Romário cobrou publicamente o técnico Carlo Ancelotti para escalar Endrick como titular da Seleção Brasileira após o empate de 1 × 1 diante do Marrocos, em amistoso disputado no último fim de semana, alegando falta de produtividade ofensiva e necessidade de atitude imediata antes da preparação para a Copa do Mundo de 2026.
Contexto da cobrança pós-empate com Marrocos
No amistoso realizado em Orlando, nos Estados Unidos, a equipe brasileira criou apenas três finalizações acertadas em direção ao gol adversário. Vini Jr. foi o único atacante a concluir dentro da área, enquanto o setor formado por Rodrygo e Matheus Cunha não registrou participações diretas em finalizações. De acordo com o relatório estatístico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Seleção terminou o jogo com 52 % de posse de bola, mas apenas 0,68 no índice de expected goals (xG).
Diante desse cenário, Romário afirmou em transmissão na “Romário TV” que, “depois do que aconteceu, tenho certeza de que há vaga para Endrick”. A declaração foi exibida 24 horas após a coletiva em que o técnico italiano evitou confirmar mudanças no ataque.
Diferenças entre a visão de Romário e o discurso de Ronaldo Nazário
Enquanto Romário sustenta a necessidade de alteração imediata, Ronaldo — bicampeão mundial em 1994 e 2002 — adotou postura oposta. Durante participação em evento corporativo, o ex-centroavante aconselhou “calma” e defendeu que Ancelotti conduza a transição de Endrick de forma gradual. Para Ronaldo, a precocidade do atleta de 17 anos exige monitoramento cuidadoso a fim de evitar sobrecarga física ou psicológica.
A divergência tem origem em experiências distintas nos ciclos de Mundiais: Ronaldo foi introduzido à Seleção com 17 anos em 1994, porém atuou apenas como suplente; Romário, por sua vez, tornou-se protagonista já nas Eliminatórias para 1990 e conquistou o título de 1994 como principal referência ofensiva. Ambos, contudo, concordam quanto ao alto potencial técnico de Endrick, artilheiro do Campeonato Brasileiro Sub-20 em 2022 com 8 gols em 7 partidas.
Situação de Endrick no elenco e critérios de Ancelotti
Endrick acumula 5 convocações e 2 gols pela Seleção principal. Segundo dados do Palmeiras, o atacante marcou 14 gols em 53 jogos oficiais pelo clube desde a estreia profissional, mantendo média de 0,26 gol por partida. Na Seleção, sua minutagem totaliza 94 minutos, sem início como titular.
Ancelotti, que assumiu o comando em janeiro, vem priorizando Matheus Cunha como centroavante em função de movimentação sem bola e recomposição defensiva, componentes valorizados pelo treinador. O italiano citou na entrevista pós-jogo que Endrick “traz profundidade, mas ainda está se adaptando à intensidade física do futebol europeu”, antecipando que a comissão analisará dados de GPS e relatórios médicos antes de definir a escalação contra o Haiti, partida marcada para 18 de abril, em Miami.
Imagem: Divulgação
Rendimento ofensivo e questionamentos de comprometimento
Romário não limitou sua análise à performance técnica. O ex-atacante mencionou “compromisso” e “atitude” como ausentes no atual grupo. A observação encontra eco em estatísticas comportamentais divulgadas pela CBF, que apontam queda de 11 % nas ações de alta intensidade (acima de 24 km/h) em comparação às Eliminatórias de 2022, refletindo possível déficit de entrega em campo.
A Seleção encerrou o amistoso com 14 desarmes certos, número inferior à média de 19 registrada nos últimos cinco jogos. Para Romário, esses indicadores reforçam a urgência de mudanças não apenas táticas, mas também de postura.
Perspectivas para os próximos compromissos rumo a 2026
A agenda da Seleção prevê dois amistosos em junho, contra Estados Unidos e México, e a retomada das Eliminatórias Sul-Americanas em setembro, enfrentando Argentina e Peru. Até lá, o departamento de desempenho pretende concluir a análise de 24 sessões de treinamento e integrar Endrick em ao menos 180 minutos de jogo, conforme projeção interna divulgada à imprensa.
Conclusão Técnica: As declarações de Romário ampliam a pressão sobre Carlo Ancelotti para acelerar a transição de Endrick ao time titular, destacando rendimento ofensivo insuficiente e lacunas de comprometimento identificadas no empate contra Marrocos. A decisão final dependerá da avaliação física do atleta, dos testes táticos nos treinos em Miami e da estratégia da comissão técnica para os amistosos de abril. Caso os indicadores de desempenho mostrem evolução, a tendência é que Endrick ganhe minutos significativos antes das Eliminatórias, consolidando-se como opção primária no ciclo até a Copa do Mundo de 2026.




