Petrobras reporta lucro de R$ 32,6 bi no 1T26 e aprova R$ 9 bi em dividendos impulsionada pela alta do Brent

Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,663 bilhões no primeiro trimestre de 2026, superando as projeções de mercado e anunciando distribuição de R$ 9,03 bilhões em dividendos, movimento sustentado pela valorização de 26,6 % do Brent e pela expansão de 3,7 % na produção de óleo e gás.

Desempenho financeiro do 1T26

A estatal Petrobras apresentou avanço de 109,9 % no lucro líquido frente ao quarto trimestre de 2025, enquanto, na comparação anual, houve recuo de 7,2 %. A receita com vendas totalizou R$ 123,686 bilhões, variação positiva de 0,4 % em doze meses, mas queda de 2,9 % ante o trimestre imediatamente anterior. O consenso compilado pela Bloomberg previa lucro de R$ 30,684 bilhões e receita de R$ 60,215 bilhões.

O Ebitda ajustado alcançou R$ 59,643 bilhões, redução de 2,4 % ano a ano e de 0,5 % trimestre a trimestre. Já a dívida líquida situou-se em US$ 62,093 bilhões, avanço de 10,8 % em doze meses. Investimentos (capex) somaram US$ 5,107 bilhões, incremento de 25,6 % em base anual.

Segundo o diretor financeiro Fernando Melgarejo, “os investimentos estão se convertendo em crescimento da produção”, indicando que o capex mantém foco em ativos de maior rentabilidade, sobretudo no pré-sal.

Fatores operacionais e de mercado

O preço médio do petróleo tipo Brent ficou em US$ 80,61 por barril, refletindo a escalada geopolítica no Oriente Médio no fim de fevereiro. Esse patamar representou alta de 26,6 % em relação ao 4T25 e de 6,5 % frente ao 1T25. Contudo, a própria companhia observou que o repasse integral dessa valorização será percebido apenas nas exportações do segundo trimestre.

Em termos operacionais, a produção total de óleo e gás cresceu 3,7 % na comparação trimestral, impulsionada por novos sistemas de produção no pré-sal da Bacia de Santos. A apreciação do real frente ao dólar também colaborou para a melhoria de margens, reduzindo o impacto das despesas financeiras denominadas em moeda estrangeira.

Analistas de mercado destacam que, apesar do aumento da dívida líquida, o indicador permanece dentro da meta definida pela governança corporativa da estatal, que estabelece teto de US$ 65 bilhões. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda ajustado, manteve-se em patamar confortável, abaixo de 1,0 x.

Política de dividendos e cronograma de pagamentos

Paralelamente ao balanço, o conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em proventos referentes ao 1T26, equivalentes a R$ 0,70097272 por ação. O pagamento será efetuado integralmente sob a forma de Juros sobre Capital Próprio (JCP) em duas parcelas:

20 de agosto de 2026: primeira parcela de R$ 0,35048636 por ação;
21 de setembro de 2026: segunda parcela de R$ 0,35048636 por ação.

A data de corte na B3 foi fixada para 1º de julho de 2026. A partir de 2 de julho, os papéis serão negociados “ex-direitos”. Para os ADRs listados na New York Stock Exchange, o corte será em 3 de junho, com pagamentos em 27 de agosto e 28 de setembro, respectivamente.

Os valores distribuídos serão deduzidos da remuneração global aos acionistas a ser deliberada na Assembleia Geral Ordinária de 2027, corrigidos pela taxa Selic até o encerramento do exercício social de 2026.

Perspectivas para o próximo trimestre

A companhia projeta que o impacto pleno da cotação do Brent próxima de US$ 100 por barril começará a aparecer nas receitas do 2T26, juntamente com o efeito de ramp-up de plataformas recém-instaladas. O plano estratégico vigente prevê manutenção do capex anual acima de US$ 16 bilhões, com ênfase em exploração no pré-sal e descarbonização de operações.

Conclusão técnica: Os resultados do 1T26 demonstram robustez operacional, sustentada pelo ganho de produção e pela recuperação dos preços do petróleo. A distribuição de proventos permanece alinhada à política de remuneração da estatal e reforça a atratividade do fluxo de caixa. Para os próximos trimestres, espera-se ampliação das receitas de exportação e continuidade do ciclo de investimentos, fatores que deverão manter a solidez financeira mesmo diante de oscilações cambiais e de mercado.