Mergulhador militar morre a 60 m durante resgate de italianos no Atol de Vaavu, nas Maldivas

O sargento-mor Mohamed Mahudhee, das Forças de Defesa Nacional das Maldivas, morreu neste sábado, 16 de março, após sofrer doença descompressiva enquanto buscava quatro turistas italianos desaparecidos a cerca de 60 metros de profundidade em uma caverna subaquática no Atol de Vaavu. O óbito ocorreu horas depois do resgate emergencial e amplia a gravidade da operação iniciada após a morte de cinco mergulhadores europeus na mesma região no início da semana.

Circunstâncias do acidente que vitimou o militar

Mahudhee integrava a equipe avançada responsável por mapear as três câmaras principais do sistema cavernoso onde os turistas perderam contato. Durante a segunda imersão do dia, o militar apresentou sintomas agudos de doença descompressiva — quadro que pode incluir dores articulares, tontura e perda de consciência ao retornar rapidamente de grandes profundidades. Ele foi transportado de helicóptero para um hospital em Malé, capital do país, mas não resistiu às complicações, segundo comunicado oficial divulgado pela Maldives National Defence Force (MNDF).

O porta-voz presidencial, Mohammed Hussain Shareef, enfatizou que a missão ocorre sob “condições extremas de correnteza, visibilidade limitada e passagens estreitas”, fatores que aumentam o risco de acidentes até para profissionais altamente treinados. Nos dois dias anteriores, rajadas de vento de até 30 km/h e mar agitado interromperam temporariamente as buscas, atrasando o cronograma inicial.

Sequência da tragédia envolvendo os turistas italianos

A operação de resgate começou em 14 de março, quando um grupo de cinco italianos realizou mergulho autônomo privado no Atol de Vaavu, ultrapassando o limite recreativo local de 30 m e alcançando aproximadamente 50 m. Apenas o corpo do instrutor Gianluca Benedetti foi recuperado até o momento. Seguem desaparecidos a professora universitária Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, a pesquisadora Muriel Oddenino e o biólogo Federico Gualtieri.

Informações repassadas pela Universidade de Gênova confirmam que Montefalcone e Oddenino viajavam ao arquipélago em missão científica voltada ao monitoramento da biodiversidade tropical, mas o mergulho fatal não fazia parte do projeto. As autoridades italianas colaboram com o governo maldivo para agilizar o translado de corpos e oferecer suporte às famílias.

Complexidades técnicas do sistema cavernoso de Vaavu

O local onde ocorreu o incidente é descrito por especialistas como um labirinto de três grandes câmaras ligadas por corredores que chegam a apenas 70 cm de largura. A topografia submersa dificulta a navegação e a comunicação entre mergulhadores, exigindo o uso de scooters subaquáticos, linhas-guia e misturas de gases especiais para reduzir a narcose por nitrogênio.

Mergulhador militar morre a 60 m durante resgate de italianos no Atol de Vaavu, nas Maldivas - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Relatórios preliminares apontam visibilidade inferior a 5 m e forte presença de partículas em suspensão, condições que retardam a varredura completa dos espaços internos. Além disso, a ausência de bolsões de ar naturais obriga as equipes de resgate a executar paradas de descompressão prolongadas, estendendo cada incursão por até 120 min.

Perfil e contribuição de Mohamed Mahudhee

Com 38 anos e mais de 15 anos de serviço, o sargento-mor Mohamed Mahudhee era considerado referência em mergulho técnico dentro da Guarda Costeira das Maldivas. Ele participou da elaboração do plano tático apresentado pessoalmente ao presidente Mohamed Muizzu na véspera do acidente, detalhando fases de mapeamento 3D, instalação de linhas permanentes e extração gradual dos corpos.

Após a confirmação do óbito, a MNDF emitiu nota destacando o “espírito de sacrifício” do militar e decretou luto oficial de três dias na corporação. Colegas de farda prestaram homenagem com salva de 21 tiros na base naval de Hulhumalé, enquanto bandeiras foram hasteadas a meio-mastro em todas as instalações governamentais.

Conclusão Técnica

A morte de Mohamed Mahudhee evidencia os riscos extremos envolvidos em operações de resgate em cavernas subaquáticas profundas. As equipes, agora reforçadas por especialistas britânicos e italianos, concentram-se em concluir o mapeamento da terceira câmara antes de avançar para a extração dos quatro corpos restantes. Previsões meteorológicas indicam melhora nas próximas 48 horas, o que pode acelerar a etapa final da missão. Até que todos os desaparecidos sejam localizados e removidos, o Atol de Vaavu permanecerá interditado para atividades recreativas, e relatórios técnicos adicionais serão divulgados pelas autoridades maldivas ao término da operação.