Usiminas dispara e puxa o Ibovespa, enquanto Hapvida lidera perdas na semana marcada por corte da Selic

Quem? Investidores da B3; o quê? acompanharam Usiminas liderar os ganhos e Hapvida concentrar as perdas; onde? na Bolsa brasileira; quando? na semana encerrada em 30 de abril, encurtada pelo feriado do Dia do Trabalhador; por quê? por balanços corporativos, decisão do Copom e tensão geopolítica que influenciaram o humor do mercado.

Balanço da semana na B3

O Ibovespa acumulou recuo de 1,80% e encerrou a última sessão de abril aos 187.317,64 pontos, engatando a terceira semana consecutiva de perdas. O desempenho negativo ocorreu em meio a dúvidas sobre o conflito no Oriente Médio, à divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 e ao calendário mais curto, com apenas quatro pregões.

No mês, o principal índice da Bolsa cedeu 0,08%, marcando a segunda queda mensal seguida. Já o dólar à vista perdeu 0,91% na semana, fechando a R$ 4,9527, e acumulou baixa de 4,36% em abril, favorecido pela entrada de recursos estrangeiros para a renda fixa brasileira.

Usiminas salta quase 9% após lucro recorde

Na liderança das altas, Usiminas (USIM5) avançou 8,94% entre segunda e quinta-feira. O movimento foi impulsionado pelo lucro líquido de R$ 896 milhões no primeiro trimestre, 166% superior ao registrado um ano antes e 596% acima do quarto trimestre de 2025. Analistas destacaram a eficiência operacional e a recuperação dos preços do aço no período.

Refletindo o resultado, o UBS BB revisou de R$ 9 para R$ 10 o preço-alvo para o papel ao fim de 2026, o que indicava potencial adicional de 20,6% sobre a cotação de fechamento de quinta-feira (R$ 8,29). Além da siderúrgica mineira, outras companhias ligadas a commodities também subiram, favorecidas pelo Brent acima de US$ 100.

Maiores altas da semana

• Usiminas PNA: +8,94%
• Braskem PN: +6,64%
• PRIO ON: +6,04%
• Petrobras ON: +4,77%
• Metalúrgica Gerdau ON: +4,64%

Hapvida devolve ganhos em meio a reestruturação do conselho

Na outra ponta, Hapvida (HAPV3) caiu 12,07% e liderou as perdas, após ter subido 15,21% na semana anterior. A operadora de planos de saúde realizou assembleia geral que confirmou a eleição de três conselheiros independentes indicados pela Squadra Investimentos. O mercado avaliou que a composição do conselho sinaliza maior escrutínio sobre a gestão num momento de integração operacional após a fusão com a NotreDame Intermédica.

O setor de construção também pressionou o índice: Cyrela, Cury e Direcional recuaram em bloco diante da perspectiva de juros ainda elevados, apesar do corte da Selic.

Maiores quedas da semana

• Hapvida ON: −12,07%
• Cyrela PN: −11,89%
• Cury ON: −11,69%
• Localiza ON: −6,86%
• Weg ON: −6,15%

Corte da Selic não anima e Fed mantém cautela

O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica em 0,25 ponto, para 14,50% ao ano, mantendo o ritmo dos encontros anteriores. No comunicado, o colegiado citou incertezas externas decorrentes do embate entre Estados Unidos, Israel e Irã e ajustou para cima as projeções de inflação para 2026. A sinalização reforçou a expectativa de ciclo de afrouxamento lento, o que conteve o entusiasmo do mercado acionário.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os Fed Funds na faixa de 3,50% a 3,75% pela terceira vez seguida. O destaque foi a maior dissidência desde 1992: quatro dirigentes votaram de forma diferente, três preferindo estabilidade sem tendência de queda e um defendendo corte de 0,25 ponto. A divisão adicionou prudência às apostas sobre flexibilização monetária ainda este ano.

Wall Street renova recordes; dólar cede ante o real

Enquanto a B3 digeria fatores internos, as bolsas norte-americanas avançaram apoiadas em balanços positivos e sinais de possível trégua no Oriente Médio. O S&P 500 fechou a 7.230,12 pontos (+0,29% no dia e +0,91% na semana). O Nasdaq superou pela primeira vez a barreira dos 25 mil pontos, encerrando a 25.114,44 pontos (+0,89% diário, +1,12% semanal). Já o Dow Jones cedeu 0,31% no pregão, mas acumulou alta de 0,54% em cinco dias, afetado pela queda do petróleo, que impactou o setor de energia.

Agenda política adiciona volatilidade

No front doméstico, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, fato inédito desde 1894. A decisão reforçou a percepção de ruído institucional em Brasília, embora sem impacto direto nos preços dos ativos.

Os agentes financeiros também monitoraram o desdobramento da proposta de cessar-fogo apresentada pelo Irã aos Estados Unidos, intermediada pelo Paquistão. Qualquer avanço nesse diálogo tende a aliviar o prêmio de risco embutido nas commodities energéticas, elemento crucial para o rumo dos preços ao consumidor e, por consequência, da política de juros.

Próximos sinais

A partir de segunda-feira (4), a temporada de resultados entra na reta final com números de grandes bancos e empresas de consumo, enquanto o mercado continuará sensível às manchetes sobre o Oriente Médio e aos indicadores de inflação de abril. Analistas avaliam que o Ibovespa pode ganhar tração caso o Brent volte a patamares abaixo de US$ 95 e as expectativas para a Selic sinalizem alívio maior no segundo semestre.

Com informações de Seu Dinheiro