São Paulo confirmou 23 casos de sarampo em 2026, motivando a ampliação temporária da vacinação para moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo com idades entre 6 meses e 59 anos, enquanto postos extras foram instalados em cinco estações do Metrô para conter as cadeias de transmissão relacionadas a dois episódios classificados como importados.
Evolução dos casos e distribuição geográfica
Dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) indicam que 20 dos 23 registros concentram-se na capital paulista, enquanto dois ocorreram em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Em comparação, durante todo o ano de 2025 foram contabilizados apenas dois casos importados, demonstrando um crescimento expressivo em menos de oito meses. Entre 3 e 7 de agosto, o saldo avançou de 16 para 23 confirmações, ao mesmo tempo em que 207 suspeitas permaneciam sob investigação e 203 haviam sido descartadas. Até a última atualização não houve registro de óbitos.
A investigação epidemiológica identificou que os casos atuais se conectam a duas infecções importadas. Nem todas as fontes de contágio puderam ser rastreadas individualmente, o que reforça a necessidade de vigilância ativa para interromper a circulação do vírus.
Perfil dos pacientes e lacunas de cobertura vacinal
Entre os infectados, 16 pessoas não possuíam histórico vacinal ou registravam esquema incompleto. O grupo etário abrange bebês de até 2 anos e adultos entre 20 e 50 anos, sinalizando que a exposição não se restringe ao público infantil. Esse cenário levou à decisão de remover, temporariamente, a exigência de comprovação de doses anteriores para residentes dos três municípios afetados.
Os dados de imunização estadual de 2026 mostram cobertura de 77,5 % para a primeira dose da tríplice viral e de 65,5 % para a segunda dose, abaixo da meta de 95 % estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações. A discrepância evidencia a vulnerabilidade coletiva, pois o sarampo possui alto índice de transmissibilidade e exige forte barreira populacional para impedir surtos.
Estratégia emergencial de imunização
Com base nas evidências, a SES-SP recomendou imunização indiscriminada em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo para pessoas de 6 meses a 59 anos, desde que não haja contraindicação médica. Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias recebem a dose zero, que não substitui as aplicações rotineiras aos 12 e 15 meses. Nos demais 642 municípios paulistas, a orientação permanece focada na revisão de carteiras e busca ativa de esquemas atrasados.
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Somente na capital, a intensificação já resultou na aplicação de 292 701 doses da tríplice viral entre 3 e 7 de agosto. O recorde diário foi registrado em 7 de agosto, com 84 632 doses, número sem precedentes desde o início da campanha. A ação estadual integra a mobilização nacional de multivacinação vigente até 1º de setembro, que também prevê um Dia D na capital em 22 de agosto, com funcionamento das 483 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em horário estendido.
Postos temporários no Metrô e logística de atendimento
Para reduzir barreiras de acesso, a Prefeitura de São Paulo firmou parceria com o Metrô e instalou estruturas provisórias em cinco estações: Tucuruvi, Corinthians-Itaquera, São Mateus, Vila Prudente e Vila Matilde. A estação Tucuruvi oferece o serviço das 10h às 16h em nove datas entre 11 e 21 de agosto. Já Corinthians-Itaquera e São Mateus operam em 17, 19 e 21 de agosto, das 10h às 20h. A Vila Prudente permanece ativa entre 17 e 21 no período da manhã e tarde, enquanto a Vila Matilde concentra a oferta em 27 e 28 de agosto.
A iniciativa busca ampliar a cobertura em locais de grande circulação, aproveitando fluxos diários de passageiros estimados em centenas de milhares, sem comprometer a rotina nos postos fixos de saúde. A meta operacional é acelerar a aplicação de doses adicionais antes do fim do inverno, período propenso a maior transmissão de infecções respiratórias.
Conclusão técnica
O aumento súbito de 23 casos confirmados de sarampo em 2026 reacendeu o alerta sanitário em São Paulo, motivando ações de vacinação em massa, instalação de pontos móveis de imunização e reforço da vigilância epidemiológica. A continuidade das medidas depende da evolução dos indicadores: detecção de novos casos, adesão da população às duas doses da tríplice viral e interrupção comprovada das cadeias de transmissão. Autoridades mantêm monitoramento diário para ajustar a estratégia até que a cobertura atinja o patamar de 95 % e o risco de novos surtos seja mitigado.




