movimento que aliviou temores de oferta e influenciou bolsas e câmbio em diversas regiões.

Impacto imediato nos contratos de referência

Logo na abertura, o barril do Brent para agosto recuou abaixo da barreira de US$ 100. Às 12h55 (horário de Brasília) era cotado a US$ 94,69, queda de 5,52%. O West Texas Intermediate (WTI) para julho acompanhou o movimento, negociado a US$ 90,93, baixa de 5,87%. Embora o recuo diário seja expressivo, a curva de longo prazo mantém valorização: em três meses o Brent ainda exibe alta de 33,59%; em seis meses, 51,49%; e em doze meses, 47,41%. No horizonte mais curto, entretanto, o mercado já precifica alívio — o contrato perde 11,94% em uma semana e 10,14% em um mês.

Contexto geopolítico e a rota do Estreito de Ormuz

A possibilidade de um Memorando de Entendimento para a Paz entre Washington e Teerã ganhou tração após declarações do presidente Donald Trump. Segundo o chefe do Executivo norte-americano, o Irã aceitou condições preliminares que incluem a reabertura do Estreito de Ormuz, corredor responsável pelo escoamento diário de cerca de 20% da produção global de petróleo. A rota estratégica permanece sujeita a bloqueios desde o agravamento das tensões no Oriente Médio em fevereiro.

Fontes do The New York Times acrescentaram que Teerã teria concordado em ceder seu estoque de urânio enriquecido, etapa decisiva para destravar sanções impostas por Washington. O secretário de Estado Marco Rubio classificou o avanço das conversas como “significativo”, embora tenha reforçado que o bloqueio seguirá em vigor até a assinatura formal do pacto.

Reação dos mercados globais

Com menor percepção de risco de oferta, investidores adotaram postura mais otimista. Na Europa, o índice Stoxx 600 avançou 1,76%, retomando níveis pré-tensão. As bolsas de Paris, Frankfurt e Milão subiram 1,76%, 2,03% e 1,43%, respectivamente. Em Wall Street, o feriado de Memorial Day manteve NYSE e Nasdaq fechadas, mas os futuros registraram ganho moderado.

Na Ásia, o Nikkei 225 atingiu novo recorde histórico ao avançar 2,87%. Xangai e Shenzhen subiram quase 1%, enquanto Taiwan teve alta de 3,26%. Mercados de Hong Kong e Seul não operaram por causa de feriados locais.

Efeito sobre o Ibovespa e ações de óleo e gás

No Brasil, a liquidez foi limitada pelos feriados nos principais centros financeiros globais, mas o Ibovespa acompanhou o clima externo e subia 0,44%, aos 176.999,30 pontos, às 12h43. O dólar comercial recuava 0,65%, negociado a R$ 5,00.

A retração da commodity pressionou companhias produtoras. As ações PETR3 e PETR4 recuavam 2,19% e 1,89%, cotadas a R$ 49,05 e R$ 43,63, respectivamente. A Prio (PRIO3), cuja receita é mais sensível ao preço do barril por concentrar 100% da produção em óleo bruto e adotar menor nível de proteção cambial, cedia 3,29%, a R$ 66,15. Outras petroleiras de menor capitalização acompanharam a tendência, refletindo revisão de expectativas de receita e fluxo de caixa.

Dinâmica das taxas de juros e inflação

Analistas monitoram o desdobramento do conflito no Oriente Médio devido ao seu impacto direto sobre cadeias logísticas e custos de energia. Um recuo prolongado do petróleo pode aliviar pressões inflacionárias e, por consequência, reduzir a inclinação de curvas de juros globais. Essa perspectiva ganhou força após a queda de hoje, contribuindo para o apetite por risco em bolsas europeias e emergentes.

Mesmo com o alívio intradiário, casas de análise ressaltam que a volatilidade da commodity segue elevada. Choques estruturais, como eventuais cortes de produção pela Opep+ ou interrupções não planejadas no Golfo Pérsico, continuam no radar e podem reverter a trajetória de baixa.

Conclusão Técnica

A queda de quase 6% nos preços do petróleo nesta sessão refletiu a combinação de progresso diplomático entre Estados Unidos e Irã e a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz. O movimento proporcionou alívio imediato às expectativas inflacionárias, sustentou ganhos moderados em bolsas globais e valorizou o real frente ao dólar, mas gerou pressão negativa sobre ações de petrolíferas brasileiras, notadamente Petrobras e Prio. Caso as negociações avancem até a assinatura de um acordo formal, o mercado tende a recalibrar projeções de oferta global, com potencial de manter o barril em patamares inferiores a US$ 100 no curto prazo. A volatilidade, entretanto, deverá persistir até que os termos sejam oficializados e as rotas de transporte no Golfo Pérsico sejam efetivamente normalizadas.