Investigadores da Polícia Federal cumpriram 19 mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (2) para apurar a suspeita de que o auditor-fiscal Marcus Vinicius Nali Simioni Filho, ex-delegado da Alfândega do Porto de Itajaí, tenha recebido mais de R$ 5 milhões em vantagens indevidas entre 2022 e 2025 para favorecer empresas de comércio exterior, gerando prejuízo estimado em R$ 10 milhões aos cofres públicos.
Origem da investigação e identificação do servidor
O inquérito teve início na Corregedoria da Receita Federal, que detectou incompatibilidade entre o padrão de vida do servidor e sua remuneração oficial, além de movimentações financeiras atípicas. A partir desses elementos, a Polícia Federal instaurou procedimento específico e solicitou medidas judiciais de busca, resultando em decisões expedidas pela Justiça Federal de Santa Catarina.
Marcus Vinicius Nali Simioni Filho exerceu a função de delegado da Alfândega de Itajaí de 2022 a 2025, período em que, segundo a apuração, usou o cargo para intervir em processos de liberação aduaneira, reduzindo prazos e exigências burocráticas em benefício de importadores e operadores logísticos previamente selecionados.
Modus operandi e fluxo financeiro
Relatórios bancários indicam que as supostas propinas eram pagas por meio de três modalidades principais:
- Pagamentos em espécie entregues diretamente ao investigado;
- Depósitos fracionados em contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao servidor;
- Quitação de despesas pessoais, incluindo aluguéis, faturas de cartão de crédito e aquisição de veículos.
Laudos periciais apontam que parte dos recursos transitou por empresas registradas em nome de familiares do auditor, estratégia que teria servido para ocultar a origem ilícita e conferir aparência de legalidade às quantias recebidas.
Alcance geográfico e participação de terceiros
A ação desta terça-feira mobilizou 30 servidores da Receita Federal e agentes da Polícia Federal em nove municípios paulistas — Campinas, Guarulhos, Barueri, Hortolândia, Paulínia, Santana de Parnaíba, Valinhos, Itajaí e São Paulo (capital) — além de diligências no litoral catarinense. A investigação também mira:
- Despachantes aduaneiros que intermediavam contatos entre empresários e o servidor;
- Consultorias especializadas em comércio exterior responsáveis por estruturar o pagamento das vantagens;
- Operadores logísticos que se beneficiavam da liberação acelerada de cargas.
Em nota oficial, a Receita Federal reiterou compromisso com a integridade institucional e informou que colabora com todas as etapas da operação.
Imagem: Redes Sociais
Medidas cautelares e consequências administrativas
A Justiça determinou o afastamento cautelar de Marcus Vinicius Nali Simioni Filho de suas funções públicas. Também foram bloqueados bens móveis e imóveis em valor equivalente ao prejuízo estimado, incluindo dois apartamentos, três automóveis de luxo e aplicações financeiras.
Na esfera administrativa, o servidor responde a processo disciplinar que pode culminar em demissão e perda da aposentadoria. Paralelamente, a Receita Federal analisa os regimes aduaneiros concedidos durante a gestão do investigado para verificar se houve descumprimento das exigências fiscais.
Impacto fiscal e projeções para o comércio exterior
Analistas do órgão estimam que o suposto esquema causou diferença de R$ 10 milhões na arrecadação, valor que inclui impostos não recolhidos, multas dispensadas e juros. Caso sejam confirmadas manipulações em regimes especiais, novas autuações podem elevar o montante a patamares superiores.
Empresas beneficiadas poderão sofrer suspensão de habilitação no Siscomex e responder solidariamente por eventuais sanções pecuniárias, conforme o Regulamento Aduaneiro.
Conclusão Técnica — Próximos passos: Com a quebra de sigilos bancário e fiscal autorizada, a Polícia Federal deve confrontar os fluxos de capitais com declarações oficiais, mapear outros possíveis envolvidos e, se necessário, solicitar prisões preventivas para evitar destruição de provas. O Ministério Público Federal acompanhará a finalização do relatório policial antes de oferecer denúncia por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Até o encerramento das apurações, o Porto de Itajaí permanece sob monitoramento reforçado, sem alteração no calendário de liberações, para preservar a continuidade das operações de comércio exterior.




