Escalada do combustível e conflito no Irã freiam opções de compra de aeronaves, aponta CEO da Embraer

Airlines estão postergando o exercício de opções de compra de aeronaves já contratadas diante da combinação entre alta do querosene de aviação e incertezas provocadas pela guerra no Irã, segundo informou o presidente-executivo da Embraer, Francisco Gomes Neto, durante a assembleia anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), realizada em 6 de junho no Rio de Janeiro. Embora o movimento represente um freio temporário nas decisões de expansão de frota, a fabricante afirma não ter recebido solicitações para adiar entregas nem observar desaceleração nos processos de venda em curso.

Pressão dos custos operacionais em meio ao conflito geopolítico

A cotação internacional do combustível de aviação subiu cerca de 12% nos últimos três meses, impulsionada pela volatilidade no mercado de petróleo desde o início das hostilidades no Irã. Para companhias aéreas, o insumo responde por até 35% do custo operacional, tornando o cenário de preços um fator crítico na avaliação de novos investimentos em frota. Executivos presentes ao encontro da IATA indicaram que o período de instabilidade deve perdurar enquanto não houver clareza sobre o desfecho diplomático do conflito.

Nesse contexto, transportadoras que já possuíam contratos com opções de compra — cláusulas que permitem adquirir aviões adicionais a valores predeterminados — optam por aguardar um quadro de maior previsibilidade. O adiamento não implica cancelamento, mas desloca para o futuro decisões que, em condições normais, seriam confirmadas em janelas de renovação de frota ou de abertura de novas rotas.

Resiliência da carteira de pedidos e novas negociações

Apesar da cautela dos clientes, a Embraer mantém uma carteira de pedidos equivalente a quase cinco anos de produção comercial. Em abril, a companhia anunciou acordos com a Finnair para 18 jatos da família E2 e com a arrendadora Azorra para 15 unidades. A expectativa, segundo Gomes Neto, é consolidar novos contratos durante o Farnborough Airshow, no Reino Unido, no próximo mês.

Para 2026, a projeção oficial permanece entre 80 e 85 aeronaves comerciais entregues. No planejamento interno, a meta é ampliar o volume para 95 a 100 unidades em 2027, mirando recomposição de market share frente às gigantes do setor. O executivo reforçou que não houve cancelamentos decorrentes do ambiente geopolítico e que o ritmo de produção segue atrelado primordialmente à disponibilidade de componentes na cadeia de suprimentos.

Cadeia de suprimentos e aposta na eficiência de combustível

Desde a pandemia, fabricantes de turbinas, sistemas hidráulicos e aviônicos enfrentam gargalos que atrasam entregas de peças críticas. Gomes Neto relatou “melhora gradual”, mas reconheceu que a normalização completa da cadeia é o principal desafio para sustentar o cronograma de produção desejado. A Embraer trabalha em programas de qualificação de fornecedores e na internalização de processos para mitigar dependências externas.

No front comercial, o diferencial de eficiência da família E2 — com consumo de combustível até 25% inferior ao de modelos da geração anterior — ganha relevância justamente no momento em que o custo do querosene pressiona resultados das companhias aéreas. A fabricante explora esse argumento em campanhas na Europa, Ásia e América Latina, regiões onde transportadoras de médio porte buscam redimensionar capacidade sem sacrificar margem.

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Analistas do setor apontam que a performance nos próximos trimestres dependerá da convergência entre três variáveis: estabilização dos preços do petróleo, avanço nas tratativas de paz no Oriente Médio e ritmo de recuperação da oferta de componentes. Um cenário positivo nesses eixos tende a destravar o pipeline de opções de compra hoje em compasso de espera.

Ajustes contratuais e foco em rentabilidade

Ao mesmo tempo em que expande a base de clientes, a Embraer renegocia contratos herdados com margens inferiores às atuais. A atualização de preços acompanha a valorização do dólar frente ao real e a incorporação de tecnologias de menor emissão de carbono. Segundo o CEO, a rentabilidade da divisão de aviação comercial apresenta tendência de alta, sustentada pelo mix de novos acordos e pelos ganhos de escala previstos para 2027.

Para reforçar a posição de caixa, a companhia mantém política disciplinada de capital de giro e monitoramento de inadimplência, fatores vistos como amortecedores em cenários de estresse prolongado. Instituições financeiras que acompanham a empresa avaliam que a sólida carteira de pedidos e a diversificação de produtos — incluindo defesa e aviação executiva — oferecem colchão adicional contra choques setoriais.

Conclusão técnica

A elevação dos preços do combustível e a incerteza gerada pela guerra no Irã introduzem um componente tático de espera nas decisões de ampliação de frota das companhias aéreas. No entanto, a Embraer sustenta indicadores de demanda robustos, amparada por backlog de longo prazo, negociações em andamento e apelo da eficiência dos jatos E2. As próximas etapas envolvem a consolidação de contratos no Farnborough Airshow, a continuidade da recuperação da cadeia de suprimentos e a execução das metas de produção para 2026-2027. A evolução desses fatores determinará a velocidade com que as opções de compra hoje suspensas retornem ao cronograma efetivo de entregas.