Santander revisa Petrobras para compra, dobra preço-alvo e vê produção recorde até 2026

O Santander elevou a recomendação para as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) de neutra para compra, revisou o preço-alvo de R$ 35 para R$ 60 e projetou potencial de valorização de aproximadamente 21 %, sustentado por expansão da produção, menor risco no refino e expectativa de forte geração de caixa.

Salto no preço-alvo e premissas de mercado

Em relatório assinado pelo analista Yuri Pereira, o banco indicou que a cotação atual da petroleira não reflete plenamente três vetores centrais: crescimento orgânico em Exploração & Produção (E&P), redução de incertezas no parque de refino e manutenção de uma trajetória robusta de retorno em caixa. A nova projeção de R$ 60 por ação ordinária — ante o fechamento de R$ 49,93 na sessão anterior — incorpora taxa de desconto vigente para empresas de óleo e gás e um Brent médio de US$ 88 por barril em 2026. Nos ADRs negociados em Nova York, o alvo passou de US$ 13 para US$ 24.

O Santander adota cenário de câmbio a R$ 5,20/US$ no período e dividend yield consolidado de 9,5 %, mas não contabiliza distribuições extraordinárias no exercício corrente. Conforme a metodologia do banco, cada US$ 1 adicional no Brent ao longo de um ano representa impacto de até R$ 1,3 no valor justo da ação.

Aceleração operacional: novas plataformas sustentam meta de 2,6 mi bpd

A equipe de análise projeta que a produção doméstica da Petrobras alcance 2,6 milhões de barris de óleo por dia (bpd) em 2026, avanço de 9 % sobre 2025. O ritmo deve ser impulsionado pela entrada plena das unidades Almirante Tamandaré, P-78 e P-79, além de possível antecipação da FPSO P-80.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção de abril registrou 2,73 mi bpd. Em maio, houve retração técnica de cerca de 3 %, atribuída a paradas programadas nos campos Tupi, Búzios e Jubarte. O banco considera o recuo temporário e destaca que a estatal opera atualmente acima do teto do guidance de 2,5 mi bpd ± 4 %.

Em termos de custo, a companhia mantém lifting cost inferior a US$ 7 por barril nos ativos do pré-sal, fator que preserva margem mesmo em cenários de maior volatilidade do Brent.

Refino: subsídios ao diesel mitigam pressão sobre margens

No segmento de Abastecimento, o relatório ressalta que os subsídios governamentais ao diesel, estimados em R$ 1,12 por litro, sustentam o crack spread da Petrobras em torno de US$ 48 por barril, patamar acima da média de 2025. Já a gasolina permanece pressionada, com spread negativo de US$ 22 barril; contudo, o banco avalia redução da perda para US$ 9 negativos com a ampliação do programa de compensação.

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Apesar da compressão de margens em derivados leves, o Santander entende que o perfil de rentabilidade do diesel e a diluição de custos fixos nas refinarias mantêm o Ebitda do refino em equilíbrio. Adicionalmente, a estratégia de manutenção programada concentra intervenções em períodos de menor demanda, reduzindo o impacto financeiro.

Geração de caixa e política de dividendos

A projeção consolidada indica retorno ao fluxo de caixa livre positivo já nos próximos trimestres, suportado por preço do Brent acima de US$ 80 e trajetória de produção ascendente. O banco estima Dividends Yield de 9,5 % entre 2026 e 2027, mas não antecipa pagamentos extraordinários em 2026; a preferência da gestão deve recair sobre redução do endividamento bruto.

Para o ciclo estratégico 2027–2031, a equipe de análise incorpora possibilidade de até US$ 2 bilhões em dividendos adicionais, condicionados a preços de petróleo sustentados e disciplina de capital.

Fatores de risco mapeados pelo banco

Entre os principais riscos monitorados estão: elevação de CAPEX além do previsto no plano de investimentos, movimentações de fusões e aquisições de grande porte, entrada mais intensa no mercado de etanol de milho e eventual reestruturação financeira da Braskem (BRKM5). Qualquer mudança brusca no modelo de preços domésticos de combustíveis ou no arcabouço regulatório também pode alterar as estimativas.

Conclusão técnica

Os novos cálculos do Santander sugerem que o mercado subestima o ciclo de crescimento operacional da Petrobras e a resiliência de suas margens de refino. A combinação de produção acima do guidance, spreads favoráveis no diesel e disciplina de capital reforça a projeção de R$ 60 por ação ordinária, com upside potencial de 21 %. A materialização desse cenário dependerá da entrada pontual das plataformas já contratadas, manutenção do Brent próximo a US$ 88 e preservação dos subsídios ao combustível no curto prazo.