Introdução
Cinco integrantes de uma organização criminosa investigada por fraudes eletrônicas em todo o país foram presos nesta terça-feira (16) durante a Operação Fortaleza, deflagrada pela Polícia Civil de Santa Catarina com apoio da Polícia Civil do Ceará e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O grupo é acusado de aplicar o golpe do falso advogado, modalidade que simula serviços jurídicos para obter pagamentos indevidos.
Investigação teve início em Joinville e revelou alcance nacional
A apuração começou há dois anos na 6ª Delegacia de Polícia Civil de Pirabeiraba, distrito de Joinville, Norte de Santa Catarina. Conforme relatou o delegado Rodrigo Bueno Gusso, o inquérito evoluiu a partir de denúncias locais até expor uma rede articulada que, segundo os investigadores, atuava em vários estados brasileiros. O cruzamento de dados telemáticos, registros bancários e depoimentos de vítimas indicou transações suspeitas que ultrapassavam fronteiras estaduais, justificando o envolvimento do Ministério da Justiça e Segurança Pública para coordenação interestadual.
A estrutura da quadrilha incluía núcleos especializados em captação de dados pessoais, contato inicial, intermediação financeira e lavagem de recursos. Relatórios bancários citados no processo apontam movimentações fracionadas superiores a R$ 2 milhões no período analisado, distribuídas em contas de laranjas e empresas de fachada sediadas no Ceará.
Modus operandi: falsa assessoria jurídica para liberar valores judiciais
O golpe do falso advogado caracteriza-se pelo contato telefônico ou digital em que o estelionatário se apresenta como representante de escritórios de advocacia ou defensor público. A quadrilha utilizava bases de dados vazadas para selecionar alvos que tinham ações judiciais em andamento ou histórico de benefícios previdenciários. Em seguida, enviava documentos forjados, com timbres de tribunais e assinaturas digitalizadas, solicitando o pagamento de taxas administrativas ou depósitos de custas para suposta liberação de créditos.
As correspondências eletrônicas exibiam números de processo reais para conferir verossimilhança. Quando a vítima efetuava a transferência, os valores eram imediatamente fracionados entre contas vinculadas a terceiros, prática conhecida como smurfing. De acordo com o laudo pericial, cada vítima perdia em média R$ 8 mil, variando conforme a complexidade do suposto processo.
Detalhes da Operação Fortaleza e prisões efetuadas
A ofensiva policial mobilizou 60 agentes nos municípios cearenses de Fortaleza, Caucaia e Maracanaú. Foram cumpridos 15 mandados judiciais, resultando na apreensão de computadores, smartphones, certificados digitais, carimbos falsificados e comprovantes bancários. Entre os detidos estão dois suspeitos com antecedentes por crimes cibernéticos e um contador apontado como responsável pela abertura de empresas utilizadas para ocultar recursos.
Imagem: Divulgação
Durante o cumprimento das ordens de busca, peritos localizaram planilhas que relacionavam mais de 1,2 mil potenciais vítimas em 14 unidades da Federação, inclusive Santa Catarina, Paraná e São Paulo. A partir desse material, a polícia pretende ampliar o rastreamento financeiro e identificar eventuais coniventes em instituições bancárias.
Os presos responderão pelos crimes de organização criminosa (Lei 12.850/2013), estelionato eletrônico (art. 171, §2º-A do Código Penal) e lavagem de dinheiro (Lei 9.613/1998). As penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão. Todos foram encaminhados à Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, na Região Metropolitana de Fortaleza, onde permanecem à disposição da Justiça catarinense por meio de carta precatória.
Conclusão Técnica
Com a prisão dos cinco principais suspeitos, a Operação Fortaleza atinge a fase de análise de provas digitais e cooperação bancária para bloqueio de ativos. A Polícia Civil de Santa Catarina mantém aberto o canal de denúncias para localizar vítimas que ainda não registraram boletim de ocorrência. Novas diligências estão previstas, e não se descarta a expedição de mandados adicionais, sobretudo contra intermediários financeiros. O caso segue sob sigilo parcial até a conclusão do laudo pericial completo e remessa do relatório final ao Ministério Público, que decidirá sobre futuras denúncias criminais.




