Operação Covil do Mamon: policiais militares do Amazonas são presos em Santa Catarina por agiotagem que movimentou R$ 24 milhões

Dois policiais militares lotados no Amazonas foram detidos na quarta-feira, 20 de março, em Porto Belo (SC) durante a Operação Covil do Mamon, ação interestadual que desmantelou esquemas de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro responsáveis por um fluxo ilícito estimado em R$ 24 milhões.

Núcleos criminosos, hierarquia e alcance financeiro

Informações da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) apontam que a investigação identificou dois núcleos organizados atuando de forma coordenada. Cada grupo mantinha estruturas operacional, financeira e mandatária próprias, dedicadas a ofertar empréstimos de pequenos valores com juros abusivos. Para garantir a recuperação das quantias, integrantes recorriam a homicídios consumados e tentados, tortura, sequestro e cárcere privado.

Levantamentos preliminares revelam que valores iniciais de R$ 150 se convertiam em dívidas superiores a R$ 45 mil, enquanto casos extremos atingiam R$ 400 mil. Até o momento, foram sequestrados 42 veículos, 7 imóveis e bloqueadas contas vinculadas a sete empresas suspeitas de atuar como fachada para a circulação dos recursos.

Operação interestadual e prisões simultâneas

A ofensiva contou com efetivos dos departamentos de Polícia Metropolitana, Inteligência da Polícia Civil e Polícia Técnico-Científica, além de suporte da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas e da Polícia Militar do Amazonas. O intercâmbio de dados entre as agências resultou na execução de 31 mandados de busca e apreensão em quatro unidades da federação: Amazonas, Paraíba, Roraima e Santa Catarina.

No total, 20 investigados foram capturados; sete em Manaus e 13 fora do estado. Entre eles, destacam-se os dois policiais militares localizados em Santa Catarina, identificados por inteligência eletrônica e monitoramento de deslocamento. Armas de fogo, espadas, computadores, celulares e mídias digitais foram apreendidos para perícia.

Ponto de partida das investigações e metodologias de intimidação

O inquérito teve início após o depoimento de uma mulher que relatou um possível caso de aborto. A apuração mostrou que a ocorrência estava ligada a pressões financeiras impostas pelos agiotas. Conforme o delegado Fernando Bezerra, vítimas relatam perda de imóveis e veículos, além de agressões físicas. Um dos episódios em análise envolve uma mulher atingida por três disparos que sobreviveu ao atentado.

Os acusados captavam clientes em situação de vulnerabilidade econômica, firmavam contratos informais e, após o atraso do pagamento, aplicavam lesões corporais ou ameaças diretas a familiares das vítimas. Parte da receita ilícita era dissimulada por meio de compra de bens de alto valor e constituição de empresas de fachada, configurando o crime de lavagem de dinheiro.

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Imagem: PCAM

Responsabilidade dos policiais militares e medidas administrativas

Segundo o major Andrey Oliveira, diretor de comunicação da PM-AM, os agentes detidos já respondiam a processos criminais e estavam afastados das funções operacionais. A corporação aguarda o desdobramento judicial para instaurar novo processo administrativo que pode culminar na exclusão definitiva dos quadros.

O comando da Polícia Militar enfatizou que a participação de servidores públicos potencializou a capacidade de coerção das quadrilhas, visto que as vítimas temiam represálias oficiais. A investigação também apura o eventual uso de equipamentos institucionais nas ações de cobrança.

Perspectivas legais e futuras fases da operação

Os indiciados responderão pelos crimes de extorsão, agiotagem, lavagem de dinheiro, organização criminosa, homicídio, tortura e sequestro. A soma das penas pode ultrapassar 30 anos de reclusão para cada envolvido, dependendo da individualização das condutas.

Autoridades não descartam nova etapa da operação focada em rastrear ativos financeiros em outros estados e no exterior, além de aprofundar a análise pericial dos dispositivos digitais apreendidos.

Conclusão Técnica

Com a neutralização dos principais núcleos da Operação Covil do Mamon, investigações prosseguem para localizar eventuais financiadores e colaboradores indiretos. Os bens sequestrados permanecem sob custódia judicial, e relatórios de inteligência financeira serão encaminhados ao Ministério Público para embasar futuras denúncias. Próximos passos incluem auditoria nos contratos de fachada, possível cooperação com órgãos federais de controle de ativos e tramitação dos processos disciplinares contra os policiais militares detidos.