A Petrobras anunciou um pacote de R$ 37 bilhões em investimentos no estado de São Paulo até 2030, abrangendo refino, biorrefino, logística, exploração, produção e projetos de descarbonização, com a meta adicional de tornar o país autossuficiente em diesel no fim da próxima década.
Escala e destinos do investimento bilionário
O plano divulgado nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, detalha a aplicação de R$ 37 bilhões em iniciativas distribuídas por diversas fases da cadeia de petróleo e gás. De acordo com a estatal, cerca de 38 mil empregos diretos e indiretos devem ser gerados ao longo do cronograma que se estende até 2030.
A capital paulista concentra a maior fatia dos recursos em função da presença de ativos estratégicos. Entre eles, destacam-se:
• Replan (Refinaria de Paulínia) – principal unidade de processamento da companhia, responsável por mais de 30 % do abastecimento nacional.
• Infraestrutura logística – oleodutos, terminais e melhorias em rotas de distribuição para derivados e biocombustíveis.
• Projetos de exploração no pré-sal paulista, com foco em gás natural e óleo leve de alta qualidade.
Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, o direcionamento reforça a prioridade de ampliar a participação do refino doméstico, reduzir gargalos logísticos e avançar em tecnologias de baixo carbono.
Replan: ampliação de capacidade e impacto econômico
Dos R$ 37 bilhões, cerca de R$ 6 bilhões serão alocados na Refinaria de Paulínia (Replan). A unidade, que hoje processa 434 mil barris/dia, passará a operar com 459 mil barris/dia após a conclusão das obras de expansão e modernização.
O incremento projeta ganhos expressivos em volume de diesel, gasolina e querosene de aviação. Pelo faturamento anual, a Replan contribui com aproximadamente 1 % do Produto Interno Bruto brasileiro, indicador que deve se manter mesmo com a transição energética em curso.
Entre as intervenções previstas, destacam-se:
• Novas unidades de hidrotratamento para reduzir teor de enxofre.
• Adequações em sistemas de flare visando cortes de emissões.
• Integração digital de processos operacionais para elevar eficiência e segurança industrial.
Rota para o diesel autossuficiente e outras frentes estratégicas
Atualmente, a Petrobras responde por 75 % do fornecimento de diesel no mercado interno. O objetivo da administração é elevar essa marca para 85 % até 2030 e, na mesma data, alcançar autossuficiência plena. Para isso, o plano contempla:
Imagem: Internet
• Ampliação do parque de refino, sobretudo em Paulínia, Cubatão e Capuava.
• Co-processamento de óleo vegetal para produção de diesel R (com conteúdo renovável).
• Parcerias com fornecedores de matérias-primas de baixo carbono e integração de rotas logísticas.
Em paralelo, a estatal destinará recursos ao Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, para expansão da produção de gás natural, elemento chave para transição energética e para o equilíbrio da oferta de termelétricas.
Outro destaque é o bloco Aram, também no pré-sal da Bacia de Santos. A companhia planeja declarar a comercialidade da descoberta nos próximos meses, abrindo caminho para a perfuração de dois novos poços na área. A expectativa é aumentar reservas provadas e garantir fluxo de caixa para sustentar o portfólio de refino e energia renovável.
Contexto geopolítico e posicionamento institucional
Diante da volatilidade global de preços de combustíveis, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou durante a cerimônia que o Brasil pratica atualmente um dos menores valores internacionais de diesel e gasolina. O chefe do Executivo também reiterou oposição à privatização da Petrobras e defendeu a continuidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, especialmente na Margem Equatorial.
Os planos de exploração nessa região receberam autorização de licenciamento do Ibama para campanhas sísmicas e perfuração exploratória. O governo federal argumenta que a atividade será conduzida sob rigor socioambiental e reforçará a soberania energética.
Esses movimentos ocorrem em paralelo a iniciativas de descarbonização, como:
• Produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel) com até 5 % de conteúdo renovável já no próximo ano.
• Estudos de captura e armazenamento de carbono (CCS) em reservatórios esgotados.
• Modernização de terminais marítimos para reduzir tempo de atracação e emissões.
Conclusão técnica
Com o anúncio, a Petrobras consolida um ciclo de investimentos robusto em São Paulo, focado na expansão da capacidade de refino, no avanço do gás natural do pré-sal e na integração de soluções de menor intensidade de carbono. O pacote de R$ 37 bilhões até 2030 prevê aumento de oferta de combustíveis, geração de empregos e fortalecimento da infraestrutura logística, sustentando a meta institucional de autossuficiência em diesel. A execução destas frentes será monitorada pelo mercado, que aguarda os resultados das perfurações no bloco Aram e a efetivação das unidades de co-processamento de biorrefino para avaliar o cumprimento dos prazos divulgados.




