Brasil e China estabeleceram acordo de reciprocidade que dispensa vistos para estadias de até 30 dias a partir de 11 de maio de 2026, segundo anúncio conjunto do presidente em exercício Geraldo Alckmin e do ministro do Turismo Gustavo Feliciano, realizado em 7 de maio. A medida, válida até 31 de dezembro de 2026, abrange viagens de turismo, negócios, eventos culturais, esportivos e visitas familiares, e responde à política chinesa adotada para brasileiros desde maio de 2025.
Parâmetros da dispensa de visto e cronologia de implementação
O acordo determina que cidadãos de ambos os países poderão permanecer no território parceiro por até 30 dias por visita, com limite de 90 dias a cada 12 meses. A isenção foi formalizada durante o 10º Salão do Turismo, evento setorial realizado em Fortaleza entre 7 e 9 de maio de 2026. O Ministério do Turismo informou que a instrução normativa com os procedimentos migratórios será publicada até 10 de maio, permitindo que companhias aéreas, agências de viagens e postos consulares ajustem sistemas internos antes da entrada em vigor em 11 de maio.
O mecanismo de reciprocidade segue precedente aberto em maio de 2025, quando a China eliminou a exigência de visto para brasileiros em viagens de curta duração. Na ocasião, o Governo Federal iniciou tratativas para estender o benefício aos chineses, culminando no ato oficializado nesta semana. Autoridades dos dois países acordaram revisitar os termos em dezembro de 2026, podendo prorrogar ou ajustar as condições conforme indicadores de segurança e fluxo migratório.
Crescimento do mercado emissor chinês e projeções para 2026
Dados do Ministério do Turismo apontam que 26 mil turistas chineses visitaram o Brasil entre maio de 2025 e abril de 2026, incremento de 30,5 % em relação ao mesmo intervalo anterior. No ano civil de 2025, o volume atingiu 103 mil visitantes, alta de 35 % sobre 2024. Com a retirada do visto, a Pasta projeta avanço adicional de 40 % a 50 % no fluxo proveniente da China até dezembro de 2026, sustentado por campanhas de promoção em Pequim, Xangai e Cantão.
Estudos da Embratur indicam que cada turista chinês gasta, em média, US$ 1 900 durante uma viagem ao Brasil, cifra superior em 22 % à média global registrada pelo país. Caso as estimativas de chegada se confirmem, a receita cambial específica deverá ultrapassar US$ 275 milhões em 2026, contribuindo para a meta governamental de elevar o faturamento total do turismo internacional para US$ 9 bilhões no período.
Estratégias de preparação do trade e credenciamento de agências
Para absorver a demanda prevista, o Ministério do Turismo reforçou o programa Approved Destination Status (ADS), que autoriza operadoras brasileiras a comercializar pacotes em plataformas chinesas. Atualmente, 325 agências encontram-se cadastradas no sistema Cadastur, habilitando-se a receber grupos com guias bilíngues, cardápios adaptados e meios de pagamento compatíveis com carteiras digitais asiáticas. A meta é ampliar o número para 450 empresas até outubro de 2026.
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A Pasta também coordena cursos de qualificação em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), focados em hospitalidade intercultural, protocolos gastronômicos e padrões de segurança alimentar exigidos pelo mercado chinês. Desde janeiro, 1 800 profissionais concluíram módulos de formação, e outros 2 500 deverão ser certificados até o fim do ano.
Repercussões institucionais e alinhamento diplomático
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, em nota, que a iniciativa reforça a estratégia de “aprofundar a integração econômica e cultural com a Ásia”. No plano diplomático, a isenção de vistos soma-se a acordos bilaterais nas áreas de energia limpa, agronegócio e tecnologia 5G assinados em 2025. O Itamaraty avalia que a facilitação de mobilidade humana fortalece negociações comerciais, pois reduz barreiras operacionais para executivos e investidores.
Analistas do Conselho Empresarial Brasil–China preveem intensificação de rotas aéreas diretas. Atualmente, existem 14 frequências semanais conectando São Paulo a Pequim e Guangzhou. Companhias estimam elevar para 20 voos até agosto de 2026, dependendo de aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil. O ganho logístico tende a encurtar o tempo total de viagem em até quatro horas, favorecendo a competitividade do destino brasileiro.
Conclusão técnica
A dispensa recíproca de vistos entre Brasil e China inaugura fase de maior circulação de pessoas, com impacto direto nos indicadores de turismo, comércio e investimento. Com vigência programada de maio a dezembro de 2026, o acordo será monitorado por ambos os governos, que planejam reavaliar estatísticas de entrada, retorno econômico e requisitos de segurança antes de definir eventual prorrogação. Paralelamente, o setor privado intensifica capacitação e expansão de serviços para absorver o cenário previsto de aumento de demanda, consolidando o Brasil como destino competitivo no disputado mercado emissor chinês.




