Introdução (Lead): A decisão do presidente argentino Javier Milei de zerar a alíquota de 4,5% sobre a exportação de veículos fabricados no país, medida que entra em vigor em julho de 2026 por um período inicial de 12 meses, promete reduzir em cerca de 2% o custo final dos automóveis destinados ao mercado externo, incluindo o Brasil, onde modelos como Toyota Hilux e Ford Ranger lideram as vendas de picapes médias importadas.
Contexto e motivação da medida
A Adefa — associação que reúne as montadoras instaladas na Argentina — vinha pressionando o governo a extinguir a cobrança para restabelecer a competitividade dos produtos nacionais. Desde a implementação do tributo, em 2020, os veículos argentinos chegavam aos mercados vizinhos até 4,5% mais caros, enquanto concorrentes asiáticos, sobretudo da China, ganhavam espaço. No quadrimestre encerrado em abril de 2026, as exportações argentinas ao Brasil totalizaram 54,9 mil unidades, volume insuficiente para manter a liderança histórica: as fabricantes chinesas já ocupam a primeira posição, impulsionadas pela oferta agressiva de veículos elétricos.
No discurso que oficializou o decreto, Milei reiterou o compromisso de “reduzir o poder estatal na economia” e fomentar o setor automotivo como pilar das exportações industriais argentinas. O Ministério da Economia local projeta incremento de até US$ 500 milhões na balança comercial de veículos caso o câmbio permaneça estável e a demanda brasileira se mantenha.
Impacto projetado sobre preços no mercado brasileiro
A eliminação da alíquota representa, na prática, um alívio imediato no preço de fábrica dos automóveis argentinos. Considerando a estrutura tributária brasileira — que inclui Imposto de Importação, IPI, PIS/Cofins e ICMS —, o repasse potencial de 2% no custo FOB pode gerar uma redução final próxima a 1,3% ao consumidor, segundo cálculos de consultorias do setor.
Embora o percentual pareça modesto, ele é relevante em segmentos de tíquete elevado, como picapes médias e SUVs compactos. Para a Toyota Hilux, com preço médio sugerido de R$ 330 mil, a queda poderia atingir R$ 4,3 mil. Já a Ford Ranger, vendida a partir de R$ 289 mil, pode ficar até R$ 3,7 mil mais barata, caso as montadoras repassem integralmente o benefício.
Executivos de importadoras afirmam que a vigência de 12 meses é suficiente para ajustar pedidos, recalcular margens e lançar campanhas promocionais ainda no último trimestre de 2026, tradicionalmente o de maior volume de vendas. Concessionários brasileiros aguardam confirmação dos novos preços de tabela até setembro para planejar estoques.
Imagem: Internet
Modelos beneficiados e reação da cadeia produtiva
Entre os veículos exportados da Argentina para o Brasil, destacam-se:
- Volkswagen Amarok
- Ford Ranger
- Fiat Cronos
- Fiat Titano
- Toyota Hilux
- Toyota SW4
- Peugeot 208
- Peugeot 2008
A Renault também prepara o início da produção em série da picape Niagara, com lançamento confirmado para setembro de 2026. A medida de Milei foi recebida com otimismo por fornecedores de autopeças instalados em Córdoba e Santa Fe, que preveem aumento de turnos e contratações temporárias. De acordo com o sindicato Smata, a indústria automotiva argentina emprega atualmente cerca de 65 mil trabalhadores diretos; a expectativa é de acréscimo de 3 mil vagas até o fim do ano.
Analistas ressaltam, contudo, que a competividade argentina seguirá condicionada a fatores externos, como flutuações cambiais e a política industrial brasileira, que discute a restituição de incentivo fiscal específico para veículos elétricos importados.
Conclusão Técnica
A desoneração temporária das exportações de veículos argentinos deverá reduzir os preços de modelos populares no mercado brasileiro em até 1,3%, reforçando a disputa com fabricantes chinesas no curto prazo. O setor acompanhará a consolidação dos novos valores nas listas de preços até o quarto trimestre, enquanto monitorará a possibilidade de prorrogação da medida além de julho de 2027. Caso o incentivo seja mantido e o real permaneça estável frente ao peso, a Argentina tende a recuperar parte da participação perdida no principal destino de suas vendas externas de automóveis.




