A Petrobras anunciou investimentos de R$ 2,8 bilhões no Amazonas até 2030, concentrando R$ 2,5 bilhões no Polo Urucu, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a intenção de recomprar refinarias privatizadas, condicionando a operação a preços considerados adequados.
Pacote financeiro prioriza expansão do Polo Urucu
Durante cerimônia em 27 de maio de 2026, em Manaus, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, detalhou que R$ 2,5 bilhões serão destinados à perfuração de novos poços e à instalação de aproximadamente 40 quilômetros de linhas de conexão no Polo Urucu, situado em Coari (AM). A iniciativa compõe a estratégia corporativa de ampliar a produção de petróleo e gás natural na região Norte, alavancando reservas terrestres e consolidando a infraestrutura local.
Os R$ 303,5 milhões restantes financiarão a construção de 18 barcaças encomendadas pela Transpetro, subsidiária logística responsável pelo escoamento de combustíveis em grande parte do território brasileiro. Segundo a estatal, as embarcações integram o programa de renovação de frota Mar Aberto, que prevê a contratação de 96 unidades até 2030, totalizando R$ 34,8 bilhões em aportes.
Aumento de capacidade e segurança energética regional
Atualmente, o Polo Urucu registra produção de cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia. Com os novos poços, a Petrobras projeta incremento aproximado de 4,4 mil barris diários, elevação que representa ganho de 20 % frente ao patamar atual. Parte do volume adicional será convertida em gás natural, insumo responsável por 65 % da energia elétrica consumida em Manaus e em outros cinco municípios do Amazonas.
A estatal também divulga fornecimento diário de 80 mil botijões de GLP para toda a região Norte e parte do Nordeste. O plano prevê, ainda, parceria operacional com a Amazônica Energy a partir de 2028, contemplando o envio extra de 100 mil m³ de gás natural ao mercado regional, mitigando gargalos logísticos e assegurando estabilidade no suprimento.
No âmbito socioeconômico, a empresa mantém aproximadamente 14 mil empregos diretos e indiretos no estado, além de recolher R$ 1,5 bilhão em tributos e participações governamentais ao longo de 2025, posicionando-se como a maior contribuinte de ICMS do Amazonas.
Imagem: Agência Petrobras
Possível recompra de refinarias reacende debate sobre ativos estratégicos
Em discurso durante o mesmo evento, o presidente Luis Inácio Lula da Silva classificou a Petrobras como “instrumento de desenvolvimento econômico” e declarou intenção de recomprar refinarias alienadas pela companhia em ciclos anteriores de desinvestimentos. A operação, segundo ele, dependerá de “preço justo” para evitar prejuízo à estatal.
O posicionamento renova discussões em torno da política de preços de combustíveis e da participação estatal na cadeia de refino. Desde 2021, a Petrobras concluiu a venda de várias refinarias, reduzindo sua fatia no parque nacional de refino para cerca de 80 %. A reversão parcial dessa estratégia, caso concretizada, exigirá análise de valuation dos ativos, definição de fontes de financiamento e negociação junto a atuais controladores privados.
Embora o governo federal detenha 50,3 % das ações ordinárias da Petrobras, decisões de recompra precisarão respeitar governança corporativa, submetendo-se à aprovação do Conselho de Administração e a avaliações de risco financeiro, conforme regulamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Conclusão técnica
O anúncio de R$ 2,8 bilhões no Amazonas consolida o foco da Petrobras em ativos terrestres de elevado potencial e reforça a capacidade logística na região Norte. A perspectiva de elevação de produção em 20 % no Polo Urucu e a ampliação do abastecimento de gás natural apontam para incremento de receita e fortalecimento da segurança energética local. Em paralelo, a sinalização de recompra de refinarias adiciona incerteza regulatória e financeira de curto prazo, mas revela intenção governamental de retomar o controle sobre ativos estratégicos. Os próximos passos dependem da execução do capex planejado, da evolução das negociações com atuais proprietários de refinarias e da resposta do mercado às mudanças no portfólio da companhia.




