O Banco do Brasil apresentou lucro líquido recorrente de R$ 3,43 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 53,5% sobre um ano antes, com retorno sobre patrimônio recuando para 7,3% e projeções anuais revisadas para baixo.
Desempenho financeiro no primeiro trimestre
Último entre os grandes bancos a divulgar números do 1T26, o Banco do Brasil confirmou a expectativa de enfraquecimento dos resultados. O lucro líquido recorrente de R$ 3,43 bilhões ficou praticamente em linha com o consenso de mercado coletado pela Bloomberg, de R$ 3,425 bilhões. O indicador representou retração de 53,5% na comparação anual e de 40,2% ante o quarto trimestre de 2025.
A rentabilidade, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROE), recuou para 7,3%, uma diminuição de 9,4 pontos percentuais em doze meses e de 5,1 p.p. frente ao trimestre imediatamente anterior. Mesmo dentro das previsões, o porcentual manteve o banco na última posição entre os pares de grande porte, distante dos cerca de 24,4% reportados pelo Itaú Unibanco e abaixo de Bradesco e Santander Brasil.
O balanço continuou a refletir custos de crédito mais altos e deterioração de ativos. A combinação pressionou a margem de intermediação e elevou o custo do risco, fatores já observados ao longo de 2025 e ainda sem sinal claro de reversão.
Fatores que comprimem a lucratividade
Os impactos negativos derivam principalmente de três vetores: aumento da inadimplência, menor expansão da carteira e necessidade de reforço de provisões. A fase de desaceleração econômica prolongou o ciclo de crédito adverso e perpetuou a piora na qualidade dos ativos. Mesmo com postura mais conservadora na concessão, o banco registrou incremento nas despesas de provisão para perdas, elevando o custo de crédito.
O movimento de elevação seletiva da carteira, sobretudo em segmentos de menor risco, limitou o crescimento de receitas com crédito, enquanto o spread bancário foi comprimido por competição e mudança no mix. Paralelamente, despesas administrativas mantiveram-se controladas dentro do intervalo projetado, mas não compensaram o choque de provisões.
Apesar dos ajustes internos – revisão de políticas de crédito, fortalecimento da cobrança e incentivo a produtos de maior margem –, os efeitos aparecem com defasagem. Executivos indicaram que a normalização do custo de risco pode se estender até o fim de 2026, condicionada à melhoria do ambiente macroeconômico e ao avanço das carteiras de menor inadimplência, como agronegócio e crédito consignado.
Guidance de 2026 é revisado
Junto aos resultados, a instituição atualizou o guidance anual. A maior alteração ocorreu no lucro líquido ajustado, cujo piso anterior virou teto. O banco agora projeta resultado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, ante faixa anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.
Imagem: Internet
No mesmo documento, o custo de crédito estimado subiu para intervalo de R$ 65 bilhões – R$ 70 bilhões, comparado ao range prévio de R$ 53 bilhões – R$ 58 bilhões. Em contrapartida, a projeção de margem financeira bruta avançou para 7% a 11%, acima dos 4% a 8% divulgados anteriormente, refletindo recomposição de preços e maior participação de linhas com maior retorno.
As expectativas de crescimento das carteiras – total, pessoa física, empresas, agronegócio e sustentável – foram mantidas, bem como as faixas para receitas de serviços e despesas administrativas. A sinalização sugere cautela na expansão, priorizando qualidade sobre volume.
Comparação setorial e perspectivas
O desempenho do Banco do Brasil contrasta com o de competidores privados que, embora também afetados por provisões elevadas, exibiram queda menos acentuada no ROE. A diferença decorre do perfil de portfólio mais exposto a segmentos varejistas sensíveis, além de menor flexibilidade de repasse de preços na carteira agrícola subsidiada.
Analistas acompanham a capacidade do banco de acelerar iniciativas de eficiência operacional e monetizar serviços atrelados ao ecossistema agro, em busca de rentabilidade superior ao custo de capital. A continuidade do programa de redução de despesas, automatização de processos e migração de clientes para canais digitais tende a sustentar parte dessa estratégia.
No front regulatório, a discussão sobre eventual revisão de limites de crédito rural subsidiado ou alteração em regras de compulsório também integra o radar. Eventuais mudanças podem influenciar a composição da margem financeira e, portanto, as projeções para 2026.
Conclusão técnica
O primeiro trimestre de 2026 confirmou o prolongamento da pressão sobre lucros e rentabilidade do Banco do Brasil. A nova faixa de guidance indica reconhecimento do cenário mais desafiador e ajusta as expectativas do mercado a patamares compatíveis com a atual dinâmica de risco. A materialização da retomada depende da eficácia das medidas internas de eficiência, da evolução da inadimplência e das condições macroeconômicas, que serão reavaliadas a cada divulgação de resultados ao longo do ano.




