BTG Pactual aponta Banco do Brasil entre os piores lucros do 1T26, enquanto Prio lidera salto de 123,6%

Relatório do BTG Pactual indica que o ambiente favorável para commodities impulsionou os lucros de empresas como Prio, mas juros elevados derrubaram o desempenho de bancos e varejistas, colocando o Banco do Brasil entre os piores resultados do primeiro trimestre de 2026.

Panorama da temporada de resultados do 1T26

O levantamento do BTG Pactual, que analisou balanços de 17 setores, mostra que 37% das companhias apresentaram números considerados fortes, fatia estável em relação a 2025. Por outro lado, 29% registraram desempenho fraco. Excluindo Petrobras e Vale, as receitas superaram as projeções do banco em 1%, o Ebitda em 0,3% e o lucro líquido em 1,6%. A comparação sequencial revela avanço de 8,9% nas vendas e de 13,8% no Ebitda, sinalizando crescimento operacional moderado em meio a um cenário macroeconômico ainda desafiador.

Destaques positivos: petróleo, gás e utilities sustentam a alta

Alavancadas por preços mais elevados do Brent, as empresas de óleo e gás registraram a maior expansão no período, com salto de 102,6% no lucro líquido. O protagonismo ficou com a Prio (PRIO3), cujo ganho avançou 123,6% na comparação anual. Também se sobressaíram Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), reforçando o impacto positivo das commodities energéticas.

Entre as utilities, o BTG destaca a performance da Axia (AXIA3), que elevou a receita em 19,7%, e da Copel (CPLE3), com incremento de 20% em sua divisão de geração. Esse movimento reflete o repasse de preços de energia mais altos e contratos de longo prazo favoráveis.

No segmento de locação de ativos, a Localiza (RENT3) comercializou 95 mil veículos seminovos, ante 75 mil um ano antes, combinando volume recorde e margem ampliada no negócio de desmobilização de frota.

Piores desempenhos: crédito caro pressiona bancos e consumo interno

Apesar de crescimento nominal de receita na maior parte das instituições financeiras, a rentabilidade foi impactada pela manutenção da taxa Selic em patamar elevado durante o trimestre. O Banco do Brasil (BBAS3) destoou negativamente ao não atingir as estimativas do BTG, tornando-se o principal responsável pelo recuo no setor bancário.

No varejo, o lucro líquido consolidado despencou 87,5% em relação ao 1T25. O banco atribui a deterioração a despesas financeiras mais altas, margens comprimidas e demanda doméstica fraca. Entre alimentos e bebidas, o Ebitda recuou 12,3%, influenciado sobretudo pela queda de 33,3% da JBS (JBSS32). O impacto sobre o resultado consolidado do segmento foi proporcional ao peso da companhia na amostra.

O relatório ressalta que 16 dos 17 setores monitorados cresceram em receita no comparativo anual; entretanto, a dificuldade em converter vendas em lucro persiste para empresas expostas a custos de capital elevados e inflação de custos operacionais.

Conclusão Técnica

Os dados do primeiro trimestre confirmam que a dinâmica setorial segue dividida entre o impulso gerado pelo ciclo de commodities e a pressão do crédito doméstico caro. Para as companhias exportadoras, a combinação de preços internacionais favoráveis e câmbio competitivo deve continuar sustentando margens no curto prazo. Já bancos, varejo e alimentos precisam de alívio nos juros para reverter a compressão dos lucros. A expectativa consolidada do mercado é de que ajustes na política monetária ao longo do segundo semestre de 2026 determinem se a recuperação das empresas ligadas à economia interna ganhará tração ou permanecerá limitada.