A Rede D’Or teve seu preço-alvo reduzido de R$ 44 para R$ 42 pelo Bradesco BBI após a divulgação do balanço do 1T26; ainda assim, o banco reiterou recomendação de compra, sustentando a tese de que a companhia continua entre os ativos de maior qualidade da bolsa brasileira, com potencial de valorização de aproximadamente 23% até o fim de 2026.
Revisão de estimativas: novos números para receita, margem e lucro
O Bradesco BBI reavaliou as premissas de crescimento da Rede D’Or São Luiz S.A. (RDOR3) após analisar o desempenho do primeiro trimestre de 2026. O ajuste contemplou três frentes principais:
- Lucro líquido ajustado: projeção passa a R$ 4,8 bilhões para 2026 (−8%) e R$ 5,8 bilhões para 2027 (−6%).
- Margem Ebitda hospitalar: expectativa de 24,6% em 2026, ante número superior considerado anteriormente.
- Preço-alvo: recuo de R$ 44 para R$ 42, refletindo menor aceleração operacional e cenário financeiro mais restritivo.
Segundo o relatório, a combinação de juros elevados por período prolongado, pressão de custos e maior alíquota efetiva de imposto (24%) motivou a postura mais conservadora. O banco também elevou a projeção de despesas financeiras líquidas, consequência direta de endividamento e taxa básica elevada.
Destaque hospitalar segue sólido, mas em ritmo moderado
A divisão hospitalar — núcleo estratégico da Rede D’Or — continua projetando expansão, ainda que em velocidade inferior à estimada no ano anterior. O Bradesco BBI vê crescimento orgânico sustentado pelo andamento de projetos greenfield e integração de aquisições, mas aponta fatores que limitam a captura imediata de margem:
- Inflação médica acima do índice geral de preços, pressionando insumos e folha de pagamento.
- Negociação com operadoras de planos de saúde, que buscam repassar parte do aumento de sinistros aos prestadores.
- Capex contínuo destinado à expansão de leitos e atualização tecnológica, elevando amortizações futuras.
Mesmo com essas restrições, o banco calcula retorno sobre o capital investido (ROIC) ainda superior ao custo médio ponderado de capital (WACC), justificando a recomendação de compra.
Operação de seguros (SulAmérica) cria assimetria positiva
A aquisição da SulAmérica S.A. permanece como vetor de valor pouco precificado, de acordo com os analistas. A estimativa de queda de 1,2 p.p. na sinistralidade para 78,3% em 2026 pode liberar até R$ 200 milhões ao lucro no período. O colchão de provisões IBNR acima da média histórica em 2025 cria espaço para reversões, caso o índice de Medical Loss Ratio (MLR) evolua de forma benigna.
Imagem: Internet
Além do potencial financeiro, a vertical de seguros amplia o ecossistema de dados da companhia, possibilitando gerenciamento mais eficiente do custo assistencial e desenho de produtos integrados aos hospitais e clínicas oncológicas do grupo. Essa sinergia operacional sustenta a tese de crescimento estrutural, mesmo diante de ambiente macroeconômico adverso.
Movimento do mercado: reação das ações e contexto setorial
Na sessão de 20 de maio, RDOR3 subia 3,61%, cotada a R$ 35,33, recuperando parte das perdas acumuladas de quase 14% em 2026. O desempenho ocorre em meio a:
- Expectativa de flexibilização monetária gradual, fator que tende a reduzir o peso das despesas financeiras da companhia.
- Busca por ativos defensivos no setor de saúde, tradicionalmente resiliente a ciclos econômicos.
- Correção recente do valuation, que tornou o múltiplo preço/lucro projetado para 2026 mais alinhado à média histórica.
Apesar da concorrência crescente em grandes praças, a Rede D’Or detém 82 hospitais distribuídos em regiões metropolitanas estratégicas, com market share relevante em procedimentos de alta complexidade. A escala confere poder de barganha na contratação de corpo clínico e aquisição de materiais, mitigando parte da pressão inflacionária.
Conclusão técnica
A revisão do Bradesco BBI sinaliza ajuste de expectativas, não ruptura de fundamento. O recálculo de margens, despesas financeiras e alíquota tributária incorpora variáveis macroeconômicas atuais, mas preserva a leitura de que Rede D’Or segue posicionada para capturar crescimento orgânico e sinérgico via SulAmérica. O preço-alvo atualizado implica potencial de valorização de 23% em relação à cotação de R$ 34,15 registrada em 19 de maio, balizando a recomendação de compra. Próximos gatilhos de curto prazo incluem divulgação do resultado do 2T26, atualização do guidancel e evolução da sinistralidade na vertical de seguros. Investidores monitoram ainda o cronograma de inaugurações hospitalares e eventuais revisões na trajetória da taxa Selic, fatores que podem redefinir as projeções de lucro e fluxo de caixa ao longo do ano.




