Tenda confirmou a sucessão de sua presidência-executiva: Marcos Cruz tomará posse como CEO em junho de 2027, ao término de uma transição de 12 meses iniciada em 8 de junho de 2026; a decisão aprovada pelo conselho encerra um ciclo de 15 anos de Rodrigo Osmo à frente da construtora e insere o executivo no conselho de administração.
Detalhes da transição de liderança
O processo foi oficializado em fato relevante publicado em 7 de maio de 2026. A transição ocorrerá em três fases:
- Fase 1 — Integração cultural (jun/26 a set/26): Marcos Cruz se dedica ao entendimento da estrutura organizacional sem envolvimento operacional direto.
- Fase 2 — Co-gestão (out/26 a mai/27): Cruz e Osmo atuam como co-CEOs; o fundador concentra-se na divisão Alea, enquanto o sucessor passa a gerir a operação principal da Tenda.
- Fase 3 — Assunção integral (jun/27): Cruz assume o comando total; Osmo migra para o conselho, reforçando continuidade estratégica.
Segundo Claudio Andrade, presidente do conselho, a modelagem extensiva foi escolhida para “manter estabilidade operacional” e garantir que a expansão da Alea alcance maturidade antes da saída definitiva de Osmo.
Perfil do novo CEO
Marcos Cruz, de 47 anos, acumula uma década de liderança na Nitro Química — onde conduziu a adoção de processos industriais enxutos e expansão internacional —, além de passagens pela consultoria McKinsey e pela Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo. Andrade destacou três atributos considerados cruciais para a escolha:
- Histórico de alta performance: condução de equipes multidisciplinares em operações com mais de 3 mil colaboradores.
- Aderência à abordagem industrial: experiência prática em otimização de custos e padronização de processos — linha mestra do modelo construtivo adotado pela Tenda.
- Visão de longo prazo com mentalidade de “dono”: alinhamento ao sistema de partnership da empresa, implantado há mais de 10 anos.
Motivações estratégicas para a mudança
Embora o desempenho da companhia venha se recuperando após pressões de custos no pós-pandemia, o conselho avaliou que a próxima fase exigirá experiência adicional em:
- Gestão de grandes operações: a companhia busca elevar a capacidade produtiva anual sem comprometer margens.
- Escala da divisão Alea: a unidade de casas pré-fabricadas requer consolidação de cadeia de suprimentos e redução de ineficiências.
- Ambiente macroeconômico desafiador: juros ainda elevados e flutuação de preços de insumos tornam indispensável disciplina de capital.
Andrade afirmou que nenhum executivo interno possuía “quilometragem” equivalente para comandar equipes amplas em cenários complexos. A escolha externa, portanto, visa complementar competências internas sem ruptura cultural, já que Cruz aderirá ao modelo societário vigente.
Imagem: Internet
Cenário operacional da Tenda
No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou:
- Lucro líquido: R$ 156 milhões, avanço superior a 100 % ano a ano.
- VGV lançado: crescimento de 255 %, impulsionado pela retomada de projetos do programa Minha Casa, Minha Vida.
- Geração de caixa operacional: reversão da queima observada em ciclos anteriores.
A administração atribui essa melhoria ao ajuste de preços, renegociação com fornecedores e maior produtividade nos canteiros. Com o novo ciclo de liderança, a expectativa é preservar essa trajetória e acelerar a incorporação das metodologias de produção seriada nas novas plantas previstas para 2027-2028.
Conclusão técnica
A sucessão na Tenda foi estruturada em ambiente de estabilidade financeira, permitindo planejamento detalhado e mitigação de riscos de continuidade. A experiência industrial de Marcos Cruz deve reforçar a padronização construtiva e a expansão da Alea, enquanto a permanência de Rodrigo Osmo no conselho preserva o legado estratégico. O mercado acompanhará, nos próximos trimestres, indicadores de margem bruta, volume de lançamentos e a efetiva integração cultural do novo CEO como métricas-chave para validar a eficácia da transição.




