Crédito para manter as PMEs em operação: 41% buscam capital de giro, revela Serasa Experian

Levantamento da Serasa Experian indica que 41% de 1,9 milhão de pequenas e médias empresas brasileiras recorrem ao crédito prioritariamente para capital de giro, evidenciando a necessidade de recursos para sustentar fluxo de caixa, estoques e despesas correntes, em vez de financiar expansão.

Perfil do tomador: empresas consolidadas, quadro enxuto e faturamento modesto

De acordo com o estudo, mais de 80% das PMEs analisadas empregam até nove funcionários, configurando estruturas operacionais enxutas. A pesquisa ainda demonstra que quase 79% dos negócios estão ativos há mais de cinco anos, descartando a ideia de que a busca por crédito seja fenômeno restrito a empreendimentos iniciantes.

O recorte sobre receita confirma o caráter de sobrevivência financeira: 72% das empresas faturam até R$ 1,35 milhão anuais. Nesse segmento, o crédito funciona como instrumento de estabilização do ciclo operacional, não como alavanca de projetos de grande escala.

Setor de comércio concentra a demanda enquanto limites permanecem reduzidos

O setor de comércio e reparação de veículos responde por quase 40% do total de PMEs avaliadas, tornando-se o segmento mais representativo na amostra. Paralelamente, 28% das companhias exibem perfil de tomador de crédito voltado à pessoa jurídica, reforçando a ênfase no financiamento de curto prazo.

Quanto à disponibilidade de recursos, o diagnóstico é conservador: 95,7% das pequenas e médias empresas operam com limite estimado de até R$ 570 mil. O valor reforça a predominância de necessidades ligadas à gestão cotidiana — compra de estoque, pagamentos a fornecedores e quitação de folha.

Diferenciação de risco: score baixo, mas pontualidade elevada em boa parte das PMEs

A análise de risco financeiro exibe heterogeneidade. Quase 48,3% das empresas situam-se nas faixas inferiores do Score PJ, indicador que mede capacidade de pagamento. Em contraposição, 21,4% atingem pontuação entre 701 e 1 000, patamar considerado robusto.

Outro dado relevante: mais da metade das PMEs possui algum tipo de restrição ativa, porém, entre aquelas com histórico de pagamento acompanhado, 72,5% mantêm-se na faixa mais alta de pontualidade. O contraste justifica processos de avaliação de crédito cada vez mais segmentados e baseados em múltiplas variáveis além do tamanho ou do faturamento.

Conclusão Técnica

Os resultados do levantamento sugerem que o crédito para PMEs no Brasil continua ancorado na sustentação da operação diária, e não na expansão. Limites reduzidos, predominância de empresas consolidadas e forte participação do comércio delineiam um cenário em que capital de giro é vital para o equilíbrio do fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, a dispersão nos níveis de score reforça a necessidade de métricas de risco mais refinadas, capazes de distinguir bom pagador com restrição pontual de tomador estruturalmente inadimplente. Para os agentes financeiros, a tendência é intensificar soluções de avaliação granular e ofertas customizadas, alinhadas à heterogeneidade demonstrada pelos números.