Silmara Aparecida dos Santos, 36 anos, chegou ao Hospital Regional Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, com dores agudas nas costas e saiu da unidade, no mesmo dia 11 de junho, como mãe de Gabriel; a gestação só foi identificada durante a tomografia que antecedeu o parto.
Chegada ao hospital e identificação do trabalho de parto
A paciente, moradora de Camboriú, buscou inicialmente atendimento em sua cidade após cólicas intensas e desconforto lombar que ela associou a possível litíase renal. Devido à intensidade da dor, foi transferida para o Hospital Regional Ruth Cardoso (HRRC) para realização de exames de imagem. Durante a preparação para a tomografia, a equipe detectou trabalho de parto avançado. O encaminhamento imediato ao Centro Obstétrico resultou em um parto normal, sem intercorrências.
O coordenador médico do setor, Ivanildo Ferreira dos Santos, destacou que situações de “gravidez silenciosa” — quando a gestante não reconhece sinais clássicos —, embora incomuns, são contempladas na literatura obstétrica. Segundo o médico, a ausência de aumento abdominal significativo e o uso de anticoncepcional que inibiu o ciclo menstrual contribuíram para que o quadro passasse despercebido.
Fatores que mascararam a gestação
Entre os elementos que retardaram o diagnóstico, a paciente relatou uso contínuo de contraceptivo oral de dose combinada, medicação que, em alguns regimes, suprime o fluxo menstrual. Esse método dificultou a percepção de alterações hormonais normalmente associadas à gravidez.
Além disso, não houve ganho ponderal relevante nem mudança visível no contorno abdominal. Estudos de casos semelhantes apontam que a posição do feto, a tonicidade da musculatura abdominal e características corporais individuais podem conter o volume uterino, atrasando a detecção clínica.
Os sintomas referidos pela paciente — dores nas costas e cólicas — foram interpretados como possíveis sinais de distúrbios renais. A coincidência de quadros dolorosos comuns a diferentes patologias reforçou a hipótese inicial de cálculo renal e levou à solicitação da tomografia, exame que acabou revelando o estágio avançado do trabalho de parto.
Resposta assistencial e mobilização comunitária
Após o parto, mãe e recém-nascido permaneceram em observação padrão na maternidade. Segundo boletim do HRRC, os sinais vitais de Gabriel apresentaram parâmetros normais para neonatos, mantendo peso e temperatura estáveis. A alta hospitalar ocorreu dentro do prazo médio para partos sem complicações.
Imagem: Hospital Regial Ruth Cardoso
Sem enxoval preparado, a família recebeu apoio imediato de amigas identificadas como Fernanda e Jolise, que organizaram coleta de roupas, fraldas e itens de higiene. A ação mobilizou colegas de trabalho e moradores de Camboriú, garantindo suprimentos essenciais para os primeiros meses do bebê.
Na dimensão familiar, o recém-chegado tornou-se o segundo filho de Silmara; o primogênito, Gustavo, tem 16 anos. A mãe relatou sentimento inicial de surpresa, mas declarou estar “em fase de adaptação” à nova rotina, reforçando agradecimento à rede de apoio formada espontaneamente.
Conclusão Técnica
O caso exemplifica fenômeno reconhecido na obstetrícia, em que fatores hormonais, anatômicos e comportamentais podem ocultar sintomas gestacionais até o estágio final. A conduta médica de triagem por imagem permitiu diagnóstico rápido e condução segura do parto. A paciente e o neonato evoluíram sem complicações, o que reforça a eficácia dos protocolos de emergência aplicados no HRRC.
Nos próximos passos, o acompanhamento ambulatorial inclui consultas pediátricas regulares para Gabriel e avaliação pós-parto para Silmara, integrando orientações sobre planejamento familiar. A equipe obstétrica mantém monitoramento estatístico de ocorrências semelhantes, contribuindo para aprimorar diretrizes de atendimento a gestações não percebidas precocemente.




