São Paulo lidera a América Latina em ranking de viagens solo e consolida tendência global bilionária

São Paulo foi classificada como a terceira melhor cidade do mundo para viajantes solo, respondendo por 49,5% das reservas individuais de passeios na plataforma GuruWalk nos últimos 12 meses, atrás apenas de Toronto (50,5%) e Santa Ana, em El Salvador (50%).

Metodologia do levantamento e expansão do mercado de viagens solo

A GuruWalk analisou reservas feitas entre junho de 2025 e maio de 2026 nas 150 cidades mais populares de seu portfólio. O critério central foi a proporção de tours reservados por usuários não acompanhados. O resultado reflete o avanço do chamado solo travel, segmento avaliado em US$ 623,5 bilhões em 2025, segundo a consultoria DataIntelo. Projeções apontam faturamento de US$ 1,31 trilhão em 2034, crescimento composto de 8,6% ao ano.

Fatores como flexibilização do trabalho remoto, vistos para nômades digitais e maior oferta de plataformas de experiências individuais influenciam esse ritmo. Buscas no Google por expressões relacionadas ao tema dobraram entre 2018 e 2023, de acordo com a Grand View Research, enquanto o Luxury Solo Travel Report registrou 1,6 milhão de consultas ao termo “solo travel” em janeiro de 2026.

São Paulo: infraestrutura diversificada e alta adesão de viajantes independentes

Responsável por 49,5% das reservas individuais na GuruWalk, São Paulo supera capitais tradicionais do turismo mundial e lidera a América Latina no recorte analisado. A cidade oferece:

  • Museus de referência, como Masp, Pina e Museu do Ipiranga;
  • Amplos espaços verdes, a exemplo do Parque Ibirapuera;
  • Rede de transporte integrada com 96 km de metrô, corredores de ônibus, trens metropolitanos e aplicativos de mobilidade;
  • Atrações em bairros de perfis distintos – da efervescência cultural da Avenida Paulista ao grafite a céu aberto do Beco do Batman, passando pela cena gastronômica de Pinheiros e a tradição japonesa da Liberdade.

O desempenho confirma o apelo da metrópole para quem viaja sem acompanhante, respaldado por oferta de hostels com quartos privativos, free walking tours diários em vários idiomas e um calendário permanente de eventos culturais.

Panorama comparativo: Toronto e Santa Ana no topo do índice

Com 50,5% de reservas individuais, Toronto assume a liderança. Os principais vetores de atração incluem o Distillery District, a Art Gallery of Ontario e a CN Tower. A malha de transporte público interliga museus, parques e bairros multiculturais, fator que favorece deslocamentos autônomos.

Santa Ana, segunda colocada com 50,0%, funciona como base para o turismo arqueológico e de aventura em El Salvador. O fácil acesso ao vulcão de Santa Ana, às ruínas maias de Tazumal e ao Lago Coatepeque sustenta o fluxo de viajantes independentes, que contam com ônibus regionais e aplicativos de transporte.

O restante do top 10 é formado por Taipei, Kuala Lumpur, La Paz, Hong Kong, Escópia (Skopje), Singapura e Belgrado, evidenciando a dispersão geográfica da tendência.

Implicações econômicas e projeções de curto prazo

Com cerca de 24% das viagens internacionais de lazer realizadas por viajantes solo em 2026, o segmento pressiona a cadeia turística a oferecer produtos personalizáveis e de baixo atrito. Agências tradicionais ajustam portfólios para roteiros sem adicional de quarto individual, enquanto plataformas de hospedagem expandem filtros exclusivos para solteiros.

Dados da Global Solo Travel Association indicam que millennials e Geração Z concentram mais de 60% das reservas no setor, impulsionados por experiências imersivas, Wi-Fi robusto e políticas de estadias prolongadas. Em resposta, destinos urbanos intensificam investimentos em segurança pública, sinalização multilíngue e infraestrutura de mobilidade.

Conclusão técnica

A presença de São Paulo na terceira posição do ranking da GuruWalk confirma a capital paulista como polo estratégico para o viajante solo na América Latina. O avanço do mercado, avaliado em US$ 1,31 trilhão projetados para 2034, sugere continuidade nos investimentos municipais em conectividade, segurança e diversificação de atrações. No curto prazo, a expectativa é de ampliação de free walking tours, crescimento de hospedagens flexíveis e consolidação de serviços digitais que facilitem roteiros autônomos, acompanhando o impacto econômico positivo já observado nos principais centros urbanos listados.