São Paulo, 4 de maio de 2026 – Entre esta segunda-feira e a próxima sexta-feira (4 a 8 de maio), 83 companhias com valores mobiliários negociados na B3 ou na forma de BDR divulgarão os resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026. O cronograma concentra nomes de peso como Itaú (ITUB4), Mercado Livre (MELI34), Prio (PRIO3) e Minerva (BEEF3), cujos números devem servir de termômetro para setores como financeiro, varejo on-line, petróleo e proteína animal.
Agenda cheia: quem divulga e quando
O pico de divulgações ocorre na terça (5) e na quarta-feira (6). Veja os destaques dia a dia:
Segunda-feira – 4/5: ISA Cteep, Log Commercial Properties, Marcopolo e BB Seguridade informam os números após o fechamento. Entre as novidades antes da abertura, chama atenção POMO4, da fabricante de ônibus.
Terça-feira – 5/5: O dia mais carregado reúne Itaú, Prio, Ambev, Tim, RD Saúde (Raia Drogasil), Copel e o braço digital do grupo UOL, PagBank, que agenda teleconferência à noite. No mesmo período saem ainda os balanços de Intelbras, Bradesco e Klabin.
Quarta-feira – 6/5: Mais de 25 empresas apresentam cifras, entre elas Minerva, Aura Minerals, Vibra, CSN, Taesa (após as 23h) e Ultrapar. O setor de educação tem Cogna, Ânima e Yduqs no radar.
Quinta-feira – 7/5: É a vez do e-commerce ganhar os holofotes com o balanço do Mercado Livre. A sessão ainda trará Magazine Luiza, Lojas Renner, Fleury, Sabesp, Localiza, Hapvida, B3 e Porto Seguro.
Sexta-feira – 8/5: O encerramento da maratona contará com Embraer, Kepler Weber e Fertilizantes Heringer, fechando o ciclo do 1T26 para a maior parte das empresas listadas.
Instituições financeiras em foco
Analistas da XP Investimentos apontam que o início de 2026 foi marcado por pressão nas carteiras de crédito a pessoas físicas, pequenas e médias empresas e, principalmente, companhias do agronegócio em recuperação judicial. Nesse ambiente, o desempenho dos bancos será acompanhado de perto:
Itaú Unibanco – Considerado o nome mais bem posicionado para enfrentar esse cenário, segundo o Banco Safra. A expectativa é de que a diversificação de receitas, o controle de inadimplência e a forte geração de capital mantenham o ROE acima de 20%.
Bradesco – Divulga na terça à noite. O mercado quer sinais de recuperação após um 2025 marcado por provisões elevadas. Mudanças recentes na gestão de risco podem começar a aparecer nas linhas de despesas com PDD.
Imagem: Internet
Banco BMG e ABC Brasil – Menores, mas com nichos específicos (crédito consignado e middle market), oferecem leitura complementar sobre a qualidade do crédito doméstico.
Petróleo em alta favorece Prio; proteína animal sustenta Minerva
No setor de óleo e gás, Prio tende a apresentar um dos balanços mais robustos do trimestre. O BTG Pactual projeta Ebitda ajustado de aproximadamente US$ 830 milhões, apoiado por:
- Aumento do preço médio do Brent em comparação anual;
- Maior produção nos campos de Frade, Polvo & Tubarão Martelo e Albacora Leste;
- Crescimento dos volumes comercializados devido à normalização de paradas programadas em 2025.
Já Minerva deve reportar Ebitda perto de R$ 1,1 bilhão, 15% superior ao do 1T25, apesar de ligeira retração frente ao 4T25. A sustentação vem do ritmo forte de exportações de carne bovina para a China, com preços em dólar acima da média histórica.
Varejo digital e consumo: os números mais esperados
Na quinta, o Mercado Livre concentra a atenção dos investidores internacionais. A plataforma deve exibir avanço de dois dígitos em receitas, impulsionada por crédito ao consumo no Mercado Pago e pela expansão logística no Brasil. No ambiente doméstico, Magazine Luiza e Lojas Renner trarão indícios sobre o apetite do consumidor no início do ano, período tradicionalmente impactado por despesas sazonais como impostos e material escolar.
Entre os bens de consumo recorrente, Ambev divulga na terça-feira e pode trazer combinação de volumes estáveis com reajustes seletivos de preço, refletindo a manutenção do cenário competitivo no segmento de cervejas premium.
Por que o calendário é decisivo para o mercado
Os resultados do primeiro trimestre oferecem a primeira visão completa sobre crescimento de receitas, controle de custos e geração de caixa após o intenso ciclo de ajustes monetários de 2025. Além disso, funcionam como base para a revisão de projeções anuais:
- Guidance – Empresas que mantiverem ou elevarem metas de 2026 podem reforçar a confiança dos investidores;
- Distribuição de dividendos – Companhias de energia, saneamento e concessões rodoviárias costumam anunciar proventos junto ao balanço;
- Alavancagem – Setores intensivos em capital, como papel & celulose e construção, serão avaliados pela capacidade de reduzir dívida diante da taxa básica de juros ainda elevada.
Próximos passos
Após a maratona de balanços, a temporada do 1T26 se encerra para a maioria das empresas até meados de maio, quando ainda serão divulgados números de Petrobras e Vale. No curto prazo, a atenção estará voltada à reação do mercado às surpresas positivas ou negativas desta semana, que podem redefinir recomendações de analistas e estratégias de alocação de investidores institucionais.
Com quase todas as grandes companhias listadas expondo seus números em apenas cinco sessões, a primeira semana de maio torna-se chave para medir a temperatura dos principais setores da economia brasileira e dos maiores players regionais de tecnologia e commodities.


