A proposta de emenda constitucional que encerra a escala 6×1 e fixa a jornada em 40 horas semanais sem corte de salários chega à etapa decisiva na Câmara dos Deputados, com votação prevista até quinta-feira, 28 de maio. O principal impasse recai sobre o prazo de transição para que empresas se adequem, travando a apresentação do parecer final na Comissão Especial.
Negociação política entra em fase final
A manhã desta segunda-feira, 25 de maio começou com reuniões no Palácio do Planalto para selar um acordo que destrave o relatório. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente da Câmara, Hugo Motta, acompanhado dos ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho). Após o encontro, Motta segue para conversa com o relator da PEC, deputado Leo Prates, que se posiciona contra uma transição prolongada.
O governo defende a adoção imediata do novo limite de horas, enquanto a oposição propõe períodos de adaptação que chegam a dez anos, conforme emendas apresentadas. Lula sinalizou disposição para negociar, mas criticou cronogramas “diluídos”, afirmando que reduções graduais de “meia hora por ano” representam “brincar de fazer redução”.
Nos bastidores, líderes partidários buscam convergência para evitar novo adiamento. A proposta precisa de 308 votos em dois turnos no plenário antes de seguir ao Senado. Caso o texto avance ainda nesta semana, o governo estima promulgação até o início do segundo semestre.
Impacto econômico projetado para empresas e trabalhadores
Estudo do BTG Pactual avalia que a migração de 44 para 40 horas pode elevar em 2,1 % o custo total das empresas, percentual que sobe para 4,7 % se a jornada cair a 36 horas – cenário fora da mesa neste momento. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), a carga horária média hoje é de 42 horas semanais, e 75,5 % dos contratos estão na faixa de até 44 horas.
Os setores mais intensivos em mão de obra – comércio, construção e serviços de alimentação – sinalizam pressões imediatas sobre folha de pagamento, logística e escala de atendimento. Pequenos negócios, que operam com menor margem financeira, argumentam que períodos maiores de transição são cruciais para diluir custos e evitar demissões.
Centrais sindicais, por outro lado, apontam que a redução poderá gerar ganhos de produtividade e qualidade de vida, citando experiências internacionais onde diminuições de jornada foram acompanhadas de avanços tecnológicos e reorganização de processos internos.
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Tramitação e requisitos constitucionais
A Comissão Especial pretende votar o relatório ainda nesta segunda-feira; se aprovado, o texto segue para o plenário da Câmara. Por alterar a Constituição, requer dois turnos com quórum qualificado: mínimo de 308 votos favoráveis em cada rodada. A expectativa dos articuladores governistas é concentrar as votações entre quarta-feira, 27, e quinta-feira, 28.
Concluída a etapa na Câmara, a PEC tramita no Senado Federal, onde também precisa de dois turnos com ao menos 49 votos. Caso o Senado não modifique o texto, a matéria vai à promulgação em sessão do Congresso Nacional. Se houver mudanças, retorna à Câmara para análise final.
Especialistas em direito do trabalho destacam que a adoção da escala 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso) exigirá ajustes em convenções coletivas, controle de ponto eletrônico, cálculo de horas extras e escalas de plantão em setores críticos como saúde, transporte e segurança.
Conclusão técnica
Com a redução para 40 horas semanais praticamente consensual, o cronograma de implementação permanece como variável-chave para a aprovação da PEC. Caso a Câmara consolide maioria ainda nesta semana, o debate no Senado se concentrará na mesma disputa temporal. Empresas monitoram potenciais acréscimos de custo de até 2,1 %, enquanto trabalhadores aguardam definição que pode alterar contratos de 75,5 % da força de trabalho formal. A tendência é de deliberação acelerada, mas o desfecho dependerá da capacidade do governo de articular um acordo que concilie urgência política e viabilidade operacional para o setor produtivo.




