Relatório do Santander projeta alta de até 42% para as ações da BradSaúde (SAUD3), impulsionada por sinergias operacionais, expansão hospitalar e elevação do payout de dividendos de 50% em 2026 para cerca de 85% em 2036.
Consolidação de três frentes cria um ecossistema de 70 milhões de clientes
A recém-listada BradSaúde resulta da união de Odontoprev, Bradesco Saúde e Atlântica Hospitais. Esse movimento concentra, em uma mesma estrutura, planos odontológicos, planos de saúde, hospitais próprios e participações em redes de diagnósticos. Segundo a administração, a companhia nasce atendendo aproximadamente 70 milhões de beneficiários, posição que a coloca entre os maiores ecossistemas de saúde privada do país.
No 1º trimestre de 2026, o grupo registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão e ROE de 24,8%, indicadores que fornecem base para a recomendação de compra do Santander. Para o banco, a diversificação de receitas e a força da marca herdada do Bradesco ampliam o mercado endereçável para segmentos premium nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro.
O relatório destaca também a governança: a transição manteve executivos das três origens, com Carlos Marinelli — ex-CEO da Odontoprev — à frente da operação consolidada. A composição do conselho, afirma o banco, reforça experiência setorial e disciplina de capital, elementos considerados determinantes para capturar sinergias.
Projeções financeiras indicam payout de até 85% em uma década
O ponto central do estudo do Santander é a trajetória de distribuição de proventos. A estimativa parte de um payout de 50% do lucro em 2026, saltando paulatinamente até aproximadamente 85% em 2036. Essa curva, argumenta o banco, decorre de três fatores principais:
- Geração de caixa robusta nas divisões consolidadas, com margem operacional acima da média setorial.
- Baixa alavancagem, permitindo remunerar o acionista sem comprometer investimentos estratégicos.
- Ganhos de escala nos hospitais próprios e participações em terceiros, reduzindo custos médicos ao longo do tempo.
Para 2026, a receita projetada da divisão de planos de saúde — legado do Bradesco — chega a R$ 45 bilhões, com cerca de 3,4 milhões de membros. Esse braço responde hoje por 90% da rentabilidade do grupo, mas o Santander vê espaço para expansão relevante na vertical hospitalar. A participação dos hospitais no lucro líquido deve passar de 7% em 2026 para 13% até 2031, apoiada em parcerias com Rede D’Or, Mater Dei, Grupo Santa e Einstein.
No horizonte 2025-2030, o banco calcula crescimento médio de 10% ao ano no lucro por ação. Mesmo com essa expectativa, BradSaúde negocia a múltiplos considerados descontados: 9 × preço/lucro para 2026 e 8,6 × para 2027, níveis que o relatório classifica como baixos frente à qualidade dos ativos.
Imagem: Internet
Avaliação de mercado sustenta preço-alvo de R$ 18,30
O Santander estabeleceu preço-alvo de R$ 18,30 para SAUD3 em 12 meses, implicando potencial de valorização de cerca de 42% sobre a cotação de referência utilizada no estudo. A metodologia combina fluxo de caixa descontado, múltiplos comparáveis de operadoras de saúde listadas e valor de mercado por leito hospitalar.
Entre os riscos monitorados, o banco cita: i) pressão de custos médicos acima da inflação; ii) competição acirrada no segmento premium; iii) eventual redução de incentivos fiscais ao setor de saúde suplementar. Apesar disso, a conclusão é que a tese de crescimento — alavancada por ativos hospitalares e escala comercial — sobrepõe eventuais pressões de curto prazo.
Do ponto de vista institucional, a empresa mantém rating de governança corporativa nível 2 na B3, reforçando transparência e direitos dos acionistas minoritários. Esse atributo, segundo o relatório, favorece o acesso a capital a custos competitivos, aspecto relevante para viabilizar novas aquisições ou expansões de infraestrutura.
Conclusão técnica
Com indicadores operacionais já acima da média do setor, múltiplos atrativos e projeção de payout crescente até 85% em 2036, BradSaúde surge, na visão do Santander, como um dos casos mais promissores na interseção entre saúde e mercado de capitais. A consolidação de três negócios maduros, aliada à estratégia de ampliar presença hospitalar, sustenta estimativa de 42% de upside no curto prazo. Enquanto executivos avançam na integração das operações e no controle de custos médicos, investidores monitoram a materialização das sinergias e a trajetória de dividendos, elementos que devem balizar o desempenho de SAUD3 nos próximos ciclos de resultados.




