Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Nubank lançaram campanhas próprias de renegociação de dívidas, operando em paralelo ao Desenrola 2.0 e voltadas a consumidores que não se enquadram nos critérios de renda, prazo ou tipo de contrato definidos pelo programa federal.
Panorama das iniciativas privadas de renegociação
O Desenrola 2.0 estabelece cobertura para endividados com renda de até R$ 8.105, dívidas em atraso entre 91 e 720 dias e contratos firmados até 31 de janeiro de 2026. Ao identificar uma lacuna que mantém milhões de contratos fora do escopo oficial, os quatro maiores bancos privados do país criaram frentes exclusivas de negociação. Cada instituição desenvolveu canais digitais dedicados, oferecendo descontos, prazos estendidos e restabelecimento de crédito mediante adesão.
Segundo dados da Serasa, 82,2 milhões de brasileiros encerraram o mês de março em situação de inadimplência, índice que reforça a pressão por soluções além da política pública. Embora as campanhas privadas não contem com garantia do Tesouro Nacional nem subsídios diretos, elas expandem o universo de atendidos e mitigam o risco de deterioração adicional da carteira de crédito dos bancos.
Canais, condições e descontos oferecidos por cada banco
Itaú Unibanco disponibiliza ofertas no Superapp, no WhatsApp oficial (11 4004-1144) e em página específica de renegociação. A estratégia prioriza dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com análise de perfil que define percentual de abatimento e número de parcelas.
Bradesco estruturou ambiente dedicado em seu site corporativo, permitindo que correntistas simulem propostas sem necessidade de intermediação presencial. A instituição não divulgou teto de desconto, mas admite reavaliações caso o devedor apresente comprovação de renda superior a cinco salários-mínimos, critério de corte do programa oficial.
Para clientes do Santander, os abatimentos podem chegar a 90 %, com parcelamento em até 72 meses. A contratação ocorre por aplicativo, internet banking, portal de renegociação, centrais telefônicas (4004-3535 nas capitais e 0800-702-3535 demais localidades), WhatsApp (11 94752-0222) ou diretamente nas agências. O banco ainda ajusta as métricas de risco antes da integração total ao Desenrola 2.0.
No Nubank, a campanha mira usuários acima do limite de renda ou com contratos firmados após a data-corte do programa público. As condições são comunicadas individualmente por e-mail, app ou SMS e podem resultar na reativação do cartão de crédito após a liquidação ou repactuação. Embora o banco não revele percentuais máximos de desconto, fontes internas mencionam reduções agressivas em dívidas de cartão rotativo.
Imagem: Internet
Impacto potencial sobre o volume de inadimplência nacional
Com a taxa de inadimplência total do sistema financeiro alcançando 5,0 % em fevereiro de 2026, acima dos 4,3 % observados um ano antes, o alívio proporcionado pelos acordos privados ganha relevância macroeconômica. Ao reduzir o estoque de débitos não performados, os bancos mitigam provisões para perdas, liberam capital regulatório e preservam a concessão de crédito novo — fator crítico diante da expectativa de Selic ainda elevada.
Especialistas do setor estimam que a soma das carteiras elegíveis às campanhas dos quatro bancos supere R$ 40 bilhões. Se metade desse montante for renegociada com desconto médio de 50 %, a reabsorção de R$ 10 bilhões em fluxos futuros de pagamento já teria potencial de reduzir em até 0,2 ponto percentual a inadimplência média das instituições envolvidas.
Além do aspecto contábil, o restabelecimento de limite de crédito ao consumidor adimplente cria efeito multiplicador sobre o consumo, sobretudo em setores dependentes de cartão e financiamento de curto prazo. Contudo, órgãos de defesa do consumidor alertam para a necessidade de conferir a legitimidade de links, aplicativos e números de telefone antes de fornecer dados pessoais, dada a proliferação de golpes que se aproveitam da marca Desenrola.
Conclusão técnica
As iniciativas autônomas de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Nubank ampliam o alcance das renegociações além dos limites impostos pelo Desenrola 2.0, oferecendo alternativas a consumidores com renda superior a R$ 8.105 ou com contratos fora do período de corte. A eficácia dessas ações será mensurada pela queda na inadimplência observada nos próximos balanços trimestrais e pela capacidade dos bancos de converter acordos em fluxo de caixa recuperado. Ao mesmo tempo, a coordenação entre programas privados e a plataforma federal permanece crucial para evitar sobreposições e garantir comunicação clara ao público, reduzindo o risco de fraudes no ecossistema de renegociação.




