Santander suspendeu a emissão de cartões American Express para novos solicitantes em 29 de maio de 2026, após confirmar à imprensa que a parceria comercial está, por tempo indeterminado, fora do portfólio de ofertas disponíveis; clientes que já detêm o produto continuam operando normalmente, enquanto a instituição evita indicar prazo ou motivação para eventual retomada.
Histórico da colaboração e contexto competitivo
O acordo entre Santander e American Express, firmado em 2012, posicionou o banco como um dos principais emissores da bandeira no Brasil, sobretudo nos segmentos Platinum e Gold, voltados a consumidores de alta renda. À época, o movimento reforçou a estratégia de captura de clientes premium, diversificando receitas através de anuidades, intercâmbio de transações e programas de fidelidade.
Desde então, o mercado nacional de cartões passou por consolidações e avanços tecnológicos, com a ascensão de fintechs, carteiras digitais e programas de “cashback” que remodelaram expectativas de valor para usuários. Paralelamente, concorrentes como Bradesco (com Visa e Elo) e Itaú (com Mastercard e Visa) intensificaram investimentos em benefícios, reduzindo o diferencial competitivo dos cartões American Express emitidos por bancos tradicionais.
Impacto imediato para correntistas e novos solicitantes
Segundo nota oficial, a suspensão atinge exclusivamente novos pedidos. Usuários que já possuem o cartão continuam com limites, pontuação e serviços de concierge inalterados. A rede de aceitação permanece integral, e não há previsão de ajustes na mensalidade ou nos termos contratuais vigentes.
Para interessados em aderir à bandeira, restam alternativas como Bradesco, Banco do Brasil e Ourocard, além de emissores de nicho que negociam versões Corporate ou Business. Dentro do próprio Santander, as opções passam a concentrar-se em linhas Visa e Mastercard, distribuídas em categorias Free, Flex, Elite, Unique e Black, com anuidade escalonada e programas diferenciados de recompensas.
Especialistas de mercado estimam que a pausa possa redirecionar parte da demanda para cartões de alto cashback, uma vez que benefícios clássicos do American Express — como salas VIP próprias e membership rewards — competem agora com soluções mais pragmáticas de retorno financeiro.
Motivos não divulgados e especulações do setor
O banco não detalhou razões específicas para a interrupção, mas analistas apontam hipóteses que incluem reavaliação de custos de licenciamento, renegociação de margens de interchange e ajuste estratégico para adequar a oferta de cartões a um cenário pós-regulatório — especialmente após a entrada em vigor de tetos de remuneração em compras com débito e crédito.
Outra possibilidade debatida é a ênfase em cartões co-branded e parcerias setoriais (varejo, companhias aéreas e programas de afinidade), cujo ciclo de vida oferece maior flexibilidade na criação de valor agregado. A redução de emissões de American Express pode, portanto, abrir espaço orçamentário para negociar novos acordos comerciais com redes de varejo em expansão ou plataformas digitais.
Imagem: Internet
Alternativas de portfólio e mudanças no comportamento do consumidor
Com a evolução das carteiras digitais e dos pagamentos instantâneos, consumidores passaram a demandar experiências sem atrito, custos previsíveis e integração multiplataforma. Para atender a essas exigências, o Santander já destacava nos últimos relatórios trimestrais um esforço em migrar benefícios tradicionais — como seguros viagem e assistência em aeroportos — para formatos modulares, em que o cliente escolhe pacotes de serviços adicionais mediante assinatura.
A suspensão do American Express ocorre em sintonia com esse direcionamento: concentrar recursos de marketing e tecnologia em programas próprios, reduzindo dependência de licenças terceirizadas. Na prática, o banco fortalece as linhas Visa Infinite e Mastercard Black, ambas integradas ao ecossistema de fidelidade Esfera, cuja taxa de conversão de pontos em milhas vem sendo otimizada para competir com rivais diretos.
Projeções para retomada e comunicação oficial
Até o momento, não há cronograma divulgado para retorno da emissão. A área de cartões do banco afirmou, apenas, que “segue avaliando o portfólio” e que “informará o público se houver novidades”. O silêncio institucional mantém elevado o grau de incerteza para parceiros comerciais, influenciando negociações de benefícios compartilhados, seguros e acordos de câmbio para clientes que realizam viagens internacionais.
Observadores do setor recomendam que correntistas monitorem os canais de relacionamento — aplicativo, internet banking e centrais telefônicas — para atualizações. Caso seja necessária a substituição do produto, o procedimento padrão envolve migração de limite e histórico de crédito para outro cartão de mesma categoria, preservando relacionamento e pontuação acumulada.
Conclusão Técnica
A suspensão da emissão de cartões American Express pelo Santander reflete um movimento estratégico de readequação do portfólio em meio a transformações regulatórias e competitivas. Enquanto clientes atuais mantêm condições intactas, novos solicitantes deverão buscar a bandeira em outros emissores ou optar pelas ofertas Visa e Mastercard do próprio banco. A ausência de prazo e justificativa oficial prolonga as incertezas, mas o compromisso da instituição com a divulgação de atualizações indica que novas definições poderão emergir nos próximos ciclos de revisão de produtos.




