O governo brasileiro iniciou em 25 de maio de 2026, em Xangai, tratativas formais com a China Eastern Airlines para estabelecer voos comerciais diretos entre os dois países, medida considerada estratégica para ampliar o fluxo de turistas, intensificar o intercâmbio cultural e impulsionar investimentos bilaterais.
Negociações estratégicas com foco em rotas e conectividade
Durante a reunião realizada na sede da companhia chinesa, o Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, apresentou a proposta de criação de ligações aéreas sem escalas que conectem grandes hubs brasileiros — como São Paulo (GRU) e Rio de Janeiro (GIG) — a Xangai Pudong e outros pontos de distribuição na Ásia. Segundo o ministério, a ausência de voos diretos eleva o tempo total de viagem para mais de 25 horas, fator que restringe o potencial de crescimento do mercado. A expectativa, caso o acordo seja concluído, é reduzir esse tempo em até 30 %, tornando o Brasil mais competitivo diante de destinos latino-americanos já servidos por companhias chinesas.
A China Eastern, uma das três maiores transportadoras estatais da China, opera uma frota superior a 800 aeronaves e possui experiência consolidada em longas rotas intercontinentais. A empresa avalia, em conjunto com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e a Administração de Aviação Civil da China (CAAC), a viabilidade técnica de operar equipamentos A350-900 ou Boeing 787-9 nos trajetos propostos, cuja distância média ultrapassa 17 000 km.
Integração cultural e promoção do destino Brasil
Além da malha aérea, as conversas contemplaram iniciativas de cooperação para ampliar a visibilidade do país no mercado asiático. O ministério propôs inserir produções cinematográficas brasileiras no sistema de entretenimento de bordo da China Eastern, ação que beneficiaria tanto o setor audiovisual quanto a imagem do Brasil como destino multifacetado. Em paralelo, representantes da pasta reuniram-se com a CTrip — plataforma de viagens que concentra mais de 300 milhões de usuários ativos na China — para negociar a criação de campanhas de marketing focadas em Amazonas, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu e Pantanal. A expectativa oficial é registrar um acréscimo de 20 % a 25 % no volume de turistas chineses até 2028.
O interesse chinês também foi estimulado pela recente decisão do governo brasileiro de eliminar a exigência de visto para visitantes da China, medida em vigor desde 1.º de janeiro de 2026. De acordo com dados do Sistema de Gestão de Estatísticas do Turismo (SGEST), o número de chegadas de cidadãos chineses já apresentou crescimento de 18,7 % no primeiro quadrimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.
Relevância econômica e projeções para o setor aéreo
A China mantém-se como o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, com corrente de comércio bilateral que ultrapassou US$ 157 bilhões em 2025. A consolidação de voos diretos deve facilitar o deslocamento de executivos e investidores, beneficiando segmentos como agronegócio, mineração, tecnologia e energia renovável. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que a nova conectividade possa elevar em 10 % o fluxo de delegações corporativas até 2027.
Imagem: ciclismo e natureza sha checer o
No contexto da aviação civil, o acordo abre espaço para incremento da capacidade entre a América do Sul e a Ásia-Pacífico, rota atualmente dominada por companhias de terceiros países que operam conexões no Oriente Médio e na Europa. Segundo a consultoria CAPA – Centre for Aviation, a chegada de uma transportadora chinesa ao mercado brasileiro pode gerar efeitos positivos na concorrência, com expectativa de queda média de 8 % nas tarifas de longo curso e aumento de 12 % na oferta de assentos em um horizonte de três anos.
Operacionalmente, a futura malha direta exigirá ajustes de infraestrutura em terminais brasileiros para receber aeronaves de grande porte em voos acima de 14 horas. A Infraero e a Concessionária GRU Airport já avaliam adequações de pátios e fingers, bem como a ampliação da capacidade de processamento de imigração e alfândega em horários de pico.
Conclusão técnica
As negociações entre o Ministério do Turismo e a China Eastern Airlines encontram-se em fase de análise operacional e comercial. Caso os estudos de viabilidade confirmem a demanda projetada, o cronograma preliminar prevê a assinatura de acordo de serviços aéreos ainda em 2026 e o início das operações regulares no primeiro semestre de 2027. A implementação dos voos deverá resultar em maior competitividade para o destino Brasil no mercado asiático, aprimoramento da infraestrutura aeroportuária e ampliação das relações econômicas com a China, alinhando-se às metas governamentais de diversificação do turismo internacional e atração de investimentos estratégicos.




