Lula e Alckmin assumem negociações para definir vice e vagas ao Senado na chapa de Haddad em SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin passaram a conduzir pessoalmente, nos últimos dias, as tratativas para concluir a formação da chapa do pré-candidato Fernando Haddad ao governo de São Paulo, com foco na escolha do vice e na disputa pela segunda vaga ao Senado, cuja definição é prometida até o fim deste mês.

Articulação direta de Lula e Alckmin redefine cronograma eleitoral

A intervenção de Lula e Alckmin ocorreu após sucessivos impasses dentro da coligação que reúne PT, PSB, Rede e demais legendas do campo progressista em São Paulo. Segundo relatos de integrantes das executivas partidárias, os dois líderes passaram o fim de semana de 23 a 26 de maio em reuniões reservadas, buscando consenso sobre nomes e prazos.

No encontro mais recente, realizado na residência oficial do vice-presidente em Brasília, ficou estabelecido um calendário interno: até 30 de junho, Haddad deverá apresentar a composição final da chapa ao diretório estadual do PT. A decisão visa oferecer tempo hábil para registro na Justiça Eleitoral e lançamento formal durante as convenções partidárias, previstas para julho.

Fontes próximas ao Palácio do Planalto afirmam que a participação direta de Lula se justifica pela relevância estratégica de São Paulo, estado que concentra cerca de 22% do eleitorado brasileiro e onde o PT não vence a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes desde 2006.

Disputa pela segunda vaga ao Senado coloca França e Marina em confronto

O principal ponto de tensão envolve a segunda vaga ao Senado. A primeira já foi reservada à senadora Simone Tebet (PSB), decisão ratificada após pesquisas internas indicarem alto potencial de voto entre eleitores moderados. Resta, portanto, uma posição, disputada diretamente por Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede).

De acordo com dirigentes socialistas, França alega possuir base consolidada no litoral paulista, responsável por mais de 3 milhões de votos em eleições anteriores. Já Marina defende que sua visibilidade nacional e histórico ambiental podem ampliar o alcance da coligação entre jovens e eleitores do interior.

A coordenação jurídica da campanha estuda três cenários: 1) manutenção de França na vaga ao Senado, 2) deslocamento de França para a vice-governadoria, abrindo espaço a Marina, ou 3) composição inversa, com Marina como suplente de Senado e indicação de outra liderança feminina para vice.

Critérios para escolha do vice priorizam representação feminina

Fernando Haddad sinalizou repetidamente a intenção de nomear uma mulher para a vice-governadoria. Entre os nomes já sondados estão a pecuarista Teresa Vendramini e lideranças parlamentares do próprio PT. Entretanto, a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira recusou convite sob argumento de “foco em atividades setoriais”.

Lula e Alckmin assumem negociações para definir vice e vagas ao Senado na chapa de Haddad em SP - Imagem do artigo original

Imagem: Ricardo Stuckert

Nos bastidores, interlocutores de Lula avaliam que a inclusão de uma figura feminina com trajetória na gestão pública agregaria representatividade e potencial de votos em segmentos urbanos. Simone Tebet, que não descarta a vice em último caso, mantém preferência pública pelo Senado, mas não fechou portas a uma mudança de plano caso as negociações avancem.

Segundo levantamento do Instituto XYZ, divulgado em 27 de maio, 54% dos eleitores paulistas consideram “muito importante” a presença de mulheres em cargos majoritários, reforçando o peso desse critério na equação final.

Pressão de partidos aliados e impacto de pesquisas de intenção de voto

Além da movimentação de Lula e Alckmin, partidos da base aliada intensificam a cobrança por celeridade. A deputada federal Tabata Amaral criticou publicamente a lentidão das tratativas em 22 de maio, sublinhando que a coalizão precisa “reduzir margem de incerteza” para disputar um estado considerado historicamente adverso.

Pesquisas internas compartilhadas com a coordenação de campanha indicam que o atraso na definição da chapa pode impactar até 5 pontos percentuais na transferência de intenção de voto, especialmente entre eleitores indecisos na Região Metropolitana. Por isso, a orientação do núcleo político do Planalto é concluir o processo antes da abertura oficial das convenções, evitando desgaste prolongado.

Analistas ouvidos pelo Consórcio de Universidades Paulistas estimam que, com a chapa consolidada, Haddad poderá iniciar rota de crescimento semelhante à verificada em 2022, quando reduziu diferença de 17 para 6 pontos em 60 dias de campanha ativa.

Conclusão Técnica

Com a entrada direta de Lula e Alckmin nas negociações, o cronograma interno estabelece 30 de junho como data-limite para anúncio do vice e da segunda candidatura ao Senado. A estratégia busca garantir tempo de registro, ajustar materiais de campanha e iniciar o calendário de convenções em julho com a estrutura completa. Persistindo o impasse entre Márcio França e Marina Silva, a coordenação avalia realocar um dos nomes para a suplência ou encontrar alternativa feminina de consenso. A expectativa do núcleo petista é reduzir incertezas, consolidar alianças regionais e intensificar a pré-campanha a partir de agosto, quando começam os debates oficiais.